AREsp 2628166 - DECISAO
O acórdão do Tribunal de Justiça não indicou elementos concretos que justificassem a imposição de regime inicial mais gravoso nem apresentou análise desfavorável das circunstâncias judiciais nos termos do art. 59 do CP; verificou-se ilegalidade na motivação do regime fechado, razão pela qual se deve fixar o regime...
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- Parties
- Agravante: FELIPE ROSENO DE LIMA; Manifestante: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 June 2024
- Procedural Posture
- Agravo Contra Inadmissão De Recurso Especial / Decisão Que Conheceu Do Agravo E Deu Provimento Ao Recurso Especial
- Outcome
- Agravo conhecido e provido, com admissão do recurso especial e fixação do regime inicial semiaberto.
- Legal Topics
- Regime Inicial De Cumprimento Da Pena, Reincidência, Fundamentação Da Fixação Do Regime, Inadmissão De Recurso Especial, Prequestionamento
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Parties
FELIPE ROSENO DE LIMA
Agravante
Ministério Público Federal
Manifestante
Procedural Posture
Agravo Contra Inadmissão De Recurso Especial / Decisão Que Conheceu Do Agravo E Deu Provimento Ao Recurso Especial
Legal Issues
- 1 violação do art. 59, III, do Código Penal por ausência de fundamentação idônea para regime mais gravoso
- 2 adequação do regime inicial em face do quantum da pena
- 3 necessidade de elementos concretos para justificar regime mais gravoso
Ratio Decidendi
O acórdão do Tribunal de Justiça não indicou elementos concretos que justificassem a imposição de regime inicial mais gravoso nem apresentou análise desfavorável das circunstâncias judiciais nos termos do art. 59 do CP; verificou-se ilegalidade na motivação do regime fechado, razão pela qual se deve fixar o regime inicial semiaberto.
Court Disposition
Agravo conhecido e provido, com admissão do recurso especial e fixação do regime inicial semiaberto.
Orders
- Conheço do agravo e dou provimento ao recurso especial.
- Fixo o regime inicial semiaberto ao agravante.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO FELIPE ROSENO DE LIMA agrava de decisão que inadmitiu seu recurso especial, interposto com base no art. 105, III, "a", da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo na Apelação Criminal n. 1500052-12.2021.8.26.0510. Nas razões do recurso especial, a defesa aponta a violação do art. 59, III, do Código Penal, ao argumento de ausência de fundamentação idônea para fixar o regime inicial mais gravoso. Requer o provimento do recurso para que seja fixado o regime inicial semiaberto. O apelo especial foi inadmitido durante o juízo prévio de admissibilidade, o que ensejou a interposição deste agravo. O Ministério Público Federal manifestou-se pelo não provimento do reclamo (fls. 260-262). Decido. O agravo é tempestivo e infirmou os fundamentos da decisão agravada, razões pelas quais comporta conhecimento. O especial, por sua vez, suplanta o juízo de prelibação, haja vista a ocorrência do necessário prequestionamento, além de estarem presentes os demais pressupostos de admissibilidade (cabimento, legitimidade, interesse, inexistência de fato impeditivo, tempestividade e regularidade formal), motivos pelos quais avanço na análise de mérito da controvérsia. Extrai-se dos autos que o agravante foi condenado à pena de 2 anos e 4 meses de reclusão mais 11 dias-multa, em regime semiaberto, pela prática do delito previsto no art. 155, § 4º, I, do Código Penal. A Corte estadual manteve o regime inicial fechado, sob a seguinte motivação (fl. 207): De outro lado, a despeito da tese defensiva, o regime prisional semiaberto revela-se adequado e suficiente à reprovabilidade da conduta, em face da reincidência específica, sem deslembrar que o réu foi condenado definitivamente, por duas vezes (processos 1501240-40.2021.8.26.0510 e 0000243-84.2016.8.26.0550, conforme consulta no e-Saj), enquanto respondia à presente ação, tudo consoante autoriza o artigo 33 e seus §§, do Código Penal, e, sobretudo, à luz da orientação contida na Súmula 269, do Superior Tribunal de Justiça. Quanto à almejada modificação do regime inicial, cumpre enfatizar que esta Corte tem decidido que o modo inicial de cumprimento da pena não está vinculado, de forma absoluta, ao quantum de reprimenda imposto. É dizer, para a escolha do regime prisional, devem ser observadas as diretrizes dos arts. 33 e 59, ambos do Código Penal, além dos dados fáticos da conduta delitiva que, se demonstrarem a gravidade concreta do crime, poderão ser invocados pelo julgador para a imposição de regime mais gravoso do que o permitido pelo quantum da pena (HC n. 279.272/SP, Rel. Ministro Moura Ribeiro, 5ª T., DJe 25/11/2013; HC n. 265.367/SP, Rel. Ministra Laurita Vaz, 5ª T., DJe 19/11/2013; HC n. 213.290/SP, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis Moura, 6ª T., DJe 4/11/2013; HC n. 148.130/MS, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, 6ª T., DJe 3/9/2012). A teor da Súmula n. 440 do STJ, "fixada a pena-base no mínimo legal, é vedado o estabelecimento de regime prisional mais gravoso do que o cabível em razão da sanção imposta, com base apenas na gravidade abstrata do delito". Ademais, tem-se proclamado, reiteradamente, ser "admissível a adoção do regime prisional semiaberto aos reincidentes condenados a pena igual ou inferior a quatro anos se favoráveis as circunstâncias judiciais", como in casu (Súmula n. 269 do STJ). Dessa forma, não basta citar a reincidência para transitar o réu do regime semiaberto para o fechado. Inviável conceber tamanha relevância ao instituto da reincidência, principalmente quando a letra da lei impede apenas a aplicação do regime aberto nesta hipótese (quando a pena fixada é igual ou inferior a 4 anos de reclusão). Era imperioso, para manter o regime mais gravoso, que o Tribunal indicasse elementos concretos mais graves do crime praticado ou, mesmo, a análise desfavorável do art. 59 do CP, o que não existiu na espécie. Assim, reconhecida a ilegalidade na motivação do acórdão, o agravante faz jus ao regime intermediário. Desse modo, o acórdão recorrido está em dissonância com a jurisprudência desta Corte Superior. À vista do exposto, com fundamento no art. 932, VIII, do CPC, c/c o art. 253, parágrafo único, II, "c", parte final, do RISTJ, conheço do agravo para dar provimento ao recurso especial, a fim de fixar o regime inicial semiaberto ao agravante. Publique-se e intimem-se. EMENTA