AREsp 2675136 - DECISAO
A análise do recurso especial foi considerada prejudicada porque a matéria controvertida está submetida aos precedentes vinculantes (Tema 1.024/STF e Tema 779/STJ) e o tribunal de origem não realizou o juízo de conformidade exigido pelo regime dos recursos repetitivos (art. 543-C do CPC/73 e art. 1.030 do CPC/2015);...
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- Parties
- Agravante: CMD-AD Comércio de Veículos Automotores Ltda.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 17 June 2025
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão Sobre Admissibilidade De Recurso Especial / Devolução Ao Tribunal De Origem Para Juízo De Conformidade
- Outcome
- Anulada a análise do recurso por prejudicada; determinação de devolução dos autos ao Tribunal de origem para realização do juízo de conformidade ou manutenção do acórdão local
- Legal Topics
- Recursos Especiais Repetitivos, Juízo De Conformidade, Pis/cofins, Creditamento De Despesas Operacionais, Temas Vinculantes (tema 1.024 Stf; Tema 779 Stj)
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Parties
CMD-AD Comércio de Veículos Automotores Ltda.
Agravante
Procedural Posture
Agravo / Decisão Sobre Admissibilidade De Recurso Especial / Devolução Ao Tribunal De Origem Para Juízo De Conformidade
Legal Issues
- 1 Direito de creditamento de PIS/COFINS sobre despesas com taxas de cartões e publicidade e propaganda
- 2 Obrigação do tribunal de origem de efetuar juízo de conformidade com precedentes repetitivos antes do exame da admissibilidade do recurso especial
Ratio Decidendi
A análise do recurso especial foi considerada prejudicada porque a matéria controvertida está submetida aos precedentes vinculantes (Tema 1.024/STF e Tema 779/STJ) e o tribunal de origem não realizou o juízo de conformidade exigido pelo regime dos recursos repetitivos (art. 543-C do CPC/73 e art. 1.030 do CPC/2015); assim, os autos devem ser devolvidos ao tribunal de origem para que proceda ao juízo de conformidade ou mantenha o acórdão local, nos termos dos arts. 1.040 e 1.041 do CPC.
Court Disposition
Anulada a análise do recurso por prejudicada; determinação de devolução dos autos ao Tribunal de origem para realização do juízo de conformidade ou manutenção do acórdão local
Orders
- Determina a devolução dos autos ao Tribunal de origem, com a respectiva baixa, para que seja realizado o juízo de conformação ou a manutenção do acórdão local face ao Tema 1.024/STF e ao Tema 779/STJ (arts. 1.040 e 1.041 do CPC).
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo manejado por CMD-AD Comércio de Veículos Automotores Ltda., desafiando decisão denegatória de admissibilidade a recurso especial, este interposto com base no art. 105, III, a, da CF, contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, assim ementado (fl. 621): AGRAVO INTERNO. APELAÇÃO. ART. 1.021, § 3º DO NCPC. REITERAÇÃO. RECURSO DESPROVIDO. - A vedação insculpida no art. 1.021, §3º do CPC/15 contrapõe-se ao dever processual estabelecido no §1º do mesmo dispositivo. - Se a parte agravante apenas reitera os argumentos ofertados na peça anterior, sem atacar com objetividade e clareza os pontos trazidos na decisão que ora se objurga, com fundamentos novos e capazes de infirmar a conclusão ali manifestada, decerto não há que se falar em dever do julgador de trazer novéis razões para rebater alegações genéricas ou repetidas, que já foram amplamente discutidas. - Agravo interno desprovido. Opostos embargos declaratórios, foram rejeitados (fls. 664/671). Nas razões do recurso especial, a parte agravante aponta violação: (I) ao art. 1.022 do CPC, ao argumento de que a despeito dos embargos de declaração, o Tribunal de origem remanesceu omisso acerca das questões neles suscitadas, a saber, "em relação a diferença entre o pedido realizado em sede de apelação e a justificativa dada pela decisão monocrática, que se utilizou de jurisprudência que versa sobre a exclusão das taxas de cartões de créditos e débitos da base de cálculo de PIS/COFINS, o que é totalmente diferente do pedido realizado pelas Recorrentes, que é apenas o creditamento de PIS/COFINS com as despesas com publicidade e propaganda e taxas de cartões de crédito e débito" (fl. 699); e (II) ao arts. 3º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, ao sustentar "o direito das Recorrentes de tomar créditos de PIS e COFINS sobre as despesas operacionais da empresa - publicidade e propaganda, bem como taxa de administração de cartão de crédito e débito - em razão da essencialidade e relevância de tais gastos para atividade fim da empresa (REsp n.º 1.224.170/PR" (fl. 714). É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. Verifica-se que a questão trazida aos autos diz respeito ao direito de creditamento de PIS e COFINS sobre as despesas da recorrente à título de taxas de cartão de crédito e publicidade e propagada. Ocorre que essa matéria foi julgada pelo Supremo Tribunal Federal no Tema 1.024 e pelo Superior Tribunal de Justiça no Tema 779. Nesse contexto, ressalte-se que, mesmo na vigência do CPC/73, a aplicação da sistemática dos recursos especiais repetitivos deveria anteceder a análise dos pressupostos de admissibilidade do apelo raro, incumbindo ao Presidente do Tribunal de origem assim proceder em relação aos recursos especiais que versassem sobre os temas já julgados sob o rito do art. 543-C do CPC/73: "Publicado o acórdão do Superior Tribunal de Justiça, os recursos especiais sobrestados na origem: I - terão seguimento denegado na hipótese de o acórdão recorrido coincidir com a orientação do Superior Tribunal de Justiça; II - serão novamente examinados pelo tribunal de origem na hipótese de o acórdão recorrido divergir da orientação do Superior Tribunal de Justiça" (art. 543-C, § 7º, I e II, do CPC/73). Esse mesmo procedimento restou ratificado pelo novel diploma processual civil (cf art. 1.030, I, b, e II, do CPC/2015). Assim, haverá o juízo de admissibilidade do recurso especial somente nos casos em que, ultrapassada a fase relativa ao juízo de conformidade, o Tribunal a quo, em decisão colegiada, mantiver a decisão divergente daquela firmada no leading case (art. 543-C, § 8º, do CPC/73: "Na hipótese prevista no inciso II do § 7o deste artigo, mantida a decisão divergente pelo tribunal de origem, far-se-á o exame de admissibilidade do recurso especial"; cf ainda art. 1.030, V, c, do CPC/2015). Compete, pois, ao Tribunal a quo efetuar o juízo de conformidade (art. 543-C, §§ 7º e 8º, do CPC/73; art. 1.030, I, b, CPC/2015) antes de analisar os pressupostos de prelibação do recurso especial. De fato, na sistemática introduzida pelo artigo 543-C do CPC/73, incumbe ao Tribunal de origem, com exclusividade e em caráter definitivo, proferir juízo de adequação do caso concreto ao precedente formado em repetitivo, sob pena de tornar-se ineficaz o propósito racionalizador implantado pela Lei 11.672/2008. Essa conclusão pode ser extraída da fundamentação constante da Questão de Ordem no Ag 1.154.599/SP, Rel. Ministro Cesar Asfor Rocha, DJe de 12/5/2011, submetida à apreciação da Corte Especial: "A edição da Lei n. 11.672, de 8.5.2008, decorreu, sabidamente, da explosão de processos repetidos junto ao Superior Tribunal de Justiça, ensejando centenas e, conforme a matéria, milhares de julgados idênticos, mesmo após a questão jurídica já estar pacificada. O mecanismo criado no referido diploma, assim, foi a solução encontrada para afastar julgamentos meramente "burocráticos" nesta Corte, já que previsível o resultado desses diante da orientação firmada em leading case pelo órgão judicante competente. Não se perca de vista que a redução de processos idênticos permite que o Superior Tribunal de Justiça se ocupe cada vez mais de questões novas, ainda não resolvidas, e relevantes para as partes e para o País. Assim, criado o mecanismo legal para acabar com inúmeros julgamentos desnecessários e inviabilizadores de atividade jurisdicional ágil e com qualidade, os objetivos da lei devem, então, ser seguidos também no momento de interpretação dos dispositivos por ela inseridos no Código de Processo Civil e a ela vinculados, sob pena de tornar o esforço legislativo totalmente inócuo e de eternizar a insatisfação das pessoas que buscam o Poder Judiciário com esperança de uma justiça rápida." Nessa linha de intelecção, foi editada a Resolução STJ n.º 17, de 4 de setembro de 2013, cujo art. 2º, II, expressamente dispõe: Art. 2º Verificada a subida de recursos fundados em controvérsia idêntica a controvérsia já submetida ao rito previsto no art. 543-C do Código de Processo Civil, o presidente poderá: I - determinar a devolução ao tribunal de origem, para nele permanecerem sobrestados os casos em que não tiver havido julgamento do mérito do recurso recebido como representativo de controvérsia; II - determinar a devolução dos novos recursos ao tribunal de origem, para os efeitos dos incisos I e II do § 7º do art. 543-C do Código de Processo Civil, ressalvada a hipótese do § 8º do referido artigo, se já proferido julgamento do mérito do recurso representativo da controvérsia. No caso, a Vice-Presidência do Tribunal a quo inadmitiu, de pronto, o recurso especial, sem que antes fosse cumprido o rito do art. 1.030, I, b, e II, do CPC/2015, isto é: ou negativa de seguimento do recurso especial se o acórdão recorrido estiver em conformidade com os julgados repetitivos; ou encaminhamento do processo ao órgão colegiado para eventual juízo de retratação se o acórdão recorrido divergir do entendimento do STJ. ANTE O EXPOSTO, julgo prejudicado a análise do recurso no momento e determino a devolução dos autos, com a respectiva baixa, ao Tribunal de origem, onde, nos termos dos arts. 1.040 e 1.041 do CPC, deverá ser realizado o juízo de conformação ou a manutenção do acórdão local frente ao quanto decidido no Tema 1.024/STF e Tema 779/STJ. Publique-se. EMENTA