AREsp 2742371 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial porque o regime inicial semiaberto estava devidamente justificado pela reincidência e pela negativação dos antecedentes que elevaram a pena-base acima do mínimo legal, e a substituição da pena privativa por restritivas de direitos era inadequada diante...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: LUIS PAULO DA SILVA FERNANDES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 October 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decidido (conhecido E Negado Provimento)
- Outcome
- Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial.
- Legal Topics
- Regime De Cumprimento De Pena, Substituição Por Penas Restritivas De Direitos, Reincidência, Fixação Da Pena Base
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Parties
LUIS PAULO DA SILVA FERNANDES
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decidido (conhecido E Negado Provimento)
Legal Issues
- 1 admissibilidade do recurso especial
- 2 fixação do regime inicial de cumprimento da pena
- 3 possibilidade de substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direitos
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial porque o regime inicial semiaberto estava devidamente justificado pela reincidência e pela negativação dos antecedentes que elevaram a pena-base acima do mínimo legal, e a substituição da pena privativa por restritivas de direitos era inadequada diante da reincidência e das circunstâncias pessoais do condenado, não havendo afronta às Súmulas e à legislação citadas.
Court Disposition
Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por LUIS PAULO DA SILVA FERNANDES, em adversidade à decisão que inadmitiu recurso especial manejado contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, cuja ementa é a seguinte (e-STJ fls. 246): APELAÇÃO CRIMINAL - EMBRIAGUEZ AO VOLANTE, RESISTÊNCIA, DESACATO E DESOBEDIÊNCIA - Autoria e materialidade dos delitos comprovadas - Depoimentos dos policiais firmes, coerentes e sem desmentidos, ausentes motivos para dúvidas acerca da veracidade de suas palavras - Condenação devida - Penas corporal e de multa e regime prisional aplicados com critério e corretamente - Substituição por restritivas de direitos incabível ante a reincidência e os maus antecedentes - RECURSO DESPROVIDO. Nas razões do recurso especial (e-STJ fls. 260/270), fundado na alínea "a" do permissivo constitucional, alega a parte recorrente violação dos artigos 33, § 3º, 44, § 3º, e 59 do CP. Sustenta a fixação do regime aberto para o cumprimento da pena, bem como a possibilidade da substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direitos. Apresentadas contrarrazões (e-STJ fls. 275/283), o Tribunal a quo não admitiu o recurso especial (e-STJ fls. 286/288), tendo sido interposto o presente agravo. O Ministério Público Federal, instado a se manifestar, opinou pelo não conhecimento do agravo e não provimento do recurso especial (e-STJ fls. 327/334). É o relatório. Decido. Preenchidos os requisitos formais e impugnado o fundamento da decisão agravada, conheço do agravo. O recurso não merece acolhida. No que tange ao regime de cumprimento de pena, a jurisprudência desta Corte firmou-se no sentido de que, fixada a pena-base no mínimo legal, é vedado o estabelecimento de regime prisional mais gravoso do que o cabível em razão da sanção imposta, com base apenas na gravidade abstrata do delito enunciado da Súmula 440 deste Tribunal. Na mesma esteira, são os enunciados das Súmulas n. 718 e 719 do Supremo Tribunal Federal, os quais indicam: A opinião do julgador sobre a gravidade em abstrato do crime não constitui motivação idônea para a imposição de regime mais severo do que o permitido segundo a pena aplicada. A imposição do regime de cumprimento mais severo do que a pena aplicada permitir exige motivação idônea. Portanto, é necessária a apresentação de motivação concreta para a fixação de regime mais gravoso, fundada nas circunstâncias judiciais elencadas no art. 59 do Código Penal ou em outra situação que demonstre a gravidade concreta do crime. Precedentes: HC n. 325.756/SP, Relator Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, Quinta Turma, julgado em 28/6/2016, DJe 1º/8/2016; HC n. 312.264/SP, Relator Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, Quinta Turma, julgado em 24/5/2016, DJe 31/5/2016; HC n. 344.395/SP, Relator Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, Sexta Turma, julgado em 8/3/2016, DJe 15/3/2016. Ainda, de acordo com a Súmula n. 269/STJ, é admissível a adoção do regime prisional semiaberto aos reincidentes condenados a pena igual ou inferior à inicial de quatro anos, se favoráveis as circunstâncias judiciais. No caso em análise, embora a reprimenda corporal tenha sido estabelecida em patamar inferior a 4 (quatro) anos de detenção, o regime inicial semiaberto encontra-se justificado, uma vez que além da reincidência, houve a consideração de circunstância judicial negativa (antecedentes) para a exasperação da pena-base, não havendo falar, portanto, em afronta ao enunciado n. 269/STJ. Salienta-se que o regime inicial semiaberto para o cumprimento da reprimenda está justificado por se tratar de crime punível com detenção, não sendo, portanto, admissível a fixação do regime inicial fechado, nos termos do art. 33, caput, do Código Penal. Prosseguindo, segundo o art. 44 do CP, as penas restritivas de direitos substituem as privativas de liberdade, quando: (i) aplicada pena privativa de liberdade não superior a quatro anos e o crime não for cometido com violência ou grave ameaça à pessoa ou, qualquer que seja a pena aplicada, se o crime for culposo; (ii) o réu não for reincidente em crime doloso; (iii) a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do condenado, bem como os motivos e as circunstâncias indicarem que essa substituição seja suficiente. Nessa linha, o art. 44, § 3º, do Código Penal possibilita a concessão da substituição da pena ao condenado reincidente, desde que atendidos dois requisitos cumulativos: a medida seja socialmente recomendável, em face de condenação anterior, e a reincidência não se tenha operado em virtude da prática do mesmo crime, isto é, não seja reincidência específica. No ponto, a Corte de origem concluiu (e-STJ fls. 252): E, com efeito, a substituição por restritivas de direitos não era mesmo cabível, ante a reincidência e os maus antecedentes do apelante, a denotar a insuficiência da medida para a repressão e prevenção delitiva. Ora, no presente caso, além da reincidência, a pena-base foi fixada acima do mínimo legal, em razão da negativação dos antecedentes, não se mostrando cabível a substituição da sanção privativa de liberdade por restritivas de direitos, pela falta de preenchimento de requisito subjetivo previsto no art. 44, inciso III, do Código Penal. Precedentes: AgRg no AREsp n. 2.675.121/DF, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 17/9/2024, DJe de 24/9/2024; AgRg no AREsp n. 2.652.651/MG, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 27/8/2024, DJe de 30/8/2024; AgRg no REsp n. 2.023.011/CE, relator Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do Tjdft), Sexta Turma, julgado em 20/8/2024, DJe de 23/8/2024. Ante o exposto, com fundamento no art. 932, inciso VIII, do Código de Processo Civil, c/c o art. 253, parágrafo único, inciso II, alínea "b", do RISTJ e na Súmula n. 568/STJ, conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial. Intimem-se. EMENTA