REsp 2131753 - DECISAO
Como a matéria discutida foi afetada ao regime dos recursos repetitivos e a tese fixada no Tema 981 do STJ disciplina o redirecionamento fundado em dissolução irregular, o recurso especial não comporta solução diversa nesta Corte; assim, o recurso é prejudicado e os autos devem retornar ao Tribunal de origem para o...
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- Parties
- Recorrente: WELLINGTON RODRIGUES; Recorrida: UNIÃO (Fazenda Nacional)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 April 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão De Prejudicialidade E Devolução Dos Autos Ao Tribunal De Origem Para Juízo De Conformação (arts. 1.040 E 1.041 Do Cpc)
- Outcome
- Recurso prejudicado
- Legal Topics
- Redirecionamento Da Execução Fiscal, Dissolução Irregular Da Sociedade, Súmula 435/stj, Recursos Repetitivos (tema 981), Juízo De Conformação
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Parties
WELLINGTON RODRIGUES
Recorrente
UNIÃO (Fazenda Nacional)
Recorrida
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão De Prejudicialidade E Devolução Dos Autos Ao Tribunal De Origem Para Juízo De Conformação (arts. 1.040 E 1.041 Do Cpc)
Legal Issues
- 1 possibilidade de redirecionamento da execução fiscal em razão da dissolução irregular da pessoa jurídica
- 2 incidência da tese dos recursos repetitivos (Tema 981) sobre o presente recurso especial
- 3 aplicação do art. 135, III, do CTN e da Súmula 435/STJ
Ratio Decidendi
Como a matéria discutida foi afetada ao regime dos recursos repetitivos e a tese fixada no Tema 981 do STJ disciplina o redirecionamento fundado em dissolução irregular, o recurso especial não comporta solução diversa nesta Corte; assim, o recurso é prejudicado e os autos devem retornar ao Tribunal de origem para o juízo de conformação nos termos dos arts. 1.040 e 1.041 do CPC.
Court Disposition
Recurso prejudicado
Orders
- Julgo prejudicado o recurso especial.
- Determino o retorno dos autos à Corte de origem para que seja realizado o juízo de conformação do acórdão local, nos termos dos arts. 1.040 e 1.041 do CPC.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial manejado por WELLINGTON RODRIGUES com fundamento no art. 105, III, a e c, da CF, contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, assim ementado (fl. 93): TRIBUTÁRIO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO FISCAL. REDIRECIONAMENTO. DISSOLUÇÃO IRREGULAR VERIFICADA. 1. WELLINGTON RODRIGUES se insurge da decisão interlocutória na qual o Juízo executivo determinou a sua inclusão no polo passivo da Execução Fiscal n. 5102395-78.2021.4.02.5101. 2. Cinge-se a controvérsia em aferir se restou caracterizada, no presente caso, a presunção de dissolução irregular da sociedade executada, a fim de permitir o redirecionamento do feito ao sócio administrador. 3. O Superior Tribunal de Justiça já se manifestou no sentido de que é possível o redirecionamento da execução fiscal para os sócios-gerentes ou administradores, devendo os mesmos integrarem o polo passivo da relação processual, quando houver indícios de dissolução irregular da sociedade, sendo certo de que a certidão do Oficial de Justiça atestando que a empresa não funciona no local de suas atividades é indício de dissolução irregular, apta a permitir o redirecionamento da execução fiscal contra o sócio-gerente, consoante disposto na Súmula 435/STJ. 4. A não localização da sociedade empresária no endereço fornecido como domicílio fiscal gera presunção iuris tantum de dissolução irregular, situação que autoriza o redirecionamento da execução fiscal para os sócios-gerentes ou administrador, não sendo necessária a realização ou esgotamento de outras diligências. 5. No caso em tela, observo que esses indícios se encontram presentes. Isso porque, como já explicitado, a diligência citatória (negativa) que embasou o redirecionamento da execução fiscal em desfavor do agravante foi perfectibilizada em endereço fornecido pela UNIÃO (Fazenda Nacional) e constante do próprio ato constitutivo da sociedade empresária. 6. Nesta instância, não merece prosperar a alegação de que o domicílio fiscal da sociedade executada seria, ao tempo do redirecionamento, outro, porquanto tal informação não constava dos autos quando da prolação da decisão agravada. A análise dessa matéria, agora, consubstanciaria supressão de instância. 7. Em síntese, impõe-se reconhecer a dissolução irregular da sociedade empresária executada apta a autorizar o redirecionamento do feito em desfavor de seu sócio administrador, ora agravante. 8. Agravo de instrumento desprovido. Opostos embargos declaratórios, foram estes rejeitados (fls. 137/139). A parte recorrente aponta violação aos arts. 135 do CTN; e 373 do CPC. Sustenta, em resumo, o " não cabimento do redirecionamento da execução, impingindo ao sócio a invasão de seu patrimônio por débitos de responsabilidade da empresa Executada, por manifesta ausência dos requisitos para redirecionamento da Execução Fiscal ao sócio" (fl. 162). Contrarrazões ofertadas às fls. 173/181. É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. Verifica-se que a matéria relativa à possibilidade de redirecionamento da execução fiscal em razão da dissolução irregular da sociedade empresária executada ou da presunção de sua ocorrência (Súmula 435/STJ), à luz do art. 135, III, do CTN, foi afetada à Primeira Seção do STJ, pelo rito do parágrafo 5º do art. 1.036 do Código de Processo Civil de 2015 (Tema 981 - Recursos Especiais n. 1.645.333-SP, 1.643.944-SP e 1.645.281-SP, Rel. Ministra Assusete Magalhães, DJe 24/8/2017). Segue o teor da questão a ser submetida a julgamento: À luz do art. 135, III, do CTN, o pedido de redirecionamento da Execução Fiscal, quando fundado na hipótese de dissolução irregular da sociedade empresária executada ou de presunção de sua ocorrência (Súmula 435/STJ), pode ser autorizado contra: (i) o sócio com poderes de administração da sociedade, na data em que configurada a sua dissolução irregular ou a presunção de sua ocorrência (Súmula 435/STJ), e que, concomitantemente, tenha exercido poderes de gerência, na data em que ocorrido o fato gerador da obrigação tributária não adimplida; ou (ii) o sócio com poderes de administração da sociedade, na data em que configurada a sua dissolução irregular ou a presunção de sua ocorrência (Súmula 435/STJ), ainda que não tenha exercido poderes de gerência, na data em que ocorrido o fato gerador do tributo não adimplido. Ocorre que, em 25/05/2022, o Superior Tribunal de Justiça decidiu, pelo rito do art. 1.036 do CPC, o recurso representativo da controvérsia acerca do Tema 981, tendo sido fixada a seguinte tese: O redirecionamento da execução fiscal, quando fundado na dissolução irregular da pessoa jurídica executada ou na presunção de sua ocorrência, pode ser autorizado contra o sócio ou o terceiro não sócio, com poderes de administração na data em que configurada ou presumida a dissolução irregular, ainda que não tenha exercido poderes de gerência quando ocorrido o fato gerador do tributo não adimplido, conforme art. 135, III, do CTN. Assim, ultimada a resolução da controvérsia em recurso especial repetitivo, resta patente que o presente caso não comporta solução na seara do presente recurso especial. Isso porque, nos termos do art. 1.040, I e II, do CPC, após o julgamento do recurso especial submetido ao regime dos recursos repetitivos, "o presidente ou o vice-presidente do tribunal de origem negará seguimento aos recursos especiais ou extraordinários sobrestados na origem, se o acórdão recorrido coincidir com a orientação do tribunal superior"; ou "o órgão que proferiu o acórdão recorrido, na origem, reexaminará o processo de competência originária, a remessa necessária ou o recurso anteriormente julgado, se o acórdão recorrido contrariar a orientação do tribunal superior". A respeito do tema, destacam-se os seguintes julgados desta Corte Superior: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÃO. AUTO DE INFRAÇÃO. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. ALEGAÇÃO DE VÍCIOS NO ACÓRDÃO EMBARGADO. MATÉRIA COM REPERCUSSÃO GERAL NO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL - TEMA 247. REVOGAÇÃO DAS DECISÕES ANTERIORES NO ÂMBITO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, SEM ANÁLISE DO MÉRITO NESTA CORTE. DEVOLUÇÃO AO TRIBUNAL DE ORIGEM. I - A matéria deduzida no presente recurso, qual seja, incidência do ISS sobre materiais empregados na construção civil, é objeto de análise pelo Supremo Tribunal Federal no RE 603497, TEMA 247, sob o regime de repercussão geral. II - Diante disso, torna-se impositiva a suspensão dos feitos pendentes que tratem da mesma matéria, nos termos do art. 1.036 do CPC/2015. III - Por sua vez, os arts. 1.040 e 1.041, ambos do CPC/2015, dispõem sobre a atuação do Tribunal de origem após o julgamento do recurso extraordinário submetido ao regime de repercussão geral ou do recurso especial submetido ao regime dos recursos repetitivos. IV - De acordo com tais dispositivos, há a previsão da negativa de seguimento dos recursos, da retratação do órgão colegiado para alinhamento das teses ou, ainda, a manutenção do acórdão divergente, com a remessa dos recursos aos Tribunais correspondentes. V - Nesse panorama, cabe ao Ministro Relator, no Superior Tribunal de Justiça, determinar a devolução dos autos ao Tribunal de origem para que, após o julgamento do paradigma, seja reexaminado o acórdão recorrido e realizada a superveniente admissibilidade do recurso especial. No mesmo sentido, destacam-se os seguintes julgados: AgInt noAgInt no REsp 1473147/RS, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2018, DJe 08/03/2018; AgInt no AgInt no REsp 1603061/SC, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 08/06/2017, DJe 28/06/2017. VI - Assim, devem ser acolhidos os embargos de declaração para que não seja analisado o mérito do recurso especial nesta Corte. É necessário, então, que sejam tornadas sem efeitos as decisões e acórdãos julgados nesta Corte, considerados prejudicados os recursos interpostos, determinando de retorno dos autos ao Tribunal de origem para que, naquela instância, seja esgotada a jurisdição e promovido o juízo de adequação diante do que vier a ser decidido pelo Supremo Tribunal Federal. Somente após tal julgamento, a Corte local decidirá, então, se ainda há razão para apreciação do apelo nobre por este Tribunal, o que evitará a cisão no julgamento. Precedentes: EDcl nos EDcl no AgInt no REsp 1621535/SC, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/04/2018, DJe 10/04/2018; AgInt no REsp 1609894/RS, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 08/08/2017, DJe 17/08/2017; AgInt no REsp 1638615/SC, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, Rel. p/ Acórdão Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 14/11/2017, DJe 19/12/2017. VII - Embargos de declaração acolhidos, nos termos da fundamentação. (EDcl no AgInt no REsp 1.624.086/GO, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe 18/06/2018). AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL - AÇÃO DE COBRANÇA - LOTEAMENTO - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE PROVEU O AGRAVO INTERNO E DETERMINOU A DEVOLUÇÃO DOS AUTOS À ORIGEM PARA A OBSERVÂNCIA DA SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. INSURGÊNCIA DA AUTORA. 1. Em havendo a matéria sido julgada sob o rito dos recursos repetitivos, no caso tema nº 882, necessária a devolução dos autos à Corte de origem para o devido juízo de retratação, nos termos dos artigos 1.040 e 1.041 do CPC/15. 2. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp 1.374.542/SP, Rel. Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe 14/5/2018) PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. MATÉRIA SUBMETIDA À SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. DEVOLUÇÃO DOS AUTOS À ORIGEM. 1. Os embargos de declaração têm por escopo sanar decisão judicial eivada de obscuridade, contradição, omissão ou erro material. 2. Na espécie, o acórdão embargado deixou de se manifestar acerca do rito procedimental a ser aplicado, tendo em vista a alegação de que o tema discutido no recurso especial teria sido afetado à sistemática dos recursos repetitivos. 3. Julgado o tema pela sistemática dos recursos repetitivos, esta Corte Superior orienta que os recursos sobre a mesma controvérsia devem retornar ao Tribunal de origem para que este faça o juízo de conformação, nos termos do que dispõem os arts. 1.040 do CPC/2015 e 34, XXIV, do RISTJ. 4. Hipótese em que a matéria discutida nos autos se assemelha àquela que foi decidida pela Primeira Seção, no REsp 1.336.026/PE, na sistemática dos recursos repetitivos ("o prazo prescricional de execução de sentença em caso de demora no fornecimento de documentação requerida ao ente público"). 5. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para anular o acórdão embargado e a decisão monocrática anterior, com a determinação de devolução dos autos ao Tribunal de origem, para que lá se proceda ao juízo de conformação de que trata o art. 1.040 do CPC/2015. (EDcl no AgInt no AREsp 524.004/RS, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe 08/06/2018) Observa-se, ainda, que, de acordo com o artigo 1.041, § 2º, do CPC, "quando ocorrer a hipótese do inciso II do caput do art. 1.040 e o recurso versar sobre outras questões, caberá ao presidente ou ao vice-presidente do Tribunal recorrido, depois do reexame pelo órgão de origem e independentemente de ratificação do recurso, sendo positivo o juízo de admissibilidade, determinar a remessa do recurso ao tribunal superior para julgamento das demais questões", cuja diretriz metodológica, por certo, deve alcançar também aqueles feitos que já tenham ascendido a este STJ. ANTE O EXPOSTO, julgo prejudicado o recurso e determino o retorno dos autos à Corte de origem, onde, nos termos dos arts. 1.040 e 1.041 do CPC, deverá ser realizado o juízo de conformação do acórdão local, frente ao que decidido por este STJ nos recursos especiais repetitivos nº 1.645.333-SP, 1.643.944-SP e 1.645.281-SP (Rel. Ministra Assusete Magalhães, DJe 24/8/2017 - Tema nº 981) Publique-se. EMENTA