HC 1078620 - DECISAO
O pedido não foi conhecido e a liminar foi indeferida porque o habeas corpus não pode ser utilizado como substitutivo de recurso próprio ou de revisão criminal; não há demonstração de manifesta ilegalidade passível de apreciação originária por este Tribunal, e as questões relativas ao regime de cumprimento da pena...
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- Parties
- Paciente: PAULO ROSSIGNOLLI JUNIOR
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 March 2026
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Liminar Indeferida
- Outcome
- Liminar indeferida
- Legal Topics
- Regime De Cumprimento Da Pena, Supressão De Instância, Substitutivo De Recurso Próprio, Trânsito Em Julgado
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Parties
PAULO ROSSIGNOLLI JUNIOR
Paciente
Procedural Posture
Habeas Corpus / Liminar Indeferida
Legal Issues
- 1 Presença de constrangimento ilegal em razão de execução em regime diverso do fixado na sentença
- 2 Possibilidade de habeas corpus como substitutivo de recurso próprio ou de revisão criminal
- 3 Supressão de instância por reexame de matérias não apreciadas na origem
Ratio Decidendi
O pedido não foi conhecido e a liminar foi indeferida porque o habeas corpus não pode ser utilizado como substitutivo de recurso próprio ou de revisão criminal; não há demonstração de manifesta ilegalidade passível de apreciação originária por este Tribunal, e as questões relativas ao regime de cumprimento da pena não foram apreciadas pelo Tribunal de origem, de modo que seu exame aqui importaria indevida supressão de instância.
Court Disposition
Liminar indeferida
Orders
- Cientifique-se o Ministério Público Federal.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Habeas Corpus impetrado em favor de PAULO ROSSIGNOLLI JUNIOR em que se aponta como ato coator o acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO no julgamento da Apelação Criminal n. 1500513-67.2022.8.26.0180. Consta dos autos que o paciente foi condenado à pena de 2 (dois) anos e 4 (quatro) meses de reclusão, em regime inicial aberto, pela prática do delito capitulado no art. 1º, II, da Lei n. 8.137/1990. Em suas razões, sustenta o impetrante a ocorrência de constrangimento ilegal, porquanto o paciente está cumprindo pena em regime semiaberto, embora a sentença tenha estabelecido o regime inicial aberto e tenha substituído a pena privativa de liberdade por penas restritivas de direitos, o que torna a execução em unidade prisional incompatível com o título condenatório. Alega que, diante da inadequação da execução e dos riscos à saúde do paciente, pessoa idosa e portadora de diabetes com uso diário de insulina, impõe-se a pronta correção da ilegalidade, inclusive em sede liminar, para assegurar o cumprimento da reprimenda nos exatos termos da sentença. Defende que, subsidiariamente, seja determinada a suspensão da execução da pena privativa de liberdade, mantendo-se apenas as penas restritivas de direitos impostas na sentença, até o julgamento definitivo do presente recurso. Requer, em suma, a alteração do regime de cumprimento para o aberto e, subsidiariamente, a suspensão da execução da pena privativa de liberdade, com manutenção das penas restritivas de direitos. É o relatório. Decido. A Terceira Seção do STJ, no julgamento do HC n. 535.063/SP, firmou o entendimento de que não cabe Habeas Corpus substitutivo de recurso próprio, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada alguma teratologia no ato judicial impugnado (Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, DJe de 25.8.2020). Ademais, não há como reconhecer a presença de manifesta ilegalidade quanto às matérias relativas ao regime de cumprimento da pena e necessidade de suspensão de execução da pena privativa de liberdade, pois, do que consta dos autos, não foram apreciadas no acórdão impugnado, o que impede a manifestação desta Corte sobre a questão, sob pena de indevida supressão de instância. Confira-se, a propósito, os seguintes precedentes: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. HOMICÍDIO QUALIFICADO. INSURGÊNCIA CONTRA ACÓRDÃO TRANSITADO EM JULGADO. MANEJO DO WRIT COMO REVISÃO CRIMINAL. DESCABIMENTO. DOSIMETRIA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. PEDIDO NÃO CONHECIDO. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. O habeas corpus foi impetrado contra acórdão já transitado em julgado. Diante dessa situação, o writ não deve ser conhecido, pois foi manejado como substitutivo de revisão criminal, em hipótese na qual não houve inauguração da competência desta Corte. 2. Não há manifesta ilegalidade na dosimetria a reclamar a concessão da ordem, pois a tese suscitada não foi analisada pela Corte local, motivo pelo qual incabível o exame de tal questão, de forma originária, por este Sodalício, sob pena de indevida supressão de instância. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no HC n. 888.166/SP, Rel. Ministro Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do TJSP), Sexta Turma, DJe de 21.6.2024.) PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO RECEBIDO COMO AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. FUNGIBILIDADE RECURSAL. TRÁFICO DE DROGAS. BUSCA DOMICILIAR. FALTA DE JUSTA CAUSA. BIS IN IDEM NA DOSIMETRIA. APLICAÇÃO DE REGIME MAIS BRANDO. MATÉRIAS NÃO APRECIADAS NA ORIGEM. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. WRIT ORIGINÁRIO NÃO CONHECIDO. CONDENAÇÃO TRANSITADA EM JULGADO. CABIMENTO DE REVISÃO CRIMINAL. AUSÊNCIA DE ILEGALIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Petição recebida como agravo regimental, em homenagem ao princípio da fungibilidade, tendo em vista ausência de previsão legal de pedido de reconsideração. Precedentes. 2. As teses suscitadas pela defesa (violação de domicílio, bis in idem na dosimetria da pena e necessidade de alteração do regime prisional) não foram objeto de exame no acórdão impugnado, o que impede o conhecimento dos temas diretamente por este Tribunal Superior, sob pena de indevida supressão de instância. 3. Não há ilegalidade na decisão do Tribunal de origem que não conheceu do writ originário manejado como substitutivo de revisão criminal. Isso porque a impetração de habeas corpus após o trânsito em julgado da condenação e com a finalidade de desconstituir sentença condenatória definitiva é indevida, sobretudo quando a análise das teses constantes do writ substitutivo demandam revolvimento fático-probatório. 4 . Agravo regimental desprovido. (RCD no HC n. 904.224/AM, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 13.6.2024.) Ainda nesse sentido: AgRg no HC n. 818.823/SP, Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 22.6.2023; AgRg no HC n. 899.551/SC, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 29.4.2024; AgRg no HC n. 897.496/MS, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJe de 23.4.2024; AgRg no HC n. 879.253/SP, Rel. Ministro Teodoro Silva Santos, Sexta Turma, DJe de 21.3.2024; AgRg no HC n. 882.227/RJ, Rel. Ministro Teodoro Silva Santos, Sexta Turma, DJe de 18.32024. Ante o exposto, indefiro liminarmente o presente habeas corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA