AREsp 2650271 - DECISAO
Por se tratar de matéria afetada ao rito dos recursos especiais repetitivos (Tema 1.283/STJ), o relator exerceu o juízo de retratação, reconsiderou a decisão anterior, declarou prejudicada a análise do recurso e determinou a devolução dos autos ao Tribunal de origem para que o feito seja sobrestado até a publicação...
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- Parties
- Agravante: Redoc Esportes e Produção Artística Ltda.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 29 November 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Reconsideração Da Decisão Monocrática E Devolução Dos Autos Ao Tribunal De Origem Para Juízo De Conformação E Sobrestamento Do Feito
- Outcome
- Decisão agravada reconsiderada e tornada sem efeito; análise do recurso prejudicada; autos devolvidos ao Tribunal de origem para juízo de conformação e sobrestamento até publicação do acórdão do Tema 1.283/STJ.
- Legal Topics
- Recursos Especiais Repetitivos, Afetação De Tema (tema 1.283/stj), Necessidade De Inscrição No CADASTUR Para Fruição De Benefícios Do PERSE, Controle De Legalidade De Portarias Infralegais
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Parties
Redoc Esportes e Produção Artística Ltda.
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno / Reconsideração Da Decisão Monocrática E Devolução Dos Autos Ao Tribunal De Origem Para Juízo De Conformação E Sobrestamento Do Feito
Legal Issues
- 1 É necessária a inscrição prévia no CADASTUR para que o contribuinte usufrua dos benefícios do PERSE (Lei 14.148/2021)
- 2 Aplicabilidade do rito dos recursos especiais repetitivos e sobrestamento do feito (Tema 1.283/STJ)
- 3 Exigência de impugnação de todos os fundamentos para conhecimento do recurso especial (Súmula 182/STJ)
Ratio Decidendi
Por se tratar de matéria afetada ao rito dos recursos especiais repetitivos (Tema 1.283/STJ), o relator exerceu o juízo de retratação, reconsiderou a decisão anterior, declarou prejudicada a análise do recurso e determinou a devolução dos autos ao Tribunal de origem para que o feito seja sobrestado até a publicação do acórdão representativo da controvérsia, observando-se a economia processual e a sistemática dos recursos repetitivos.
Court Disposition
Decisão agravada reconsiderada e tornada sem efeito; análise do recurso prejudicada; autos devolvidos ao Tribunal de origem para juízo de conformação e sobrestamento até publicação do acórdão do Tema 1.283/STJ.
Orders
- Reconsidero a decisão de fls. 391/392, tornando-a sem efeito.
- Julgo prejudicada a análise do recurso especial nos autos.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interno manejado por Redoc Esportes e Produção Artística Ltda., desafiando decisão de fls. 391/392, que não conheceu do agravo em recurso especial, sob o fundamento de que aplicável à espécie a Súmula 182/STJ, eis que não teriam sido impugnados todos os motivos adotados pelo Tribunal de origem para negar trânsito ao apelo especial. A parte agravante, em suas razões, sustenta, em síntese, que: (I) "a decisão recorrida, que aplicou a Súmula 284 do STF, impedindo o conhecimento de recurso não se sustenta no presente caso, uma vez que a Agravante apresentou fundamentação clara e detalhada, demonstrando, de maneira objetiva, a afronta ao princípio da legalidade tributária previsto no artigo 97, IV, do CTN e a violação aos artigos 2º e 4º da Lei nº 14.148/2021" (fl. 401); (II) "a divergência jurisprudencial está devidamente comprovada pela confrontação entre decisões que, ao contrário do acórdão recorrido, reconhecem a limitação do poder regulamentar de portarias infralegais, impedindo que elas inovem em relação à legislação tributária, especialmente quando se trata de concessão de benefícios fiscais" (fl. 403); e (III) "ao contrário do que foi alegado na decisão que não conheceu o agravo, a Agravante cumpriu integralmente o dever processual de impugnar, de maneira precisa e direta, cada um dos fundamentos que embasaram a negativa de trânsito do recurso especial" (fl. 404). Aberta vista à parte agravada, decorreu in albis o prazo para apresentação de impugnação (fl. 413). É o relatório. Melhor compulsando os autos, exercendo o juízo de retratação facultado pelos arts. 1.021, § 2º, do CPC e 259, § 3º, do RISTJ, reconsidero a decisão agravada (fls. 391/392), tornando-a sem efeito, passando novamente à análise do recurso: Trata-se de agravo manejado por Redoc Esportes e Produção Artística Ltda., contra decisão que não admitiu recurso especial, este interposto com fundamento no art. 105, III, a e c, da CF, desafiando acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, assim ementado (fl. 182): MANDADO DE SEGURANÇA. ADESÃO AO PERSE. INSCRIÇÃO NO CADASTUR. LEI N. 14.148/2021. PORTARIA ME N 7.163/2021. 1. O PERSE-Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos foi instituído pela Lei nº 14.148/21, visando à retomada do setor econômico de eventos, severamente abalado durante a fase mais grave da pandemia da COVID19. 2. Foi direcionado especialmente a empresas vinculadas a atividades de realização ou comercialização de congressos, feiras, eventos esportivos, sociais, promocionais ou culturais, feiras de negócios, shows, festas, festivais, simpósios ou espetáculos em geral, casas de eventos, buffets sociais e infantis, casas noturnas e casas de espetáculos; hotelaria em geral; administração de salas de exibição cinematográfica; e prestação de serviços turísticos. 3. Conforme previsto no §2º do art. 2º da Lei nº 14.148/21, o Ministério da Economia publicou a Portaria ME nº 7.163/21, com a finalidade de determinar os critérios de enquadramento das pessoas jurídicas no programa recém-instituído. 4. Dessa forma, a portaria apresentou a lista de CNAE que se enquadram nos incisos I, II e III do § 1º do art. 2º da Lei nº 14.148/21, bem como critérios pretéritos para o gozo do benefício. 5. Nestes termos, a exigência da prévia inscrição perante o Cadastur é medida que se impõe para o gozo dos benefícios instituídos pelo Perse, não havendo, em tese, qualquer espécie de ilegalidade na observância e efetivo cumprimento de tal exigência. 6. Apelação improvida. Opostos embargos declaratórios, foram rejeitados (fls. 219/224). Nas razões do recurso especial, a parte agravante aponta, além de dissídio jurisprudencial, violação aos arts. 97, II, IV, 99 e 100, I, do CTN; 2º, §§1º e 2º da Lei n. 14.148/21; e 21 da Lei nº 11.771/2008. Sustenta, em resumo, que: "quisesse o legislador exigir o cadastramento no CADASTUR para que determinadas atividades usufruíssem do benefício, expressamente o teria delineado" (fl. 255). Contrarrazões ofertadas às fls. 312/330. O Ministério Público Federal, na condição de fiscal da lei, opinou pelo prosseguimento do feito (fls. 383/388). É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. Na espécie, a questão de fundo trazida a debate cinge-se a definir se é necessário (ou não) que o contribuinte esteja previamente inscrito no CADASTUR, conforme previsto na Lei 11.771/2008, para que possa usufruir dos benefícios previstos no Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (PERSE), instituído pela Lei 14.148/2021. Ocorre que essa matéria foi afetada pela Primeira Seção do STJ ao rito dos recursos especiais repetitivos (REsp 2.126.428/RJ, REsp 2.138.576/PE, REsp 2.144.064/PE, REsp 2.144.088/CE, REsp 2.126.436/RJ, REsp 2.130.054/CE - Tema 1.283/STJ), mostrando-se conveniente, em observância ao princípio da economia processual e à própria finalidade do CPC, determinar o retorno dos autos à origem, onde ficarão sobrestados até a publicação do acórdão a ser proferido nos autos do recurso representativo da controvérsia. Confiram-se, a propósito, os seguintes precedentes desta Corte (g.n.): PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REQUISITOS. TEMA AFETADO COMO REPERCUSSÃO GERAL. SOBRESTAMENTO. 1. Esta Corte Superior, objetivando racionalizar o exercício de sua atribuição constitucional, o de uniformizar a interpretação e a aplicação de lei federal em caráter excepcional, vem admitindo o acolhimento de embargos de declaração, com efeitos modificativos, para que seja observado o procedimento próprio para julgamento de questões afetadas referentes à sistemática dos recursos repetitivos/repercussão geral, com a determinação de devolução dos autos para que, oportunamente, o Tribunal de origem proceda ao respectivo juízo de conformação. 2. A questão referente à aplicação da Lei n. 14.230/2021 - em especial, com relação à necessidade da presença do elemento subjetivo dolo para a configuração do ato de improbidade administrativa e da aplicação dos novos prazos de prescrição geral e intercorrente - teve a repercussão geral reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (Tema 1199 do STF), tendo sido determinada, em 03/03/2022, a suspensão do processamento dos recursos especiais em que trazido, mesmo que por simples petição, o assunto da aplicação retroativa do aludido diploma legal (ARE 843.989). 3. Embargos acolhidos a fim de tornar sem efeito as decisões anteriores e determinar a devolução dos autos à origem para aguardar o julgamento pela Suprema Corte. (EDcl no AgInt no AREsp n. 1.796.639/SP, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 9/5/2022). ACIDENTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE ACIDENTE DE TRABALHO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. MATÉRIA REPETITIVA. SOBRESTAMENTO DO FEITO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PEDIDO DE SOBRESTAMENTO. PRECEDENTES. I - Na origem, trata-se de agravo de instrumento em que se questiona decisão que, nos autos de execução acidentária, arbitrou os honorários advocatícios em 15% sobre as parcelas devidas. No Tribunal a quo, o agravo de instrumento foi improvido. Interposto recurso especial, este teve seu seguimento negado. Seguiu-se a interposição de agravo. No STJ, em decisão monocrática, da lavra do Ministro Presidente, não se conheceu do agravo. A decisão ficou mantida em agravo interno. II - A matéria tratada nos autos é a mesma questão submetida a julgamento de afetação ao rito dos recursos especiais repetitivos, a saber: "Definição acerca da incidência, ou não, da Súmula 111/STJ, ou mesmo quanto à necessidade de seu cancelamento, após a vigência do CPC/2015 (art. 85), no que tange à fixação de honorários advocatícios nas ações previdenciárias", Tema n. 1.1 05, que afeta diretamente o presente julgado. III - A Corte Especial do STJ tinha entendimento de que não seria possível a devolução na estreita via dos embargos de declaração, por não ser adequada para o simples rejulgamento da causa, mediante o reexame de matéria já decidida. IV - Entendia-se que "a superveniente modificação do entendimento consignado no acórdão embargado não enseja o rejulgamento da causa, por serem os embargos de declaração de índole meramente integrativa" e que o acolhimento da tese acarretaria o reconhecimento de uma omissão inexistente. (EDcl nos EDcl nos EDcl no AgRg nos EREsp 1.019.717/RS, relator Ministro João Otávio de Noronha, relator p/ acórdão Ministra Nancy Andrighi, Corte Especial, julgado em 20/9/2017, DJe 27/11/2017.) V - Todavia, recentemente, a Corte Especial do STJ reafirmou o entendimento no sentido da devolução com fundamento, tanto no art. 256-L do Regimento Interno do STJ, como do art. 1.037 do CPC/2015, mesmo no julgamento de embargos de declaração. Nesse sentido: AgInt nos EREsp 1.635.236/SE, relatora Ministra Laurita Vaz, Corte Especial, julgado em 21/5/2019, DJe 31/5/2019. VI - Assim, devem ser acolhidos os embargos de declaração para tornar sem efeitos as decisões e votos proferidos nesta Corte; considerar prejudicados os recursos interpostos nesta Corte, e determinar a devolução dos autos ao Tribunal de origem, com a devida baixa, para que, em observância aos arts. 543-B, § 3º, e 543-C, §§ 7º e 8º, do CPC e 1.040 e seguintes do CPC/2015, e após a publicação do acórdão do respectivo recurso excepcional representativo da controvérsia ou repetitivo: a) denegue seguimento ao recurso, se a decisão recorrida coincidir com a orientação emanada pelos Tribunais Superiores; ou b) proceda ao juízo de retratação na hipótese de o acórdão vergastado divergir da decisão sobre o tema repetitivo. VII - Embargos acolhidos para determinar a devolução dos autos ao Tribunal de origem. (EDcl no AgInt no AREsp n. 1.867.193/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 4/5/2022). ANTE O EXPOSTO , (i) reconsidero a d ecisão de fls. 391/392 , tornando-a sem efeito; e (ii) julgo prejudicada a análise do recurso, determinando a devolução dos autos, com a respectiva baixa, ao Tribunal de origem, para que seja realizado o juízo de conformação ou manutenção do acórdão local frente ao quanto decidido por este Superior Tribunal de Justiça no julgamento dos aludidos REsp 2.126.428/RJ, REsp 2.138.576/PE, REsp 2.144.064/PE, REsp 2.144.088/CE, REsp 2.126.436/RJ, REsp 2.130.054/CE - Tema 1.283/STJ. Publique-se. EMENTA