HC 789857 - DECISAO
Não conheço do habeas corpus porque a matéria relativa ao regime inicial de cumprimento da pena não foi apreciada no acórdão impugnado (impedindo o exame por supressão de instância) e não há flagrante ilegalidade apta a autorizar a concessão de ofício da ordem; ademais, o impetrante não trouxe prova pré-constituída...
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- Parties
- Paciente: MATHEUS LIMA DA SILVA; Autoridade Coatora: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO; Interveniente: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 15 April 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Habeas Corpus Não Conhecido
- Outcome
- não conheço do presente habeas corpus
- Legal Topics
- Regime Inicial De Cumprimento Da Pena, Prisão Domiciliar Por Doença Grave, Habeas Corpus, Prova Pré Constituída, Supressão De Instância, Dosimetria, Excesso De Prazo, Concessão De Ofício Da Ordem
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Parties
MATHEUS LIMA DA SILVA
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Autoridade Coatora
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
Interveniente
Procedural Posture
Habeas Corpus / Habeas Corpus Não Conhecido
Legal Issues
- 1 regime inicial de cumprimento da pena não apreciado no acórdão de origem
- 2 possibilidade de concessão de ofício da ordem segundo art. 654, §2º, CPP
- 3 necessidade de prova pré-constituída para alegações de doença grave e prisão domiciliar
Ratio Decidendi
Não conheço do habeas corpus porque a matéria relativa ao regime inicial de cumprimento da pena não foi apreciada no acórdão impugnado (impedindo o exame por supressão de instância) e não há flagrante ilegalidade apta a autorizar a concessão de ofício da ordem; ademais, o impetrante não trouxe prova pré-constituída da doença alegada para exame do pedido de prisão domiciliar.
Court Disposition
não conheço do presente habeas corpus
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de habeas corpus com pedido liminar impetrado em favor de MATHEUS LIMA DA SILVA em que se aponta como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO (Habeas Corpus 2256651-68.2022.8.26.0000). O paciente foi condenado à pena de 6 anos e 8 meses de reclusão, em regime fechado, pela prática dos crimes previstos nos artigos 157, §2º, II, e §2º-A, todos do Código Penal. Contra a sentença, a defesa do paciente interpôs recurso de apelação e antes que este fosse julgado, habeas corpus que foi indeferido pelo Tribunal de origem em acórdão assim ementado: HABEAS CORPUS recurso em liberdade mudança de regime prisão domiciliar julgamento de apelação pendente manutenção da custódia cautelar fundamentada na sentença não demonstração de quaisquer elementos aptos a ensejar a revogação da prisão INDEFERIDO O PROCESSAMENTO (e-STJ 37/43). Não se conformando com tal decisão, propõe a presente ação constitucional sustentando, em síntese, ausência de fundamentação suficiente a justificar a fixação do regime mais gravoso, visto o quantum de pena cominado, sendo devida a alteração do modo prisional para o semiaberto. Realça as condições e saúde do paciente, alegando a necessidade do recolhimento em prisão domiciliar. Requer, liminarmente e no mérito, a concessão da ordem para que seja deferido o pedido de prisão domiciliar com a expedição do competente alvará de soltura (e-STJ 03/08). A liminar foi indeferida pelo Ministro Jorge Mussi - e-STJ 52/53. Informações no e-STJ 56/80. O Ministério Público Federal opinou pelo não conhecimento do habeas corpus (e-STJ 85/88). Considerando o tempo decorrido deste a autuação do presente feito e as alterações de relatoria, determinei a intimação do impetrante para que se manifestasse a respeito da manutenção do interesse no julgamento do feito (e-STJ 91). Sem resposta, vieram-me os autos conclusos. É o relatório. Decido. A matéria relativa ao regime inicial de cumprimento da pena não foi apreciada no acórdão impugnado. Assim, para não incorrer em supressão de instância, esta Corte não pode conhecer do tema. Além disso, a concessão de ofício da ordem, nos termos do art. 654, § 2º, do Código de Processo Penal, depende da existência de flagrante ilegalidade, situação que não se verifica de plano na hipótese dos autos, conforme se obtém da fundamentação lançada na origem sobre a controvérsia, nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. HOMICÍDIO QUALIFICADO. ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA. DECISÃO DE PRONÚNCIA. CONSTRANGIMENTO ILEGAL NÃO EVIDENCIADO. ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE INDÍCIOS. ANÁLISE DE PROVAS. VIA INADEQUADA. EXCESSO DE PRAZO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. CONCESSÃO DE OFÍCIO DE ORDEM DE HABEAS CORPUS. OPÇÃO EXCLUSIVA DO RELATOR. 1. O Tribunal de origem, com apoio na prova dos autos, em especial depoimentos testemunhais colhidos sob o crivo do contraditório, concluiu pela legalidade da pronúncia, uma vez que verificou indícios suficientes nesse sentido, inclusive indicando ser inconteste a materialidade, motivo pelo qual é aplicável o princípio do in dubio pro societate. 2. "Sobre os indícios de autoria da prática do crime imputado ao Agravante, segundo estabelece o art. 413 do Código de Processo Penal, não se faz necessário, na fase de pronúncia, um juízo de certeza a respeito da autoria do crime, mas que o Juiz se convença da existência do delito e de indícios suficientes de que o réu seja o seu autor". (AgRg no HC n. 819.544/AM, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 26/6/2023, DJe de 29/6/2023.) 3. Tendo as instâncias de origem concluído no sentido de que o conjunto fático-probatório dos autos é suficiente para embasar a pronúncia, para se acolher a alegação de insuficiência probatória seria necessário o revolvimento fático-probatório, vedado em habeas corpus. Precedentes. 4. No tocante ao alegado excesso de prazo da prisão decretada, verifica-se que a questão não foi analisada no acórdão recorrido. Desse modo, não debatida a questão pela Corte a quo, impedido fica o Superior Tribunal de Justiça de apreciar a matéria, sob pena de se incorrer em indevida supressão de instância. 5. Quanto à concessão de ofício de ordem de habeas corpus, em que pese a possibilidade dessa opção de julgamento (art. 654, §2º, do CPP), é necessário que haja flagrante ilegalidade, o que não se verifica no presente caso, sem falar que a concessão de habeas corpus, de ofício, é opção exclusiva do relator. 6. Agravo regimental improvido. (AgRg no HC n. 821.781/RJ, relator Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), Sexta Turma, j. em 13/11/2023, DJe de 16/11/2023) (destaquei). Quanto ao pedido de prisão domiciliar, por doença grave, cumpre consignar que não obstante pleiteie o benefício ao paciente, o impetrante não juntou aos autos qualquer documento apto a comprovar o alegado, não existindo, na inicial, sequer a informação a respeito de qual doença acomete o paciente, o que impossibilita a análise por esta Corte de Justiça. Na oportunidade, destaco que o rito do habeas corpus pressupõe prova pré-constituída, devendo a parte zelar pela adequada instrução no momento da impetração, v.g.: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM HABEAS CORPUS. REMIÇÃO DA PENA. OMISSÃO NÃO VERIFICADA. DECISÃO EM CONSONÂNCIA COM A DOCUMENTAÇÃO ACOSTADA AOS AUTOS. EMBARGOS REJEITADOS. 1. Não há falar em vício na decisão embargada, pois a remição da pena foi decidida em consonância com a documentação acostada aos autos. 2. O procedimento do habeas corpus não permite a dilação probatória, pois exige prova pré-constituída das alegações, sendo ônus do impetrante trazê-la no momento da impetração. 3. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no HC 701.933/SP, relator Ministro Olindo Menezes (Desembargador Convocado do TRF 1ª Região), Sexta Turma, julgado em 5/4/2022, DJe de 7/4/2022).
PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. DOSIMETRIA. INSTRUÇÃO DEFICIENTE. ÓBICE AO EXAME DAS RAZÕES DO WRIT. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Em sede de habeas corpus, a prova deve ser pré-constituída e incontroversa, cabendo ao impetrante apresentar documentos suficientes à análise de eventual ilegalidade flagrante no ato atacado. Na espécie, o processo não foi instruído com cópia do acórdão proferido no julgamento do apelo defensivo, peça imprescindível para análise da impetração. De fato, na decisão colegiada acostada aos autos, limitou-se o Tribunal de origem a examinar os fundamentos do decreto preventivo, sem que fossem analisados os parâmetros adotados no cálculo dosimétrico. Precedentes. 2. Ainda que tenha interposto agravo regimental, no qual reconheceu a deficiência da instrução do feito, o impetrante não logrou apresentar a cópia do acórdão proferido no julgamento da apelação, alegando não ter conseguido localizar tal peça processual. 3. Tratando-se de decreto condenatório transitado em julgado, é facultado à defesa ajuizar revisão criminal no Tribunal de origem, com vistas à modificação dos parâmetros dosimétricos, nas hipóteses de manifesta violação dos critérios dos arts. 59 e 68 do Código Penal, sob o aspecto da ilegalidade, da falta ou evidente deficiência de fundamentação ou ainda do erro de técnica. 4. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC 647.927/RS, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 4/5/2021, DJe de 10/5/2021). Ante o exposto, não conheço do presente habeas corpus. EMENTA