AREsp 1979546 - DECISAO
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial porque a parte recorrente deixou de indicar com precisão os dispositivos legais e os acórdãos paradigmas necessários à demonstração do dissídio, configurando deficiência de fundamentação nos termos da Súmula 284/STF; em consequência majoram-se os honorários...
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- Parties
- Recorrente: MUNICIPIO DE BOA HORA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 November 2021
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão De Admissibilidade (recursal)
- Outcome
- Conheço do agravo e não conheço do recurso especial
- Legal Topics
- Recursos Especiais, Admissibilidade Recursal, Súmula 284/stf, Honorários Advocatícios, Lei De Responsabilidade Fiscal
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Parties
MUNICIPIO DE BOA HORA
Recorrente
Procedural Posture
Agravo / Decisão De Admissibilidade (recursal)
Legal Issues
- 1 inadmissibilidade do recurso especial por deficiência de fundamentação (Súmula 284/STF)
- 2 omissão na indicação de acórdão paradigma para comprovação de dissídio jurisprudencial
- 3 majoração de honorários advocatícios conforme art. 85, § 11, do CPC
Ratio Decidendi
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial porque a parte recorrente deixou de indicar com precisão os dispositivos legais e os acórdãos paradigmas necessários à demonstração do dissídio, configurando deficiência de fundamentação nos termos da Súmula 284/STF; em consequência majoram-se os honorários advocatícios em 15% nos termos do art. 85, § 11, do CPC.
Court Disposition
Conheço do agravo e não conheço do recurso especial
Orders
- Conheço do agravo e não conheço do recurso especial.
- Majoro os honorários advocatícios em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, nos termos do art. 85, § 11, do CPC, observados os limites percentuais aplicáveis.
Full Case Text
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DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por MUNICIPIO DE BOA HORA contra a decisão que não admitiu seu recurso especial, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a" e alínea "c", da CF/88, visando reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ, assim resumido: ADMINISTRATIVO E CONSTITUCIONAL SERVIDOR MUNICIPAL AÇÃO DE COBRANÇA VERBAS SALARIAIS NÃO PAGAS DÍVIDA CONTRAÍDA NA GESTÃO ANTERIOR IRRELEVÂNCIA CONDENAÇÃO EM HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS SÚMULAS 219 E 329 TST NÃO APLICABILIDADE REDUÇÃO DOS HONORÁRIOS FIXADOS INVIABILIDADE RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. Quanto à controvérsia, concernente ao requerimento de reforma do acórdão recorrido que o condenou a pagar verbas remuneratórias à recorrida, sob o argumento de que a ausência de pagamento foi devido ao cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal, traz os seguintes argumentos: No caso em tela, o comprometimento da Receita Corrente Líquida do Município de Boa Hora-PI, em decorrência de gestões passadas, no Poder Executivo, já ultrapassava os 73%, de modo que a situação era calamitosa. Caso não adotasse medidas austeras, o Município sofreria com o cancelamento de repasses de recursos, que é o que o mantém funcionando normalmente, já que sua receita própria não supre as necessidades oriundas do interesse público primários. (..) Desta forma, pela grave situação em que se encontrava o Município de Boa Hora-PI em dezembro de 2015, comprova-se que é impossível que seja condenado a cumprir tal ato, sob pena de comprometimento de todo o serviço público, prejudicando sobremaneira a população mais carente. Assim, a decisão recorrida viola o artigo de lei federal acima colado, afigurando-se clara e grave desconsideração da legislação pátria, o que enseja a interposição do presente Recurso Especial, para ver tutelado o seu direito, bem como a ordem jurídica vigente (fls. 174-176). É, no essencial, o relatório. Decido. Na espécie, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que a parte recorrente deixou de indicar precisamente os dispositivos legais que teriam sido violados, ressaltando que a mera citação de artigo de lei na peça recursal não supre a exigência constitucional. Aplicável, por conseguinte, o enunciado da citada súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: "A ausência de expressa indicação de artigos de lei violados inviabiliza o conhecimento do recurso especial, não bastando a mera menção a dispositivos legais ou a narrativa acerca da legislação federal, aplicando-se o disposto na Súmula n. 284 do STF". (AgInt no AREsp n. 1.684.101/MA, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 26/8/2020.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no ARESP n. 1.611.260/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 26/6/2020; AgInt nos EDcl no REsp n. 1.675.932/PR, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 4/5/2020; AgInt no REsp n. 1.860.286/RO, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 14/8/2020; AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.541.707/MS, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 29/6/2020; AgRg no AREsp n. 1.433.038/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 14/8/2020; REsp n. 1.114.407/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe de 18/12/2009; e AgRg no EREsp n. 382.756/SC, relatora Ministra Laurita Vaz, Corte Especial, DJe de 17/12/2009. Ademais, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que a parte recorrente deixou de indicar com precisão quais dispositivos legais seriam objeto de dissídio interpretativo, o que atrai, por conseguinte, o enunciado da citada súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nessa linha, o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou no sentido de que, "uma vez observado, no caso concreto, que nas razões do recurso especial não foram indicados os dispositivos de lei federal acerca dos quais supostamente há dissídio jurisprudencial, a única solução possível será o não conhecimento do recurso por deficiência de fundamentação, nos termos da Súmula 284/STF". (AgRg no REsp 1.346.588/DF, relator Ministro Arnaldo Esteves Lima, Corte Especial, DJe de 17/3/2014.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no AREsp 1.616.851/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21/8/2020; AgInt no AREsp 1.518.371/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 15/5/2020; AgInt no AREsp 1.552.950/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 8/5/2020; AgInt no AREsp 1.023.256/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 24/4/2020; e AgInt nos EDcl no AREsp 1.510.607/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 1º/4/2020. Além disso, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, pois, a despeito de ter sido apontada a alínea "c" do permissivo constitucional, a parte recorrente não indicou expressamente o acórdão tido por paradigma, o que impede eventual análise da divergência de interpretações. Nesse sentido: "Nas razões do recurso especial, não foram apresentados acórdãos paradigmas para a comprovação do alegado dissídio jurisprudencial a respeito da configuração do dano moral. Tal deficiência impede a abertura da instância especial, nos termos da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal, aplicável, por analogia, neste Tribunal". (AgRg no AREsp n. 728.706/RJ, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 13/10/2015.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgRg no AgRg no AREsp n. 1.019.207/SC, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 1º/8/2017; AgRg no AREsp n. 545.856/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 19/2/2015; e AgRg no AREsp n. 431.782/MA, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 12/5/2014. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se.