AREsp 2648155 - DECISAO
Conheceu-se do agravo para conhecer do recurso especial e negou-se provimento, por entender que o regime inicial fechado foi fundamentado no fato de o réu ser reincidente e possuir maus antecedentes, circunstâncias que, mesmo com pena inferior a quatro anos, justificam o regime fechado conforme jurisprudência...
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- Parties
- Agravante: JOSE ALEX ALVES FERREIRA; Parte Contrária: Ministério Público do Estado de São Paulo - MPSP
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 September 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo E Julgamento Do Recurso Especial No Superior Tribunal De Justiça
- Outcome
- Conhecido do agravo em recurso especial e negado provimento ao agravo, mantendo-se a decisão que inadmitiu o recurso especial
- Legal Topics
- Regime Inicial De Cumprimento Da Pena, Reincidência, Maus Antecedentes, Dosimetria Da Pena, Apropriação Indébita, Súmulas Do STJ
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Parties
JOSE ALEX ALVES FERREIRA
Agravante
Ministério Público do Estado de São Paulo - MPSP
Parte Contrária
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo E Julgamento Do Recurso Especial No Superior Tribunal De Justiça
Legal Issues
- 1 Possibilidade de fixação do regime inicial semiaberto para réu reincidente com pena igual ou inferior a quatro anos
- 2 Interpretação e aplicação do art. 33, §2º, 'b' e 'c', e §3º, do Código Penal
- 3 Efeito de maus antecedentes e agravamento da pena-base sobre a fixação do regime prisional
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo para conhecer do recurso especial e negou-se provimento, por entender que o regime inicial fechado foi fundamentado no fato de o réu ser reincidente e possuir maus antecedentes, circunstâncias que, mesmo com pena inferior a quatro anos, justificam o regime fechado conforme jurisprudência consolidada do STJ, aplicando-se a Súmula 568 do STJ para indeferir a pretensão recursal.
Court Disposition
Conhecido do agravo em recurso especial e negado provimento ao agravo, mantendo-se a decisão que inadmitiu o recurso especial
Orders
- Negar provimento ao agravo em recurso especial
- Publique-se
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo de JOSE ALEX ALVES FERREIRA contra decisão proferida no TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO - TJSP que inadmitiu o recurso especial interposto com fundamento no art. 105, III, "a" e "c", da Constituição Federal - CF, contra acórdão proferido no julgamento da Apelação Criminal n. 1500226-29.2022.8.26.0302. Consta dos autos que o agravante foi condenado pela prática do delito tipificado no art. 168, caput, do Código Penal - CP (apropriação indébita), à pena de 1 ano, 8 meses e 18 dias de reclusão, em regime inicial fechado, e 16 dias-multa (fl. 284). Recurso de apelação interposto pela defesa foi parcialmente provido para reduzir a pena aplicada ao réu para 1 ano e 2 meses de reclusão e 11 dias-multa, mantendo-se, no mais, a sentença (fl. 349). O acórdão ficou assim ementado: "Apelação Criminal. Apropriação indébita. Sentença condenatória. Autoria e materialidade do delito comprovadas. Dolo evidenciado. Réu que se apropriou dos bens da vítima, dos quais detinha a posse, vendendo-os, sem o consentimento dela. Dosimetria mitigada. Pena-base fixada acima do mínimo, em razão dos maus antecedentes. Afastada a valoração de condenação extinta há mais de dez anos, sopesada como maus antecedentes. Readequação da fração de aumento. Agravante da reincidência compensada com a atenuante da confissão (tema 585 do STJ). Demais agravantes afastadas. Circunstância judicial desfavorável e reincidência impõem o regime prisional inicial fechado e impedem a substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direitos. Recurso parcialmente provido." (fl. 338) Em sede de recurso especial (fls. 361/370), a defesa apontou violação e interpretação divergente do art. 33, § 2º, "b" e "c", e § 3º, do CP, ao argumento de que, não obstante a reincidência do ora agravante, há de ser fixado o regime inicial semiaberto em observância ao princípio da proporcionalidade, notadamente pelo quantum de pena aplicado. Asseverou que o entendimento da Corte a quo diverge do posicionamento do TJRS acerca da temática. Pugnou, dessarte, pelo provimento da pretensão recursal para que seja fixado o regime inicial semiaberto. Contrarrazões do Ministério Público do Estado de São Paulo - MPSP (fls. 396/400). O recurso especial foi inadmitido no TJSP em razão da não comprovação do dissídio jurisprudencial, bem como pelos óbices da Súmula n. 7 do Superior Tribunal de Justiça - STJ e da Súmula n. 283 do Supremo Tribunal Federal - STF (fls. 403/406). Em agravo em recurso especial, a defesa impugnou os referidos óbices (fls. 412/426). Contraminuta do MPSP (fls. 429/434). Os autos vieram a esta Corte, sendo protocolados e distribuídos. Aberta vista ao Ministério Público Federal - MPF, este opinou pelo provimento do agravo para dar provimento ao recurso especial, a fim de que seja fixado o regime inicial semiaberto (fls. 449/454). É o relatório. Decido. Atendidos os pressupostos de admissibilidade do agravo em recurso especial, passo à análise do recurso especial. Acerca da afronta e da interpretação divergente do art. 33, § 2º, "b" e "c", e § 3º, do CP, colaciona-se o seguinte trecho do acórdão proferido pelo Tribunal de origem (grifo meu): "O regime inicial fechado é compatível com a condição de reincidente e portador de maus antecedentes criminais, do apelante, tudo a revelar que condenações anteriores não bastaram a que se emendasse e que há necessidade de maior rigor no início do cumprimento da pena." (fl. 347) Denota-se do excerto que o TJSP fixou o regime inicial fechado ao réu, ao fundamento de que é portador de maus antecedentes e pelo fato de ser reincidente, entendimento que está em consonância com a jurisprudência deste Sodalício (grifos meus): PENAL. PROVESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRABANDO DE CIGARROS. REGIME INICIAL DE CUMPRIMENTO DA PENA. PLEITO DE ABRANDAMENTO. INVIABILIDADE. REINCIDÊNCIA. CIRCUNSTÂNCIA JUDICIAL DESFAVORÁVEL. SÚMULA N. 269 DO STJ. INAPLICÁVEL. REGIME FECHADO ADEQUADO AO CASO. INABILITAÇÃO PARA DIRIGIR VEÍCULO. PREVISÃO DE EFEITO DA CONDENÇÃO NO ART. 92, III, DO CP. AUSÊNCIA DE NOVOS ELEMENTOS DE IMPUGNAÇÃO DA DECISÃO. PRECEDENTES. MANUTENÇÃO DA DECISÃO AGRAVADA. I - O agravo regimental deve trazer novos argumentos capazes de alterar o entendimento anteriormente firmado, sob pena de ser mantida a decisão recorrida por seus próprios fundamentos. II - Embora a reprimenda corporal tenha sido estabelecida em patamar inferior a 4 (quatro) anos de reclusão, o regime inicial fechado encontra-se justificado, uma vez que além da reincidência, houve a consideração de circunstância judicial negativa (antecedentes) para a exasperação da pena-base, justificando a fixação do regime fechado para o início do cumprimento da reprimenda, nos termos do art. 33, §§ 2.º e 3.º, c.c. o art. 59, ambos do Código Penal, não havendo falar, portanto, em afronta ao enunciado n. 269/STJ. III - Quanto ao ponto relativo à inabilitação à direção de veículo automotor, conforme consignado na decisão agravada, a jurisprudência desta Corte Superior é no sentido de que, demonstrado pelo acórdão recorrido que o agravante praticou crime doloso e se valeu de veículo automotor como instrumento para a sua prática, é de rigor a aplicação da penalidade de inabilitação para dirigir, nos termos do art. 92, III, do Código Penal. Agravo regimental desprovido. (AgRg no AREsp n. 1.786.144/PR, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 6/8/2024, DJe de 12/8/2024.) AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO HABEAS CORPUS. REGIME INICIAL FECHADO. REINCIDÊNCIA E MAUS ANTECEDENTES. APELO EM LIBERDADE. INSTRUÇÃO DEFICIENTE DA IMPETRAÇÃO. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. O decreto de prisão, que foi mantido na sentença, deixou de ser anexado ao habeas corpus, vício de instrução que impede a análise do pedido de apelar em liberdade. Não há prova pré-constituída da alegação do impetrante sobre a ilegalidade da manutenção da medida cautelar. 2. A reincidência e os maus antecedentes justificam a fixação do regime fechado para o início do cumprimento da pena, ainda que fixada em prazo inferior a quatro anos. 3. A supressão de instância impede o conhecimento de eventual pleito de detração penal, porquanto ausente o exame da matéria perante Tribunal de Justiça (ou regional), nos termos do art. 105 da CF. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg nos EDcl no HC n. 888.322/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 27/5/2024, DJe de 3/6/2024.) AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. APROPRIAÇÃO INDÉBITA. TEMPESTIVIDADE DO AGRAVO. REGIME INICIAL FECHADO. RÉU REINCIDENTE. PENA-BASE ACIMA DO MÍNIMO LEGAL. MAUS ANTECEDENTES. TRÊS CONDENAÇÕES. AUSÊNCIA DE ILEGALIDADE. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. É tempestivo o agravo regimental interposto pela Defensoria Pública da União dentro do prazo de 10 dias corridos contados da intimação pessoal, nos termos do art. 39 da Lei 8.038/1990 c.c art. 44, I, da Lei Complementar 80/1994 c.c art. 258 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. 2. Conforme jurisprudência consolidada desta Corte Superior, é lícita a fixação do regime inicial fechado aos réus reincidentes que ostentam também maus antecedentes, ainda que a pena tenha sido estabelecida em patamar inferior a 4 anos de reclusão. Incidência da Súmula 83/STJ. Precedentes. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp n. 1.751.326/SE, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 3/8/2021, DJe de 10/8/2021.) AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. TENTATIVA DE FURTO E FALSA IDENTIDADE. ATIPICIDADE DO CRIME DE FALSA IDENTIDADE. INADMISSÃO DO RECURSO ESPECIAL COM FUNDAMENTO NO ART. 1030, I, B, DO CPC. ACÓRDÃO RECORRIDO EM CONSONÂNCIA COM ENTENDIMENTO FIRMADO EM RECURSO REPETITIVO. CABIMENTO DE AGRAVO INTERNO NA ORIGEM. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA FUNGIBILIDADE. ERRO GROSSEIRO. EXASPERAÇÃO DA PENA BASE POR MAUS ANTECEDENTES. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. PLEITO DE ABSOLVIÇÃO DO CRIME DE FURTO TENTADO POR ERRO DE TIPO. NECESSIDADE DE REEXAME PROBATÓRIO. SÚMULA 7/STJ. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. MAUS ANTECEDENTES E REINCIDÊNCIA. VALOR SUPERIOR A 10% DO SALÁRIO-MÍNIMO. NÃO INCIDÊNCIA. TENTATIVA. AUMENTO DO PATAMAR DE REDUÇÃO. ITER CRIMINIS. SÚMULA 7/STJ. REGIME FECHADO. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. .. 9. No tocante ao regime de cumprimento de pena, de acordo com a Súmula 269/STJ, é admissível a adoção do regime prisional semiaberto aos reincidentes condenados a pena igual ou inferior à inicial de quatro anos, se favoráveis as circunstâncias judiciais. 10. No presente caso, em que pese a reprimenda corporal definitiva tenha sido fixada em quantum não superior a 4 (quatro) anos - 7 meses de reclusão -, verifica-se que o recorrente, além de reincidente - o que atrairia a aplicação do enunciado n. 269 da Súmula desta Corte e a fixação do regime inicial semiaberto -, teve a pena-base fixada acima do mínimo legal em decorrência da valoração negativa de circunstância judicial (maus antecedentes), o que afasta o referido enunciado sumular, representando fundamentação idônea para a manutenção do regime prisional fechado. 11. Agravo regimental desprovido. (AgRg no AREsp n. 2.469.232/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 11/6/2024, DJe de 17/6/2024.) Ante o exposto, conheço do agravo para conhecer do recurso especial e, com fundamento na Súmula n. 568 do STJ, negar-lhe provimento. Publique-se. Intimem-se. EMENTA