HC 618995 - DECISAO
Não se constatou flagrante constrangimento ilegal que autorizasse atuação ex officio; o Tribunal de origem procedeu corretamente ao manter o regime semiaberto diante da quantidade de droga apreendida (974 comprimidos de ecstasy), que, fundamentadamente, revela maior gravidade do delito e permite a imposição de...
Source-derived case information.
- Parties
- Paciente: RAFAEL ARES DE SOUZA; Autoridade Coatora: Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina (Apelação Criminal n. 0004902-96.2016.8.24.0064)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 08 March 2021
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Não Conhecimento Do Habeas Corpus
- Outcome
- não conheço do presente habeas corpus
- Legal Topics
- Regime Inicial De Cumprimento Da Pena, Tráfico De Drogas, Habeas Corpus, Dosimetria Da Pena
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
RAFAEL ARES DE SOUZA
Paciente
Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina (Apelação Criminal n. 0004902-96.2016.8.24.0064)
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Habeas Corpus / Não Conhecimento Do Habeas Corpus
Legal Issues
- 1 possibilidade de correção ex officio de flagrante constrangimento ilegal
- 2 fixação do regime inicial de cumprimento de pena nos termos do art. 33 do Código Penal
- 3 consideração da quantidade da droga como circunstância judicial para agravar o regime inicial
Ratio Decidendi
Não se constatou flagrante constrangimento ilegal que autorizasse atuação ex officio; o Tribunal de origem procedeu corretamente ao manter o regime semiaberto diante da quantidade de droga apreendida (974 comprimidos de ecstasy), que, fundamentadamente, revela maior gravidade do delito e permite a imposição de regime diverso daquele fixado estritamente pelo art. 33 do Código Penal; assim, não conheço do habeas corpus.
Court Disposition
não conheço do presente habeas corpus
Orders
- liminar indeferida
- Publique-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus com pedido de liminar impetrado em favor de RAFAEL ARES DE SOUZA em que se aponta como autoridade coatora o Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina (Apelação Criminal n. 0004902-96.2016.8.24.0064). O paciente foi condenado à pena de 2 anos e 10 meses de reclusão em regime inicial semiaberto e de 278 dias-multa, pela prática do delito descrito no art. 33, caput, da Lei n. 11.343/2006. A impetrante requer, liminarmente e no mérito, a fixação do regime aberto para o início de cumprimento da pena. A liminar foi indeferida à fl. 49. As informações foram prestadas às fls. 53-106. O Ministério Público Federal manifestou-se pela denegação da ordem (fls. 110-115). É o relatório. Decido Ainda que inadequada a impetração de habeas corpus em substituição a recurso constitucional próprio, diante do disposto no art. 654, § 2º, do Código de Processo Penal, o STJ considera passível de correção de ofício o flagrante constrangimento ilegal. Na hipótese, não constato a existência de flagrante constrangimento ilegal que autorize a atuação ex officio. Com relação ao regime inicial de cumprimento de pena, o Tribunal de origem manteve o semiaberto. Para tanto, adotou a seguinte fundamentação (fl 43): No caso em comento, a quantidade de entorpecentes apreendidos por si só, já confere ao delito uma gravidade concreta o que seria suficiente para a aplicação do regime semiaberto para o início do resgate da reprimenda. De fato, foram apreendidos 974 (novecentos e setenta e quatro) comprimidos de ecstasy.. O art. 33, §§ 2º, a, b e c, e 3º, do Código Penal estabelece a regra geral para fixação do regime inicial de cumprimento da pena, pautando-se pela quantidade da reprimenda imposta ao final da dosimetria: a) fechado para a pena superior a 8 anos e, em casos de reincidência, para a pena igual ou inferior a 8 e superior a 4 anos; b) semiaberto para a pena igual ou inferior a 8 e superior a 4 anos, se primário o condenado; e c) aberto para a pena de até 4 anos. O juiz pode fixar regime inicial mais gravoso do que aquele relacionado unicamente com o quantum da pena ao considerar a eventual existência de circunstâncias judiciais desfavoráveis, especialmente a natureza ou a quantidade da droga, até mesmo sua forma de acondicionamento, desde que fundamente a decisão (AgRg no HC n. 536.415/RS, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 19/8/2020). No presente caso, embora fixada a pena-base no mínimo, reconhecido o tráfico privilegiado com a redução de 1/6e fixada a pena final em 2 anos 9 meses e 10 dias de reclusão, a quantidade de droga apreendida (974 comprimidos de ecstasy)revela maior gravidade, o que justifica a imposição de regime diverso dos parâmetros previstos no art. 33 do Código Penal, devendo, portanto, ser mantido o regime inicial semiaberto, fixado na origem. Portanto, agiu com acerto o Tribunal a quo, não sendo possível a fixação de regime mais brando. Não se aplicam ao caso as Súmulas n. 440 do STJ e 718 e 719 do STF. Ante o exposto, com fundamento no art. 34, XX, do RISTJ, não conheço do presente habeas corpus. Publique-se. Intimem-se. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Após o trânsito em julgado, remetam-se os autos ao arquivo