AREsp 1837378 - DECISAO
O recurso extraordinário não foi admitido por ausência de exaurimento das vias recursais ordinárias (incidência da Súmula 281/STF); foram apontados ainda óbices de admissibilidade relacionados à deficiência de fundamentação (Súmula 284/STF), existência de fundamento não atacado (Súmula 283/STF) e necessidade de...
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- Parties
- Recorrente: MS CHU PRESENTES LTDA - MICROEMPRESA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 June 2021
- Procedural Posture
- Recurso Extraordinário / Não Admitido
- Outcome
- Recurso extraordinário não admitido
- Legal Topics
- Recurso Extraordinário, Súmula 281/stf, Súmula 283/stf, Súmula 284/stf, Súmula 7/stj, Intimação Eletrônica, Honorários Advocatícios, Princípio Do Contraditório E Ampla Defesa
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Parties
MS CHU PRESENTES LTDA - MICROEMPRESA
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Extraordinário / Não Admitido
Legal Issues
- 1 inadmissibilidade por não exaurimento das vias recursais (Súmula 281/STF)
- 2 deficiência de fundamentação e falta de indicação precisa de dispositivos legais (Súmula 284/STF)
- 3 decisão com mais de um fundamento suficiente não atacado (Súmula 283/STF)
Ratio Decidendi
O recurso extraordinário não foi admitido por ausência de exaurimento das vias recursais ordinárias (incidência da Súmula 281/STF); foram apontados ainda óbices de admissibilidade relacionados à deficiência de fundamentação (Súmula 284/STF), existência de fundamento não atacado (Súmula 283/STF) e necessidade de reexame de provas (Súmula 7/STJ). Com fundamento no art. 1.030, V, do CPC, não se admite o recurso.
Court Disposition
Recurso extraordinário não admitido
Orders
- Não se admite o recurso extraordinário
- Publique-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso extraordináriointerposto por MS CHU PRESENTES LTDA - MICROEMPRESA, com fundamento no art. 102, III, a, da Constituição Federal, contra decisão monocrática proferida pelo Ministro-Presidente, nos seguintes termos (e-STJ fls. 151-154): Na espécie, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que a parte recorrente deixou de indicar precisamente os dispositivos legais que teriam sidoviolados, ressaltando que a mera citação de artigo de lei na peça recursal não supre a exigência constitucional. Aplicável, por conseguinte, o enunciado da citada súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: "A ausência de expressa indicação de artigos de lei violados inviabiliza o conhecimento do recurso especial, não bastando a mera menção a dispositivos legais ou a narrativa acerca da legislação federal, aplicando-se o disposto na Súmula n. 284 do STF". (AgInt no AREsp n. 1.684.101/MA, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 26/8/2020.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no ARESP n. 1.611.260/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 26/6/2020; AgInt nos EDcl no REsp n. 1.675.932/PR, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 4/5/2020; AgInt no REsp n. 1.860.286/RO, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 14/8/2020; AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.541.707/MS, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 29/6/2020; AgRg no AREsp n. 1.433.038/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 14/8/2020; REsp n. 1.114.407/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe de 18/12/2009; e AgRg no EREsp n. 382.756/SC, relatora Ministra Laurita Vaz, Corte Especial, DJe de 17/12/2009. Ademais, incide o óbice da Súmula n. 283/STF, uma vez que a parte deixou de atacar fundamento autônomo e suficiente para manter o julgado, qual seja: A lei nº. 11.416/2006 instituiu a informatização do processo judicial, com fins de atender a celeridade e economia processual. Nesse sentido, o referido diploma legal previu a possibilidade de substituição da intimação via publicação em Diário Oficial por intimação eletrônica ao advogado previamente cadastrado. .. Sendo assim, na modalidade de intimação eletrônica, o termo inicial se dará com a consulta do advogado ao sistema, presumindo-se realizada após 10 dias da data de envio da intimação. In casu, conforme certidões de fls. 549/563 dos autos de origem, as intimações foram enviadas aos patronos das partes em 28.05.2019, iniciando-se o prazo de 10 dias para consulta. Entretanto, o advogado do embargante, BRUNO CONTI MATIELLI, realizou a consulta ao sistema em 30.05.2019 (certidão de fls. 564), o que afasta a intimação tácita após o prazo de 10 dias para consulta, perfazendo a sua intimação no próprio dia da visualização da intimação no sistema. Desse modo, para este patrono, o prazo iniciou em 31.05.2019, encerrando o prazo para embargos de declaração em 06.06.2019,restando patente a intempestividade dos aclaratórios, protocolados em 07.06.2019. A intimação tácita ocorreu apenas paras os demais patronos das partes. Todavia, havendo mais de um causídico patrocinando a parte, o termo inicial do prazo inicia com a primeira consulta ao sistema de qualquer patrono da parte, sob pena de burla ao sistema eletrônico.(fls. 37/38) Nesse sentido: "A subsistência de fundamento inatacado apto a manter a conclusão do aresto impugnado impõe o não-conhecimento da pretensão recursal, a teor do entendimento disposto na Súmula n. 283/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles"". (AgInt nos EDcl no AREsp n. 1.317.285/MG, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de19/12/2018.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp 1.572.038/RS, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 13/8/2020; AgInt no AREsp 1.157.074/SP, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 5/8/2020; AgInt no REsp 1.389.204/MG, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe de 3/8/2020; AgInt no REsp 1.842.047/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 26/6/2020; e AgRg nos EAREsp 447.251/SP, relator Ministro João Otávio de Noronha, Corte Especial, DJe de 20/5/2016. Além disso, incide o óbice da Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), uma vez que o acolhimento da pretensão recursal demandaria o reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos. Nesse sentido: "O recurso especial não será cabível quando a análise da pretensão recursal exigir o reexame do quadro fático-probatório, sendo vedada a modificação das premissas fáticas firmadas nas instâncias ordinárias na via eleita (Súmula n. 7/STJ)". (AgRg no REsp 1.773.075/SP, relator Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, DJe 7/3/2019.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp 1.679.153/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1/9/2020; AgInt no REsp 1.846.908/RJ, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 31/8/2020; AgInt no AREsp 1.581.363/RN, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21/8/2020; e AgInt nos EDcl no REsp 1.848.786/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 3/8/2020. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Sustenta arecorrente a violação do art. 5º, LV, da Constituição Federal (e-STJ fls. 157-162). Alega violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Assegura que os embargos de declaraçãomanejados perante o Tribunal de origem foram opostosdentro do prazo hábil. Requer, ao final, a admissão do recurso e sua remessa ao Supremo Tribunal Federal. As contrarrazões foram apresentadas (e-STJ fls. 173-180). É o relatório. Nos termos do art.102, III, a, da Constituição Federal, compete ao Supremo Tribunal Federal o julgamento, mediante recurso extraordinário, das causas decididas em única ou última instância. No caso dos autos, verifica-se que o recurso extraordinário foi interposto em face de decisão monocrática proferida por integrante deste Superior Tribunal de Justiça, contra a qual seria cabível agravo interno. Dessa forma, ante a ausência de exaurimento das vias recursais nesta instância especial, deve ser aplicado o enunciado n. 281 da Súmulado Supremo Tribunal Federal, in verbis: É inadmissível o recurso extraordinário, quando couber na justiça de origem, recurso ordinário da decisão impugnada. No mesmo sentido: Agravo regimental no recurso extraordinário com agravo. Não esgotamento das instâncias ordinárias. Súmula nº 281/STF. Precedentes. 1. Incide no caso a Súmula nº 281 do Supremo Tribunal Federal, pois o recurso extraordinário foi interposto contra decisão monocrática proferida por Ministro do Superior Tribunal de Justiça. 2. Agravo regimental não provido, com imposição de multa de 1% (um por cento) do valor atualizado da causa (art. 1021, § 4º, do CPC). 3. Havendo prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, seu valor monetário será majorado em 10% (dez por cento) em desfavor da parte recorrente, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, observados os limites dos §§ 2º e 3º do referido artigo e a eventual concessão de justiça gratuita. (ARE 1246783 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI (Presidente), Tribunal Pleno, julgado em 08/06/2020, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-169 DIVULG 03-07-2020 PUBLIC 06-07-2020) Com igual orientação: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. PENAL. AUSÊNCIA DE ESGOTAMENTO DAS VIAS RECURSAIS ORDINÁRIAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA n. 281/STF. AGRAVO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. I - Consoante a Súmula n. 281 do Supremo Tribunal Federal, é inadmissível o recurso extraordinário quando couber na Justiça de origem recurso ordinário da decisão impugnada. II - Agravo regimental a que se nega provimento. (ARE 1265496 AgR, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Segunda Turma, julgado em 29/05/2020, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-138 DIVULG 03-06-2020 PUBLIC 04-06-2020) Ante o exposto, com fundamento no art. 1.030, V, do Código de Processo Civil, não se admite o recurso extraordinário. Publique-se. Intimem-se. EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. INTERPOSIÇÃO CONTRA DECISÃO MONOCRÁTICA. NÃO EXAURIMENTO DE INSTÂNCIA. INCIDÊNCIA DO ENUNCIADO 281 DA SÚMULA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. RECURSO NÃO ADMITIDO.