AREsp 2976826 - DECISAO
Reconsiderou-se a decisão monocrática porque a controvérsia sobre a utilização de taxas médias de mercado do BACEN para aferição da abusividade de juros está afetada ao Tema 1378 e, nos termos do art. 1.037, II, do CPC/2015 e do art. 256-L do Regimento Interno do STJ, os autos devem ser devolvidos ao Tribunal de...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: PORTOCRED S.A - CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO - EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL; Agravada: Presidência desta Corte
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 26 November 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Reconsideração E Restituição Dos Autos À Origem (decisão Interlocutória)
- Outcome
- reconsiderada a decisão monocrática e determinada a restituição dos autos ao Tribunal de origem, com baixa nesta Corte Superior até o julgamento definitivo do Tema 1378
- Legal Topics
- Recursos Repetitivos, Abusividade De Juros Remuneratórios, Suspensão De Recursos, Retorno Ao Tribunal De Origem, Súmula 182/stj
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
PORTOCRED S.A - CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO - EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL
Agravante
Presidência desta Corte
Agravada
Procedural Posture
Agravo Interno / Reconsideração E Restituição Dos Autos À Origem (decisão Interlocutória)
Legal Issues
- 1 suficiência da adoção das taxas médias de mercado divulgadas pelo Banco Central como fundamento exclusivo para aferição da abusividade dos juros remuneratórios em contratos bancários
- 2 (in)admissibilidade de recursos especiais para rediscussão de conclusões quanto à abusividade das taxas de juros quando baseadas em aspectos fáticos da contratação
- 3 incidência da sistemática dos recursos especiais repetitivos (Tema 1378) e consequente suspensão e devolução dos autos ao Tribunal de origem
Ratio Decidendi
Reconsiderou-se a decisão monocrática porque a controvérsia sobre a utilização de taxas médias de mercado do BACEN para aferição da abusividade de juros está afetada ao Tema 1378 e, nos termos do art. 1.037, II, do CPC/2015 e do art. 256-L do Regimento Interno do STJ, os autos devem ser devolvidos ao Tribunal de origem e permanecer suspensos até o julgamento definitivo do tema e eventual retratação, sendo o ato de sobrestamento e retorno irrecorrível.
Court Disposition
reconsiderada a decisão monocrática e determinada a restituição dos autos ao Tribunal de origem, com baixa nesta Corte Superior até o julgamento definitivo do Tema 1378
Orders
- restituição dos autos ao Tribunal de Origem
- realização da devida baixa nesta Corte Superior até o julgamento definitivo do Tema 1378 e eventual retratação prevista nos arts. 1.040, inc. II, e 1.041 do CPC/2015
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo interno, interposto por PORTOCRED S.A - CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO - EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL, em face de decisão monocrática da Presidência desta Corte (fls. 1047-1048, e-STJ), que não conheceu do reclamo, ante a ausência de impugnação específica, violação à dialeticidade recursal e incidência da Súmula 182/STJ. Daí o presente agravo interno (fls. 1051-1057, e-STJ), no qual s e requer a concessão de efeito suspensivo ao reclamo, bem como sustenta a inaplicabilidade do aludido óbice e reitera, em síntese, os argumentos do apelo extremo no sentido da indevida aferição de abusividade dos juros remuneratórios ajustados entre as partes, utilizando-se, por base, os parâmetros referentes à taxa média de mercado praticada pelas instituições financeiras do país e aquela disponibilizada pelo BACEN, além da necessidade de verificação dos aspectos fáticos da contratação bancária. Sem impugnação (fl. 1063, e-STJ). É o relatório. Decido. À vista dos fundamentos expostos, reconsidero a decisão ora agravada (fls. 1047-1048, e-STJ), tornando-a sem efeito, pelas razões que seguem: 1. Discute-se no apelo nobre acerca da aferição de eventual abusividade dos juros remuneratórios ajustados entre as partes, utilizando-se, por base, os parâmetros referentes à taxa média de mercado praticada pelas instituições financeiras do país e aquela disponibilizada pelo BACEN. A referida controvérsia foi afetada pela Segunda Seção desta Corte à sistemática de recursos especiais repetitivos, cadastrado como Tema 1378, a saber: Questão submetida a julgamento: I) suficiência ou não da adoção das taxas médias de mercado divulgadas pelo Banco Central do Brasil ou de outros critérios previamente definidos como fundamento exclusivo para a aferição da abusividade dos juros remuneratórios em contratos bancários; II) (in)admissibilidade dos recursos especiais interpostos para a rediscussão das conclusões dos acórdãos recorridos quanto à abusividade ou não das taxas de juros remuneratórios pactuadas, quando baseadas em aspectos fáticos da contratação. Ademais, foi determinada a suspensão da tramitação dos recursos especiais e agravos em recurso especial, nas instâncias ordinárias ou nesta Corte Superior, que discutam idêntica questão jurídica, nos termos do art. 1.037, II, do CPC/2015. Dessa forma, impõe-se a devolução dos autos ao eg. Tribunal de Origem para que seja observada a sistemática prevista nos arts. 1.040 e 1.041 do CPC/15, conforme determinação prevista no art. 256-L do Regimento Interno desta Corte Superior, que assim dispõe: Art. 256-L. Publicada a decisão de afetação, os demais recursos especiais em tramitação no STJ fundados em idêntica questão de direito: I - se já distribuídos, serão devolvidos ao Tribunal de origem, para nele permanecerem suspensos, por meio de decisão fundamentada do relator; II - se ainda não distribuídos, serão devolvidos ao Tribunal de origem por decisão fundamentada do Presidente do STJ. Por fim, registre-se que, segundo a orientação jurisprudencial desta Corte, o ato judicial que determina o sobrestamento e o retorno dos autos à Corte de origem, a fim de que seja exercido o competente juízo de retratação/conformação (arts. 1.040 e 1.041 do CPC/2015) não possui carga decisória, por isso se trata de provimento irrecorrível. Nesse sentido: AgInt no REsp 1140843/PR, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/10/2018, DJe 30/10/2018, AgInt nos EDcl nos EREsp 1.126.385/MG, Rel. Ministro OG FERNANDES, PRIMEIRA SEÇÃO, DJe 20/09/2017; AgInt no REsp 1663877/SE, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 22/08/2017, DJe 04/09/2017; AgInt no REsp 1661811/SP, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 26/06/2018, DJe 29/06/2018. 2. Ante o exposto, reconsidero a decisão monocrática de fls. 1047-1048, e-STJ, e determino a restituição dos autos à origem, devendo ser realizada a devida baixa nesta Corte Superior, até o julgamento definitivo da matéria submetida à sistemática dos recursos repetitivos (Tema 1378) e eventual retratação prevista nos arts. 1.040, inc. II, e 1.041, ambos do CPC/15. Publique-se. Intimem-se. Cumpra-se. EMENTA