AREsp 2736745 - ACORDAO
Conheceu-se do agravo, mas não conheceu-se do recurso especial porque o conhecimento exigiria o reexame do conjunto fático-probatório decidindo a controvérsia, o que é vedado pela Súmula n. 7 do STJ; ademais, o tribunal de origem concluiu pela regularidade da citação (comparecimento espontâneo) e pela ausência de...
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- Parties
- Agravante: PERI DA SILVA DUTRA; Advogado: HOMERO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 17 October 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Agravo conhecido; recurso especial não conhecido
- Legal Topics
- Reexame Do Conjunto Fático Probatório, Súmula N. 7 Do STJ, Nulidade De Citação, Litisconsórcio Passivo Necessário, Imissão Na Posse, Arrematação, Honorários Advocatícios
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Parties
PERI DA SILVA DUTRA
Agravante
HOMERO
Advogado
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 inadmissibilidade do recurso especial por reexame do conjunto fático-probatório (Súmula n. 7 do STJ)
- 2 nulidade de citação e regularização pelo comparecimento espontâneo (art. 239, § 1º, do CPC)
- 3 necessidade de formação de litisconsórcio passivo necessário
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não conheceu-se do recurso especial porque o conhecimento exigiria o reexame do conjunto fático-probatório decidindo a controvérsia, o que é vedado pela Súmula n. 7 do STJ; ademais, o tribunal de origem concluiu pela regularidade da citação (comparecimento espontâneo) e pela ausência de elementos que justificassem litisconsórcio passivo necessário, e apontou que eventual nulidade da arrematação deve ser discutida em ação autônoma.
Court Disposition
Agravo conhecido; recurso especial não conhecido
Orders
- Não conhecer do recurso especial
- Majorar em 5% o valor dos honorários advocatícios anteriormente fixados em favor de HOMERO, limitados a 20%, nos termos do art. 85, § 11, do CPC
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 07/10/2025 a 13/10/2025, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Daniela Teixeira, Nancy Andrighi, Humberto Martins e Ricardo Villas Bôas Cueva votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. INADMISSIBILIDADE. SÚMULA N. 7 DO STJ. APELO NOBRE NÃO CONHECIDO. 1. O recurso especial não comporta exame de questões que impliquem revolvimento do contexto fático-probatório dos autos (Súmulas n. 7 do STJ). 2. No caso concreto, o Tribunal de origem concluiu pelo acerto da decisão que julgou procedente a demanda. Alterar esse entendimento demandaria o reexame das provas, vedado em recurso especial. 3. Agravo conhecido. Recurso especial não conhecido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por PERI DA SILVA DUTRA (PERI), contra decisão que não admitiu seu apelo nobre manejado com fundamento no art. 105, III, alínea a, da CF, contra acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL, assim ementado: APELAÇÃO. IMISSÃO NA POSSE. BENS IMÓVEIS. AUSÊNCIA DE CITAÇÃO. ALEGADA NULIDADE DO FEITO ANTE A AUSÊNCIA DA FORMAÇÃO DE LITISCONSÓRCIO PASSIVO NECESSÁRIO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE NULIDADE NA ARREMATAÇÃO. ALEGADA NULIDADE NA CITAÇÃO NÃO RECONHECIDA, POIS SEU COMPARECIMENTO ESPONTÂNEO SUPRE A NULIDADE DO ATO CITATÓRIO. SOBRE O LITISCONSÓRCIO PASSIVO NECESSÁRIO, NÃO RESTA COMPROVADO O EXERCÍCIO DA COMPOSSE DO OBJETO DA LIDE. ACERCA DA ALEGAÇÃO DE NULIDADE DA ARREMATAÇÃO, A MESMA DEVE SER DIRIMIDA EM AÇÃO AUTÔNOMA, INCOMPATÍVEL COM O RITO DA AÇÃO DE IMISSÃO NA POSSE. MANUTENÇÃO INTEGRAL DA SENTENÇA CONDENATÓRIA. NEGARAM PROVIMENTO AO RECURSO. UNÂNIME. No presente inconformismo, PERI defendeu que o apelo nobre foi indevidamente indadmitido, pois a finalidade recursal não se cinge na reanálise dos fatos e das provas colhidas na demanda. Foi apresentada contraminuta em e-STJ fls. 292-294. É o relatório. EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. INADMISSIBILIDADE. SÚMULA N. 7 DO STJ. APELO NOBRE NÃO CONHECIDO. 1. O recurso especial não comporta exame de questões que impliquem revolvimento do contexto fático-probatório dos autos (Súmulas n. 7 do STJ). 2. No caso concreto, o Tribunal de origem concluiu pelo acerto da decisão que julgou procedente a demanda. Alterar esse entendimento demandaria o reexame das provas, vedado em recurso especial. 3. Agravo conhecido. Recurso especial não conhecido. VOTO O agravo é espécie recursal cabível, foi interposto tempestivamente e com impugnação adequada aos fundamentos da decisão recorrida. CONHEÇO, portanto, do agravo e passo ao exame do recurso especial, que não merece prosperar. PERI afirmou a violação dos arts. 73, § 1º, I, 114, 115 e 239, § 1º, do CPC, sustentando a nulidade de citação e a necessidade de formação de litisconsórcio passivo noecessário. Sobre o tema o TJRS consignou que PERI foi regularmente citado, pois compareceu espontaneamente, e não há falar em formação de litisconsórcio passivo necessário, confira-se: O apelante, alega ser desconhecedor da ação porque a citação realizada não chegou até si, valorosamente conheceu-a após a sentença e, tempestivamente, apelou do julgamento. Seu comparecimento espontâneo supre a apontada nulidade do ato citatório (art. 239, § 1º, do Código de Processo Civil), e, defendendo- se e alegando suas razões em face da ação, não há nulidade a ser reconhecida. Quanto à formação de litisconsórcio passivo necessário, não a justifica apenas o fato de o réu ser casado, senão quando se comprova que o cônjuge também exerce a composse sobre o imóvel guerreado, pois este é o objeto da imissão pretendida pelo autor1. Neste caso, nenhum indício veio neste sentido, motivo pelo qual não se evidencia a incidência do art. 114 do CPC na hipótese. Por fim, a possibilidade de discutir-se a nulidade da arrematação não tem palco neste processo. O art. 903, § 4º, do CPC, determina que tal matéria seja dirimida em ação autônoma, incompatível com o rito de imissão na posse na qual o interessado seja réu, sem ter sequer proposto reconvenção. É caso de manutenção integral da sentença. Assim, rever as conclusões quanto à necessidade de colheita de novas provas demandaria, necessariamente, reexame do conjunto fático-probatório dos autos, o que é vedado em razão do óbice da Súmula nº 7 do STJ. Nesse sentido, confira-se a jurisprudência desta Corte: CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE REGRESSO. CONTRATO DE SEGURO. PERÍCIA. DOCUMENTOS EM PODER DE TERCEIRO. INOBSERVÂNCIA DA SOLICITAÇÃO DO PERITO E DO REQUERIMENTO DA PARTE. NECESSIDADE DO REEXAME DA PROVA. NULIDADE DE ALGIBEIRA QUE NÃO SE CONHECE. PEDIDO DE FORMAÇÃO DE LITISCONSÓRCIO PASSIVO NECESSÁRIO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO A ARGUMENTO ESPECÍFICO. INCIDÊNCIA, POR ANALOGIA, DA SÚMULA N. 283 DO STF. HIPÓTESE DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. LITISCONSÓRCIO FACULTATIVO. PRECEDENTES. REFORMA DO JULGADO. SÚMULAS N. 5 E 7, AMBAS DO STJ. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO EM PARTE E, NESSA EXTENSÃO, DESPROVIDO. 1. Ação regressiva de ressarcimento promovida pela BRADESCO contra a AZIMUT, pretendendo o recebimento de R$ 10.500.000,00 (dez milhões e quinhentos mil reais), a fim de ser compensada do pagamento da indenização que efetivou, em razão do pagamento de compensação securitária a segurado, que foi julgada procedente. 2. Cinge-se a controvérsia acerca da ocorrência de nulidade, por falta de "citação" de terceiro em posse de documento ou coisa, nos termos do art. 401 do CPC; bem como a necessidade de formação de litisconsórcio passivo. 3. Impossível analisar a suposta ofensa ao art. 401 do CPC sem reexaminar fatos e provas, de modo que a pretensão recursal, nesse particular, esbarra no óbice da Súmula n. 7 do STJ. 4. A alegação de nulidade (de algibeira) não pode ser aproveitada por quem a provocou, a própria AZIMUT, porque não trouxe aos autos os documentos solicitados pela perícia. Por isso, não tem nem sequer legitimidade ou interesse processual, para tal arguição, em observância aos princípios da boa-fé processual e da cooperação, tão caros ao processo civil brasileiro. 5. Existindo argumento capaz de manter o acórdão impugnado por suas próprias pernas, não havendo o ataque específico a tal ponto, colhe-se a incidência, por analogia, da Súmula n. 283 do STF. 6. Em se tratando de responsabilidade solidária, é facultado ao consumidor escolher contra quem quer demandar, resguardado o direito de regresso daquele que efetivamente reparou o dano, contra os demais coobrigados. 7. Nas hipóteses em que a responsabilidade pela reparação dos danos causados ao consumidor é solidária, o litisconsórcio passivo é, em regra, facultativo. 8. A Corte bandeirante, com fundamento em toda a matéria fático-probatória, concluiu, de forma fundamentada, que (i) a AZIMUT é a distribuidora no território brasileiro dos barcos fabricados pela AZIMUT BENETTI S.P.A; (ii) a embarcação segurada foi vendida na condição de nova e estava no período de garantia; (iii) a empresa YACHT, responsável pelos reparos efetuados no casco da embarcação segurada pertencia, sim, à sua rede credenciada; (iv) os reparos realizados pela empresa YACHT, em garantia, não foram realizados adequadamente e, por conta disso, a embarcação sofreu avaria/sinistro e, derradeiramente, perda total; (v) ela assumiu expressamente a responsabilidade integral pelas obrigações passadas, presentes e futuras, bem como garantias e responsabilidades, advindos da posição até então exercida pela vendedora FIRST; (vi) não restou demonstrada culpa exclusiva do proprietário da embarcação à época dos fatos ou de eventual agravamento de risco por ele ocasionado; (vii) o segurado era o destinatário final dos serviços prestados por ela e/ou por sua rede autorizada, qual seja, manutenção da embarcação; (viii) nos termos do art. 349 do CC/02, todos os direitos (dentre eles, aqueles consubstanciados na legislação consumerista) e prerrogativas do segurado foram transferidos ao BRADESCO; (ix) na qualidade de fabricante e distribuidora e tendo indicado prestadora de serviços, que não realizou os reparos adequados na embarcação, ela está obrigada a responder, segundo a teoria do risco do negócio (art. 927 do CC/02), pelos danos causados pela sua atividade empresarial, independentemente de culpa; e (x) por força do disposto no art. 18 do CDC, ela, na qualidade de fornecedora do produto ao segurado do BRADESCO, possui responsabilidade solidária pelos serviços defeituosos prestados por sua rede credenciada, e nada trazido neste apelo nobre é capaz de contrariar tal entendimento. 9. Qualquer outra análise acerca da matéria em debate esbarra nas Súmulas n. 5 e 7, ambas do STJ. 10. Recurso especial conhecido em parte e, nessa extensão, desprovido, tornando sem efeito a tutela anteriormente deferida, com majoração de honorários. (REsp n. 2.040.286/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 10/9/2024, DJe de 12/9/2024 - destaque de agora.) Assim, o recurso não merece que dele se conheça. Nessas condições, CONHEÇO do agravo para NÃO CONHECER do apelo nobre. MAJORO em 5% o valor dos honorários advocatícios anteriormente fixados em favor de HOMERO, limitados a 20%, nos termos do art. 85, § 11, do CPC. Por oportuno, previno que a interposição de recurso contra esta decisão, se declarado manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente, poderá acarretar condenação às penalidades fixadas nos arts. 1.021, § 4º, ou 1.026, § 2º, ambos do CPC. É o voto.