HC 1023648 - DECISAO
O habeas corpus não foi conhecido e a liminar foi indeferida porque o acórdão impugnado já transitou em julgado, de modo que o STJ não deve atuar como substituto de revisão criminal, conforme competência definida no art. 105, I, "e", da CF, e não se verificou ilegalidade flagrante apta a autorizar concessão de...
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- Parties
- Paciente: DEBORA NUARDI PENTEADO; Órgão Coator: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 12 August 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Liminar Indeferida; Acórdão Impugnado Transitado Em Julgado
- Outcome
- Indefiro liminarmente o Habeas Corpus; writ não conhecido por impugnação de decisão com trânsito em julgado.
- Legal Topics
- Regime Inicial De Cumprimento Da Pena, Trânsito Em Julgado, Revisão Criminal, Acordo De Não Persecução Penal (anpp), Constrangimento Ilegal
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Parties
DEBORA NUARDI PENTEADO
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Órgão Coator
Procedural Posture
Habeas Corpus / Liminar Indeferida; Acórdão Impugnado Transitado Em Julgado
Legal Issues
- 1 legalidade da fixação do regime inicial de cumprimento da pena
- 2 fundamentação para regime mais gravoso
- 3 consideração de ANPP como elemento para maus antecedentes ou reincidência
Ratio Decidendi
O habeas corpus não foi conhecido e a liminar foi indeferida porque o acórdão impugnado já transitou em julgado, de modo que o STJ não deve atuar como substituto de revisão criminal, conforme competência definida no art. 105, I, "e", da CF, e não se verificou ilegalidade flagrante apta a autorizar concessão de ofício nos termos do § 2º do art. 654 do CPP.
Court Disposition
Indefiro liminarmente o Habeas Corpus; writ não conhecido por impugnação de decisão com trânsito em julgado.
Orders
- Indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus.
- Cientifique-se o Ministério Público Federal.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Habeas Corpus impetrado em favor de DEBORA NUARDI PENTEADO em que se aponta como ato coator o acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO no julgamento da Apelação Criminal n. 1504348-39.2023.8.26.0597. Em suas razões, sustenta a impetrante a ocorrência de constrangimento ilegal, porquanto não há fundamentação idônea para fixação de regime inicial de cumprimento da pena mais gravoso do que o cabível em razão da pena imposta, considerando o disposto no art. 33, § 2º, do CP, tendo em vista que as circunstâncias judiciais são favoráveis e a sanção penal não é superior a 08 (oito) anos. Aduz, ainda, que "os elementos utilizados pela c. Câmara de Direito Criminal a fim de apontar a gravidade concreta da conduta são elementos comuns ao crime sob análise, assim, seguindo a lógica adotada, todo aquele que cometesse o crime de roubo em concurso de pessoas ou com emprego de arma branca, deveria iniciar cumprimento de pena em regime fechado, ignorando completamente o princípio da individualização das penas" (fl. 8). Afirma que foi indevidamente considerado a existência de um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) para justificar a fixação do regime mais gravoso, considerando-se que não configura reincidência ou maus antecedentes. Requer, assim, liminarmente e no mérito, que seja alterado o regime inicial de cumprimento da pena para o semiaberto. É o relatório. Decido. Consoante informação obtida no site do Tribunal a quo, ocorreu o trânsito em julgado do acórdão impugnado. Ou seja, o presente Habeas Corpus foi impetrado contra condenação proferida na origem já transitada em julgado e não há, neste Tribunal, julgamento de mérito em relação à ela passível de revisão. Segundo a jurisprudência do STJ, não deve ser conhecido o writ manejado como substitutivo de revisão criminal em hipótese na qual não houve inauguração da competência desta Corte. Isso porque, consoante o artigo 105, inciso I, alínea e, da Constituição Federal, compete ao Superior Tribunal de Justiça julgar, originariamente, somente as revisões criminais e as ações rescisórias de seus próprios julgados. Nesse sentido, vale citar os seguintes julgados colegiados desta Corte: AgRg no HC n. 903.400/RS, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma; DJe de 17.6.2024; AgRg no HC n. 885.889/RS, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 13.6.2024; AgRg no HC n. 852.988/SP, Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 12.6.2024; AgRg no HC n. 908.528/MG, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJe de 28.5.2024; AgRg no HC n. 883.647/MG, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 15.5.2024; AgRg no HC n. 887.735/PE, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 25.4.2024; HC n. 790.768/SP, Rel. Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, DJe de 10.4.2024; AgRg no HC n. 757.635/SC, Rel. Ministro Teodoro Silva Santos, Sexta Turma, DJe de 15.3.2024; AgRg no HC n. 825.424/SP, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 3.7.2024; AgRg no HC n. 820.174/SP, Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 15.8.2024; AgRg no HC n. 913.826/SP, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 3.7.2024. Ademais, não se verifica no julgado impugnado ilegalidade flagrante que justifique a concessão de Habeas Corpus de ofício nos termos do § 2º do artigo 654 do Código de Processo Penal. Ante o exposto, com fundamento no art. 21-E, IV, c/c o art. 210, ambos do RISTJ, indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA