REsp 1809178 - DECISAO
Recurso especial não conhecido porque o acórdão regional manteve, com fundamentação não atacada, a redução excepcional da multa ambiental com base nas condições econômicas do embargante (súmula 283/STF impede reexame de fundamento não combatido) e porque a modificação do acórdão dependeria de reexame de aspectos...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: autarquia federal; Recorrida: Defensoria Pública da União; Embargante: embargante
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 June 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão: Não Conhecido
- Outcome
- Recurso Especial não conhecido
- Legal Topics
- Redução Excepcional De Multa Administrativa, Honorários Sucumbenciais À Defensoria Pública, Negativa De Prestação Jurisdicional, Reexame De Matéria Fática
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
autarquia federal
Recorrente
Defensoria Pública da União
Recorrida
embargante
Embargante
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão: Não Conhecido
Legal Issues
- 1 validade da redução da multa ambiental aplicada administrativamente
- 2 possibilidade de reexame de questões fáticas em recurso especial
- 3 condenação de ente público ao pagamento de honorários à Defensoria Pública da União
Ratio Decidendi
Recurso especial não conhecido porque o acórdão regional manteve, com fundamentação não atacada, a redução excepcional da multa ambiental com base nas condições econômicas do embargante (súmula 283/STF impede reexame de fundamento não combatido) e porque a modificação do acórdão dependeria de reexame de aspectos fáticos, o que é vedado pela Súmula 7/STJ; preliminar de negativa de prestação jurisdicional prejudicada/afastada.
Court Disposition
Recurso Especial não conhecido
Orders
- Não conheço do recurso especial
- Caso tenham sido fixados honorários sucumbenciais anteriormente pelas instâncias ordinárias, majoro-os em 10% observados os limites e parâmetros dos §§ 2º, 3º e 11 do artigo 85 do CPC/2015 e eventual Gratuidade da Justiça (§ 3º do art. 98 do CPC/2015)
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto com fundamento no artigo 105, III, "a", da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (fl. 569): EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA AMBIENTAL. EXCEPCIONAL REDUÇÃO DO VALOR. CONDENAÇÃO SUCUMBENCIAL. SÚMULA 421 DO STJ. 1. Aplicada administrativamente a multa, o arbitramento do valor trata-se de ato administrativo sobre o qual o Judiciário tem ingerência em casos de abuso ou ilegalidade. É entendimento do Superior Tribunal de Justiça que "Os atos tidos como discricionários, exercidos pela administração pública, devem, ao fixar o quantum de multa ou qualquer outra penalidade, guardar os parâmetros da razoabilidade e da proporcionalidade, pois, quando exorbitantes, permitem que o Poder Judiciário adeque-os, a fim de evitar desequilíbrios inaceitáveis entre a administração e administrados" (STJ, AgRg no ARESP568283, Rel. Min Humberto Martins, DJE 24/10/2014). 2. Viável o arbitramento de honorários em favor da Defensoria Pública da União contra o mesmo ente público, após a edição da Emenda Constitucional nº 80/2014. Precedente do STF. Embargos de declaração rejeitados (fls. 603/606). Sustenta a parte recorrente, além da negativa de prestação jurisdicional (art. 1.022 do CPC/2015), violação aos arts. 6º, 34, 70, 72 da Lei 9.605/1998, pela redução do valor da multa imposta, imposta em razão da pesca e comercialização ilegais. Alega, também, violação aos arts. 381 do Código Civil e 927, III e IV, do CPC/2015, inconformado pela condenação de honorários advocatícios à Defensoria Pública da União. Requer, por fim, "seja o presente regularmente processado para que dele conheça o Egrégio Superior Tribunal de Justiça, e lhe seja dado o devido provimento para: -anular o acórdão recorrido com restituição dos autos ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região para novo julgamento, mediante a expressa apreciação da argumentação apresentada pela autarquia federal nos Embargos de Declaração interpostos (Evento 14); ou, -reformar a decisão proferida pela Turma do TRF da Quarta Região, de forma a validar os fundamentos do ato administrativo que fixou a multa pecuniária com manutenção do patamar originalmente arbitrado pela Administração e -excluir a condenação da autarquia federal ao pagamento de verba honorária em favor da Defensoria Pública da União -DPU" (fl. 627). Sem contrarrazões. Ás fls. 657/658, negou-se seguimento ao recurso especial quanto ao Tema 1.022/STF, determinando-se a remessa ao STJ, quanto ao remanescente. O recurso especial não prospera. De início, a alegada negativa de prestação jurisdicional está atrelada à questão da verba honorária e, nesse ponto, negou-se seguimento ao recurso especial. Prejudicada, portanto, a análise da preliminar. Vale observar, ademais, que, inexistente referido óbice, não prosperaria a insurgência, no ponto, pois restaria afastada a alegada violação do artigo 1.022 do CPC/2015, porquanto o acórdão recorrido manifestou-se de maneira clara e fundamentada a respeito das questões relevantes para a solução da controvérsia. A tutela jurisdicional foi prestada de forma eficaz, não havendo razão para a anulação do acórdão proferido em sede de embargos de declaração. Desnecessário, portanto, qualquer esclarecimento ou complemento ao que já decidido pela Corte de origem, pelo que se afasta a ofensa ao artigo 1.022 do CPC/2015. No mais, concluiu o Tribunal de origem que "a autuação e imposição de multa, então, são poder-dever da administração, e sua aplicação não pode ser afastada. Entretanto, o valor deve ser sopesado sob pena de tornar-se penalidade inócua, seja porque inviável seu pagamento, seja porque o valor é ínfimo à realidade do autuado. No caso específico dos autos, o valor inviabiliza o sustendo da família, do que excepcionalemente a sentença deve ser mantida para revisar o valor da multa. Assim, mantida a redução do valor da multa ambiental de R$ 15.000,00 para R$ 1.500,00 considerando as condições econômicas do embargante e a situação fática dos autos" (fl. 575). As razões recursais não atacam referida fundamentação. Incide, assim, na espécie, o óbice da Súmula 283/STF, a impedir o reexame da questão controvertida. Por outro lado, considerando a fundamentação adotada, o acórdão recorrido somente poderia ser modificado mediante o necessário revolvimento dos aspectos concretos da causa, o que é obstado pela Súmula 7/STJ. Ante o exposto, não conheço do recurso especial. Caso tenham sido fixados honorários sucumbenciais anteriormente pelas instâncias ordinárias, majoro-os em 10% (dez por cento), observados os limites e parâmetros dos §§ 2º, 3º e 11 do artigo 85 do CPC/2015 e eventual Gratuidade da Justiça (§ 3º do artigo 98 do CPC/2015). Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. MULTA AMBIENTAL. EXCEPCIONAL REDUÇÃO DO VALOR. FUNDAMENTO AUTÔNOMO DO ACÓRDÃO NÃO COMBATIDO. SÚMULA 283/STF. REVISÃO DE MATÉRIA FÁTICA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO.