HC 1023142 - DECISAO
Não há manifesta ilegalidade no acórdão do TJSP a autorizar a concessão do habeas corpus; o tribunal de origem apresentou elemento idôneo (circunstâncias judiciais desfavoráveis em face da atuação em organização criminosa e número de investigados) para fixar o regime fechado, e a atenuante da menoridade relativa não...
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- Parties
- Paciente: GUILHERME SOUZA LIMA; Órgão Julgador: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 07 August 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Indeferido Liminarmente
- Outcome
- Habeas Corpus indeferido liminarmente
- Legal Topics
- Regime Inicial De Cumprimento Da Pena, Atenuante Da Menoridade Relativa, Dosimetria Da Pena, Supressão De Instância, Jurisprudência
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Parties
GUILHERME SOUZA LIMA
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Órgão Julgador
Procedural Posture
Habeas Corpus / Indeferido Liminarmente
Legal Issues
- 1 reconhecimento da atenuante da menoridade relativa
- 2 fixação do regime inicial de cumprimento da pena
- 3 cabimento de habeas corpus como substitutivo de recurso próprio
Ratio Decidendi
Não há manifesta ilegalidade no acórdão do TJSP a autorizar a concessão do habeas corpus; o tribunal de origem apresentou elemento idôneo (circunstâncias judiciais desfavoráveis em face da atuação em organização criminosa e número de investigados) para fixar o regime fechado, e a atenuante da menoridade relativa não foi apreciada na origem, de modo que o STJ não pode analisá‑la para evitar supressão de instância, motivo pelo qual a ordem foi indeferida liminarmente com fundamento em precedentes.
Court Disposition
Habeas Corpus indeferido liminarmente
Orders
- Indeferida liminarmente a ordem
- Cientifique-se o Ministério Público Federal
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Habeas Corpus impetrado em favor de GUILHERME SOUZA LIMA em que se aponta como ato coator o acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO assim ementado: Associação para o tráfico de estupefacientes. Sentenciados denunciados juntamente com outros 45 investigados, divididos em oito células diferentes. Prova firme ao imputar a autoria aos recorrentes. Interceptações telefônicas, judicialmente autorizadas, que permitiram a identificação, individualização e descrição da atuação de cada um dos denunciados. Dosimetria da pena. Pleito das Defesas de abrandamento da pena-base e afastamento da causa de aumento de pena. Sentenciados que pertenceriam a organização criminosa com atuação acentuada no Estado de São Paulo, bem como com diversos denunciados que estariam custodiados e, mesmo assim, mantendo contato extramuros com a chefia de pontos de comercialização proscrita. Regime inicial de pena. Pleito Ministerial de agravamento dos regimes dos réus Felipe, Guilherme e Christian. Acolhimento. Circunstâncias judiciais desfavoráveis que autorizam, ainda que em pena menor, a fixação do regime mais severo para início do desconto da pena. Precedente. Apelos defensivos desprovidos. Recurso Ministerial acolhido para modificar o regime inicial de Felipe, Guilherme e Christian para o fechado. Consta dos autos que o paciente foi condenado à pena de 4 anos e 8 meses de reclusão, no regime fechado, pela prática do crime previsto no artigo 35, caput, c/c o art. 40, III, ambos da Lei n. 11.343/2006. Em suas razões, sustenta o impetrante a ocorrência de constrangimento ilegal, porquanto faz jus o paciente ao reconhecimento da atenuante da menoridade relativa, pois , à época dos fatos, era menor de 21 anos. Reconhecida a atenuante acima citada, a pena do paciente seria inferior a 4 anos, autorizando o início de cumprimento de pena no regime aberto e substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos. Subsidiariamente, caso não seja esse o entendimento, deve ser substituído o regime fechado imposto no acórdão para o semiaberto imposto na sentença. Requer, em suma, o reconhecimento da atenuante da menoridade relativa e a alteração do regime inicial de cumprimento da pena. É o relatório. Decido. A Terceira Seção do STJ, no julgamento do HC n. 535.063/SP, firmou o entendimento de que não cabe Habeas Corpus substitutivo de recurso próprio, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada alguma teratologia no ato judicial impugnado (Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, DJe de 25.8.2020). Assim, passo à análise das razões da impetração a fim de verificar se há flagrante ilegalidade que justifique a concessão do writ de ofício. Na espécie, consta do Voto condutor do acórdão impugnado a seguinte fundamentação quanto ao regime inicial de cumprimento da pena: Verifica-se, pois, que as circunstâncias judiciais reforçaram a necessidade de imposição de regime prisional mais severo, na medida em que os recorrentes civis têm a ver com conhecida organização criminosa, tendo as investigações apurado o envolvimento de mais de 40 (quarenta pessoas), divididas, nestes autos, em 8 (oito) células diferentes. E ainda acerca da possibilidade de fixação do regime mais severo em função de circunstâncias judiciais desfavoráveis já se pronunciou o Egrégio Superior Tribunal de Justiça sobre a possibilidade: confira-se no seguinte aresto: AgRg no RHC 160114/SP, Ministro Rogerio Schietti Cruz, D Je 27/06/2022. Nestes termos, portanto, propugnamos o acolhimento da irresignação ministerial para modificar o regime inicial de cumprimento de pena dos sentenciados Felipe, Guilherme e Christian para o fechado (fl. 23). Nos termos dos §§ 2º e 3º do art. 33 do Código Penal, para a fixação do regime inicial de cumprimento de pena o julgador deverá observar a quantidade de pena aplicada, a primariedade do réu e a eventual existência de circunstâncias judiciais desfavoráveis. Além disso, devem ser observados os enunciados das Súmulas n. 440 do Superior Tribunal de Justiça, e nºs. 718 e 719 do Supremo Tribunal Federal, segundos os quais é vedada a fixação de regime prisional mais gravoso do que o cabível em razão da sanção imposta somente com base na gravidade abstrata do delito. Ademais, segundo a jurisprudência do STJ e a legislação pátria, acima citada, é considerada motivação idônea para o fim de imposição de regime mais severo do que a pena aplicada: a) a reincidência, ainda que não seja específica (§ 2º do art. 33 do CP); b) a existência de circunstância judicial desfavorável, nos termos do art. 59 do CP (§ 3º do art. 33 do CP) e; c) a gravidade concreta do delito. Nesse sentido, vale citar os seguintes julgados: EREsp n. 1.970.578/SC, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Terceira Seção, DJe de 6.3.2023; AgRg no AgRg no AREsp n. 2.435.525/SP, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 6.6.2024; AgRg no HC n. 836.416/SP, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 3.5.2024; AgRg no HC n. 859.680/SP, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJe de 14.2.2024; AgRg no HC n. 842.514/SP, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 3.7.2024; AgRg no HC n. 901.630/SP, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 3.7.2024; AgRg no HC n. 905.390/SP, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 12.6.2024; AgRg no AREsp n. 2.465.687/SP, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 11.6.2024. Acresça-se que, de acordo com a Súmula n. 269 do STJ, é admissível a adoção do regime prisional semiaberto para reincidentes condenados a pena igual ou inferior a quatro anos, se favoráveis as circunstâncias judiciais. Nessa linha, o julgado impugnado não diverge da jurisprudência desta Corte, pois, conforme se extrai do trecho do acórdão supratranscrito, há elemento idôneo para a fixação do regime fechado, em especial a valoração negativa de circunstância judicial. Ademais, não há como reconhecer a presença de manifesta ilegalidade quanto à matéria relativa ao reconhecimento da atenuante da menoridade relativa, pois, do que consta dos autos, não foi apreciada no acórdão impugnado, o que impede a manifestação desta Corte sobre a questão, sob pena de indevida supressão de instância. Confira-se, a propósito, os seguintes precedentes: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. HOMICÍDIO QUALIFICADO. INSURGÊNCIA CONTRA ACÓRDÃO TRANSITADO EM JULGADO. MANEJO DO WRIT COMO REVISÃO CRIMINAL. DESCABIMENTO. DOSIMETRIA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. PEDIDO NÃO CONHECIDO. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. O habeas corpus foi impetrado contra acórdão já transitado em julgado. Diante dessa situação, o writ não deve ser conhecido, pois foi manejado como substitutivo de revisão criminal, em hipótese na qual não houve inauguração da competência desta Corte. 2. Não há manifesta ilegalidade na dosimetria a reclamar a concessão da ordem, pois a tese suscitada não foi analisada pela Corte local, motivo pelo qual incabível o exame de tal questão, de forma originária, por este Sodalício, sob pena de indevida supressão de instância. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no HC n. 888.166/SP, Rel. Ministro Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do TJSP), Sexta Turma, DJe de 21.6.2024.) PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO RECEBIDO COMO AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. FUNGIBILIDADE RECURSAL. TRÁFICO DE DROGAS. BUSCA DOMICILIAR. FALTA DE JUSTA CAUSA. BIS IN IDEM NA DOSIMETRIA. APLICAÇÃO DE REGIME MAIS BRANDO. MATÉRIAS NÃO APRECIADAS NA ORIGEM. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. WRIT ORIGINÁRIO NÃO CONHECIDO. CONDENAÇÃO TRANSITADA EM JULGADO. CABIMENTO DE REVISÃO CRIMINAL. AUSÊNCIA DE ILEGALIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Petição recebida como agravo regimental, em homenagem ao princípio da fungibilidade, tendo em vista ausência de previsão legal de pedido de reconsideração. Precedentes. 2. As teses suscitadas pela defesa (violação de domicílio, bis in idem na dosimetria da pena e necessidade de alteração do regime prisional) não foram objeto de exame no acórdão impugnado, o que impede o conhecimento dos temas diretamente por este Tribunal Superior, sob pena de indevida supressão de instância. 3. Não há ilegalidade na decisão do Tribunal de origem que não conheceu do writ originário manejado como substitutivo de revisão criminal. Isso porque a impetração de habeas corpus após o trânsito em julgado da condenação e com a finalidade de desconstituir sentença condenatória definitiva é indevida, sobretudo quando a análise das teses constantes do writ substitutivo demandam revolvimento fático-probatório. 4 . Agravo regimental desprovido. (RCD no HC n. 904.224/AM, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 13.6.2024.) Ainda nesse sentido: AgRg no HC n. 818.823/SP, Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 22.6.2023; AgRg no HC n. 899.551/SC, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 29.4.2024; AgRg no HC n. 897.496/MS, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJe de 23.4.2024; AgRg no HC n. 879.253/SP, Rel. Ministro Teodoro Silva Santos, Sexta Turma, DJe de 21.3.2024; AgRg no HC n. 882.227/RJ, Rel. Ministro Teodoro Silva Santos, Sexta Turma, DJe de 18.32024. Conclui-se, assim, que no caso em análise não há manifesta ilegalidade a ensejar a concessão da ordem de ofício. Ante o exposto, com fundamento no art. 21-E, IV, c/c o art. 210, ambos do RISTJ, indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA