REsp 2191648 - DECISAO
Não houve omissão no acórdão impugnado; a questão sobre a condição de única beneficiária e a exclusão da viúva foi decidida no processo de conhecimento e encontra-se acobertada pela coisa julgada, de modo que é inviável a rediscussão em sede de embargos à execução. Assim, conheceu-se do Recurso Especial e...
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- Parties
- Recorrente: ESTADO DO PIAUÍ
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 February 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão Monocrática De Conhecimento E Denegação De Provimento Pelo Relator
- Outcome
- Conheço do Recurso Especial e nego-lhe provimento.
- Legal Topics
- Rediscussão Em Embargos À Execução, Omissão (art. 1.022, II, Cpc), Preclusão, Embargos De Declaração, Honorários Advocatícios (art. 85, §11
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Parties
ESTADO DO PIAUÍ
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão Monocrática De Conhecimento E Denegação De Provimento Pelo Relator
Legal Issues
- 1 omissão em acórdão alegada com base no art. 1.022, II, CPC
- 2 possibilidade de rediscussão de matéria coberta pela coisa julgada em embargos à execução
- 3 preclusão e imutabilidade da coisa julgada
Ratio Decidendi
Não houve omissão no acórdão impugnado; a questão sobre a condição de única beneficiária e a exclusão da viúva foi decidida no processo de conhecimento e encontra-se acobertada pela coisa julgada, de modo que é inviável a rediscussão em sede de embargos à execução. Assim, conheceu-se do Recurso Especial e negou-se-lhe provimento; não cabe majoração de honorários por ausência de condenação pelo tribunal de origem.
Court Disposition
Conheço do Recurso Especial e nego-lhe provimento.
Orders
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Vistos. Trata-se de Recurso Especial interposto pelo ESTADO DO PIAUÍ, contra acórdão prolatado pelo Tribunal de Justiça do Estado do Piauí, assim ementado (fl. 539e): APELAÇÃO CÍVEL EM EMBARGOS À EXECUÇÃO DE TÍTULO JUDICIAL. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA. IMPOSSIBILIDADE. COISA JULGADA. É inviável a rediscussão, nos embargos à execução, de matéria constante de título executivo judicial transitado em julgado, sob pena de violação à coisa julgada. Recurso não provido. Opostos Embargos de Declaração, foram rejeitados. Com amparo no art. 105, III, a, da Constituição da República, aponta-se ofensa ao art. 1.022, II, do Código de Processo Civil, sustentando-se, em síntese, que há omissão no julgado quanto à alegação de que "na decisão exequenda (ID 4233279 - fls. 63/65) não restou consignada a exclusão da viúva. Ao contrário, pelo teor da fundamentação adotada é possível aferir que a intenção do julgador foi garantir o rateio do montepio" (fl. 579e). Sem contrarrazões, o recurso foi inadmitido, tendo sido interposto Agravo, posteriormente convertido em Recurso Especial (fl. 621e). Feito breve relato, decido. Nos termos do art. 932, III e IV, do Código de Processo Civil de 2015, combinados com os arts. 34, XVIII, a e b, e 255, I e II, do Regimento Interno desta Corte, o Relator está autorizado, por meio de decisão monocrática, respectivamente, a não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida, bem como a negar provimento a recurso ou a pedido contrário à tese fixada em julgamento de recurso repetitivo ou de repercussão geral (arts. 1.036 a 1.041), a entendimento firmado em incidente de assunção de competência (art. 947), à súmula do Supremo Tribunal Federal ou desta Corte ou, ainda, à jurisprudência dominante acerca do tema, consoante Enunciado da Súmula n. 568/STJ: O Relator, monocraticamente e no Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema. Consoante o art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, cabe a oposição de embargos de declaração para: i) esclarecer obscuridade ou eliminar contradição; ii) suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento; e, iii) corrigir erro material. A omissão, definida expressamente pela lei, ocorre na hipótese de a decisão deixar de se manifestar sobre tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em incidente de assunção de competência aplicável ao caso sob julgamento. O Código de Processo Civil considera, ainda, omissa, a decisão que incorra em qualquer uma das condutas descritas em seu art. 489, § 1º, no sentido de não se considerar fundamentada a decisão que: i) se limita à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; ii) emprega conceitos jurídicos indeterminados; iii) invoca motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão; iv) não enfrenta todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; v) invoca precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes, nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; e, vi) deixa de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. Sobreleva notar que o inciso IV do art. 489 do Código de Processo Civil de 2015 impõe a necessidade de enfrentamento, pelo julgador, dos argumentos que possuam aptidão, em tese, para infirmar a fundamentação do julgado embargado. Esposando tal entendimento, o precedente da Primeira Seção desta Corte: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA ORIGINÁRIO. INDEFERIMENTO DA INICIAL. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE, ERRO MATERIAL. AUSÊNCIA. 1. Os embargos de declaração, conforme dispõe o art. 1.022 do CPC, destinam-se a suprir omissão, afastar obscuridade, eliminar contradição ou corrigir erro material existente no julgado, o que não ocorre na hipótese em apreço. 2. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. 3. No caso, entendeu-se pela ocorrência de litispendência entre o presente mandamus e a ação ordinária n. 0027812-80.2013.4.01.3400, com base em jurisprudência desta Corte Superior acerca da possibilidade de litispendência entre Mandado de Segurança e Ação Ordinária, na ocasião em que as ações intentadas objetivam, ao final, o mesmo resultado, ainda que o polo passivo seja constituído de pessoas distintas. 4. Percebe-se, pois, que o embargante maneja os presentes aclaratórios em virtude, tão somente, de seu inconformismo com a decisão ora atacada, não se divisando, na hipótese, quaisquer dos vícios previstos no art. 1.022 do Código de Processo Civil, a inquinar tal decisum. 5. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no MS 21.315/DF, Rel. Ministra DIVA MALERBI - DESEMBARGADORA CONVOCADA TRF 3ª REGIÃO -, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 08/06/2016, DJe 15/06/2016). In casu, o tribunal de origem manifestou-se sobre os temas suscitados pelo Recorrente, nos seguintes termos (fls. 539/551e): Ocorre que a execução funda-se em título executivo judicial oriundo de condenação imposta ao Estado do Piauí, para que a apelada passasse a perceber o montepio militar, a partir do mês de outubro do ano daquela sentença (1997), na qualidade de ÚNICA beneficiária de seu filho João Batista Chaves Moreira, tendo a sentença (ID n. 4233279, pág. 63 a 65), transitado em julgado em 14 de abril de 2000, conforme certidão lavrada pelo Superior tribunal de Justiça (ID n. 4233279, pág. 154). Logo, a questão acerca da existência ou não do direito à percepção do montepio militar pela apelada como única dependente foi devidamente apreciada no âmbito do processo de conhecimento e se encontra acobertada pela coisa julgada, não podendo ser objeto de rediscussão em sede de embargos à execução, tendo em vista, que restou claro a exclusão da viúva da condição de pensionista, conforme bem fundamentou o magistrado de piso em Decisão que manteve apenas o efeito devolutivo da apelação (ID n. 4233280, pág. 101 a 105). Portanto, não pode o apelante, em sede de Embargos à Execução, querer alegar excesso de execução questionando o mérito do que já restou definido. .. Sendo assim, sabe-se que se afigura vedado, não sendo possível que seja reaberto, na fase da execução/cumprimento de sentença, o debate de matérias que já foram decididas no processo de conhecimento. Soma-se a isso, que também não é possível o revolvimento de matérias sobre as quais já se configurou a preclusão judicial. Isto porque o instituto da preclusão busca uma vedação a comportamentos processuais contraditórios, tendo em vista que se o impugnante não discutiu devidamente a matéria àquele tempo, é impossível que se discuta agora. .. À evidência, uma vez operada a coisa julgada, não há falar em modificação do título exequendo. Não é demais ressaltar que um dos efeitos da coisa julgada material é a intangibilidade e imutabilidade da sentença. Em outras pa lavras, é dotada de obrigatoriedade aquela sentença que não pode ser modificada nem mesmo pela lei ou pelo juiz. Portanto, não verifico omissão acerca de questão essencial ao deslinde da demanda e oportunamente suscitada, tampouco de outro vício a impor a revisão do julgado. Impossibilitada a majoração de honorários, com base no art. 85, §11, do CPC/2015, porquanto ausente condenação pelo tribunal de origem. Posto isso, com fundamento nos arts. 932, IV, do Código de Processo Civil de 2015 e 34, XVIII, b, e 255, II, do RISTJ, CONHEÇO do Recurso Especial e NEGO-LHE PROVIMENTO. Publique-se e intimem-se. EMENTA