REsp 2173715 - DECISAO
Não conheço do recurso especial por ausência do requisito do prequestionamento, pela impossibilidade de reexaminar matéria fático-probatória (Súmula 7/STJ) e pela existência de fundamentação constitucional no acórdão recorrido, cuja apreciação competiria ao STF, aplicando-se o art. 255, § 4º, I, do RISTJ; ademais,...
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- Parties
- Recorrente: ESTADO DO TOCANTINS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 November 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- não conhecimento do recurso especial
- Legal Topics
- Recurso Especial, Não Conhecimento, SELIC, Emenda Constitucional Nº 113/2021, Anatocismo, Prequestionamento, Súmula 7/stj, Súmula 282/stf, Honorários Sucumbenciais
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Parties
ESTADO DO TOCANTINS
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 ausência de prequestionamento
- 2 alegação de anatocismo nos cálculos
- 3 incidência da Taxa SELIC a partir da EC nº 113/2021
Ratio Decidendi
Não conheço do recurso especial por ausência do requisito do prequestionamento, pela impossibilidade de reexaminar matéria fático-probatória (Súmula 7/STJ) e pela existência de fundamentação constitucional no acórdão recorrido, cuja apreciação competiria ao STF, aplicando-se o art. 255, § 4º, I, do RISTJ; ademais, os cálculos da COJUN demonstraram a aplicação da Taxa SELIC a partir de 12/2021, não evidenciando excesso de execução.
Court Disposition
não conhecimento do recurso especial
Orders
- NÃO CONHEÇO do recurso especial com base no art. 255, § 4º, I, do RISTJ.
- Caso exista nos autos prévia fixação de honorários sucumbenciais pelas instâncias de origem, majoro, em desfavor da parte recorrente, em 10% o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto pelo ESTADO DO TOCANTINS com respaldo nas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional contra acórdão do Tribunal de Justiça daquela unidade da Federação assim ementado (e-STJ fl. 72): EMENTA: DIREITO CIVIL E PROCEUSSUAL CÍVEL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. CÁLCULOS APRESENTADOS PELA COJUN, COM INCIDÊNCIA DA TAXA DO SISTEMA ESPECIAL DE LIQUIDAÇÃO E DE CUSTÓDIA - SELIC. OBSERVÂNCIA DOS TERMOS DA EMENDA CONSTITUCIONAL - EC Nº 113/2021. EXCESSO DE EXECUÇÃO NÃO CONFIGURADO. DECISÃO MANTIDA. RECURSO DO ESTADO DO TOCANTINS NÃO PROVIDO. 1. Quando não evidenciado o excesso ou incorreção da aplicação dos consectários legais nos cálculos apresentados pela Contadoria Judicial - COJUN, sobretudo quando no detalhamento de cálculo consta a incidência da Taxa do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC a partir de 12/2021 e no resumo de cálculo consta a aplicação de juros e correção monetária, de forma individualizada, para os períodos anteriores a Emenda Constitucional - EC nº 113/2021, impositiva se mostra a manutenção da decisão - agravada, somado ao fato de que a partir da publicação da EC no 113 em 09 de dezembro de 2021, a atualização do crédito deve ser feita pela Taxa SELIC, com incidência sobre o valor consolidado do débito. 2. Agravo não provido. Os aclaratórios foram acolhidos. Nas suas razões, a parte recorrente aponta violação do art. 4º do Decreto n. 22.626/1933, sustentando que a sistemática dos cálculos apresentados resultaria em anatocismo. Contrarrazões às e-STJ fls. 140/143. Juízo positivo de admissibilidade pelo Tribunal de origem às e-STJ fls. 161/164. Passo a decidir. A irresignação recursal não merece prosperar. No que toca à alegação de contrariedade do art. 4º do Decreto n. 22.626/1933, registre-se que o presente apelo nobre carece do requisito constitucional do prequestionamento. Conquanto não seja exigida a menção expressa ao dispositivo de lei federal, a admissibilidade do recurso na instância excepcional pressupõe que a Corte de origem tenha se manifestado sobre a tese jurídica apontada pelo recorrente. Esse é o entendimento pretoriano consagrado na edição da Súmula 282 do STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando não ventilada, na decisão recorrida, a questão federal suscitada." Ainda, quanto à alegada ocorrência de anatocismo nos cálculos apresentados, a apreciação do inconformismo demandaria incursão no substrato fático-probatório constante nos autos, providência inviável no âmbito do recurso especial, ante o óbice estampado na Súmula 7 do STJ. Além disso, verifica-se que a controvérsia tratada foi dirimida pelo Tribunal de origem com base em fundamentação eminentemente constitucional, sendo, por isso, inviável a apreciação da insurgência posta, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. Nesse sentido: PROCESSO CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO ESTADUAL. MANDADO DE SEGURANÇA. ILEGALIDADE DO PARCELAMENTO DOS VENCIMENTOS. OFENSA A DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. INVIABILIDADE. USURPAÇÃO DE COMPETÊNCIA DO STF. AGRAVO INTERNO DO ESTADO DE SERGIPE A QUE SE NEGA PROVIMENTO. .. 3. Verifica-se que o acórdão recorrido utilizou fundamentação exclusivamente constitucional para dirimir a controvérsia, motivo pelo qual é inviável a alteração do decisum, uma vez que o Superior Tribunal de Justiça não detém competência para examinar, em sede de Recurso Especial, eventual ofensa direta à dispositivo ou princípio constitucional, cabendo tal apreciação ao Pretório Excelso, na via recursal extraordinária. 4. Agravo Interno do ESTADO DE SERGIPE a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 1.234.113/SE, Relator Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, DJe 04/02/2009). PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO E CONSTITUCIONAL. FORNECIMENTO DE MEDICAMENTO. OFENSA AO ART. 535 DO CPC/1973 NÃO CONFIGURADA. ART. 462 DO CPC/1973. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. ACÓRDÃO FUNDADO EM INTERPRETAÇÃO CONSTITUCIONAL IMPOSSIBILIDADE E ANÁLISE RECURSO ESPECIAL. IMPRESCINDIBILIDADE DO FÁRMACO DEMONSTRADA. REVISÃO. SÚMULA 7/STJ. .. 4. No mais, o Tribunal Regional solucionou a controvérsia com fundamentos eminentemente constitucionais, matéria insuscetível de ser examinada em Recurso Especial, sob pena de usurpação de competência inserta no art. 102 da Constituição Federal. 5. Ainda que assim não fosse, constata-se que o Tribunal de origem, soberano na análise probatória, decidiu estar configurado o direito a amparar o pedido de fornecimento do medicamento indicado na inicial, não cabe ao STJ adentrar esse mérito, tendo em vista o óbice da Súmula 7/STJ. 6. Agravo Interno não provido. (AgInt no REsp 1.732.078/RJ, Relator Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe 27/11/2018). No mesmo sentido, em hipóteses similares à presente: REsp 2149184/TO, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, DJe 24/06/2024; REsp 2149542/TO, Rel. Ministro TEODORO SILVA SANTOS, DJe 20/06/2024; REsp 2149183/TO, de minha relatoria, DJe 25/06/2024. Por fim, "a inadmissão do recurso especial interposto com fundamento no artigo 105, III, "a", da Constituição Federal, em razão da incidência de enunciado sumular, prejudica o exame do recurso no ponto em que suscita divergência jurisprudencial se o dissídio alegado diz respeito ao mesmo dispositivo legal ou tese jurídica, o que ocorreu na hipótese. Precedentes" (AgInt nos EDcl no REsp n. 1.998.539/PB, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 3/4/2023, DJe de 11/4/2023). Ante o exposto, com base no art. 255, § 4º, I, do RISTJ, NÃO CONHEÇO do recurso especial. Caso exista nos autos prévia fixação de honorários sucumbenciais pelas instâncias de origem, majoro, em desfavor da parte recorrente, em 10% o valor já arbitrado (na origem), nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015, observados, caso aplicáveis os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo, bem como os termos do art. 98, § 3º, do mesmo diploma legal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA