HC 661629 - DECISAO
Tendo sido fixada a pena-base no mínimo e sendo o paciente primário com circunstâncias judiciais favoráveis, o regime fechado foi mantido com fundamentação genérica baseada na gravidade abstrata do crime, contrariando as Súmulas 440/STJ e 718/719 do STF; diante do flagrante constrangimento ilegal, concedeu-se a...
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- Parties
- Paciente: MICHAEL JACKSON DA FONSECA SILVA; Órgão Prolator Do Acórdão: Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 August 2021
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão Ordem Concedida De Ofício; Writ Não Conhecido
- Outcome
- Não conheço do writ. Contudo, concedo a ordem de ofício para fixar o regime semiaberto para início do cumprimento da pena, mantidos os demais termos da condenação.
- Legal Topics
- Regime Inicial De Cumprimento De Pena, Dosimetria, Súmulas 440/stj, 718 E 719/stf, Habeas Corpus Substitutivo, Constrangimento Ilegal
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Parties
MICHAEL JACKSON DA FONSECA SILVA
Paciente
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
Órgão Prolator Do Acórdão
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão Ordem Concedida De Ofício; Writ Não Conhecido
Legal Issues
- 1 fixação do regime inicial de cumprimento de pena
- 2 aplicabilidade das Súmulas 440/STJ, 718 e 719/STF
- 3 possibilidade de concessão de ordem de ofício em habeas corpus que substitui recurso
Ratio Decidendi
Tendo sido fixada a pena-base no mínimo e sendo o paciente primário com circunstâncias judiciais favoráveis, o regime fechado foi mantido com fundamentação genérica baseada na gravidade abstrata do crime, contrariando as Súmulas 440/STJ e 718/719 do STF; diante do flagrante constrangimento ilegal, concedeu-se a ordem de ofício para que o início do cumprimento da pena se dê em regime semiaberto, nos termos do art. 33, § 2º, "b", c/c art. 33, § 3º e art. 59 do Código Penal.
Court Disposition
Não conheço do writ. Contudo, concedo a ordem de ofício para fixar o regime semiaberto para início do cumprimento da pena, mantidos os demais termos da condenação.
Orders
- Não conheço do writ (habeas corpus substitutivo).
- Concedo a ordem de ofício para fixar o regime semiaberto para início do cumprimento da pena, mantidos os demais termos da condenação.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus, com pedido liminar, impetrado em favor de MICHAEL JACKSON DA FONSECA SILVA contra acórdão prolatado pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Depreende-se dos autos que o paciente foi condenado por infração ao art. 157, § 2º, II, por duas vezes, na forma do art. 70, ambos do Código Penal, às penas de 06 anos, 02 meses e 10 dias de reclusão, no regime inicial fechado, e 15 dias-multa. Irresignada, a defesa interpôs recurso de apelação ao Tribunal de origem, que negou provimentoao apelo, nos termos do acórdão juntado às fls. 28-34. No presente writ, o impetrante alega que houve afronta aos enunciados das Súmulas n. 718 e n. 719 do Supremo Tribunal Federal e Súmula n. 440 desta Corte Superior, ao argumento de que o regime inicial de cumprimento de pena foi fixado com base na gravidade abstrata do crime praticado. Requer, ao final, a concessão da ordem, para fixar o regime semiaberto, para início de cumprimento da pena (fls. 3-9). O pedido liminar foi indeferido (fls. 37-38). As informações foram prestadas às fls. 42-60. O Ministério Público Federal, às fls. 64-69, manifestou-se nos termos da seguinte ementa: "HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. ROUBO MAJORADO. DOSIMETRIA. FIXAÇÃO DE REGIME PRISIONAL MAIS GRAVOSO. POSSIBILIDADE. PARECER PELO NÃO CONHECIMENTO DA IMPETRAÇÃO OU PELA DENEGAÇÃO DA ORDEM." É o relatório. Decido. A Terceira Seção desta Corte, seguindo entendimento firmado pela Primeira Turma do col. Pretório Excelso, firmou orientação no sentido de não admitir a impetração de habeas corpus em substituição ao recurso adequado, situação que implica o não conhecimento do ato, salvos os casos excepcionais em que, configurada flagrante ilegalidade apta a gerar constrangimento ilegal, seja possível a concessão da ordem de ofício. Destarte, passo ao exame das razões veiculadas no mandamus. O impetrante alega que houve afronta aos enunciados das Súmulas n. 718 e n. 719 do Supremo Tribunal Federal e Súmula n. 440 desta Corte Superior, ao argumento de que o regime inicial de cumprimento de pena foi fixado com base na gravidade abstrata do crime praticado. Em relação ao regime inicial de cumprimento de pena, conforme o disposto no artigo 33, § 3º, do Código Penal, a sua fixação pressupõe a análise do quantum da pena, bem como das circunstâncias judiciais previstas no artigo 59 do mesmo diploma legal. Sobre o tema, esta Corte Superior editou a Súmula n. 440, que dispõe: "Fixada a pena-base no mínimo legal, é vedado o estabelecimento de regime prisional mais gravoso do que o cabível em razão da sanção imposta, com base apenas na gravidade abstrata do delito." Nesse mesmo sentido, as Súmulas 718 e 719 do Supremo Tribunal Federal, respectivamente, in verbis: "A opinião do julgador sobre a gravidade em abstrato do crime não constitui motivação idônea para a imposição de regime mais severo do que o permitido segundo a pena aplicada." "A imposição do regime de cumprimento mais severo do que a pena aplicada permitir exige motivação idônea." Dessa forma, para o estabelecimento de regime de cumprimento de pena mais gravoso, é necessária fundamentação específica, com base em elementos concretos extraídos dos autos. Quanto ao punctum saliens, na hipótese, o regime fechado foi mantido com base em considerações vagas e genéricas relativas à gravidade abstrata do crime, em clara violação aos enunciados das Súmulas n. 718 e n. 719 do Supremo Tribunal Federal e Súmula n. 440 desta Corte Superior, configurando-se, assim, o constrangimento ilegal. Desse modo, sendo o paciente primário e fixada a pena-base no mínimo legal, eis que favoráveis todas as circunstâncias judiciais do art. 59 do Código Penal, o regime inicial semiaberto se mostra o mais adequado para o resgate da reprimenda, nos termos do art. 33, § 2º, "b", do Código Penal. Nesse sentido: "CONSTITUCIONAL E PENAL. HABEAS CORPUS. ROUBO. IMPOSIÇÃO DO REGIME FECHADO. CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO VÁLIDA. SÚMULA 440/STJ. ORDEM NÃO CONHECIDA E HABEAS CORPUS CONCEDIDO DE OFÍCIO. .. 2. Os fundamentos genéricos utilizados do decreto condenatório não constituem motivação suficiente para justificar a imposição de regime prisional mais gravoso que o estabelecido em lei (art. 33, §§ 2º e 3º, do Código Penal), contrariando a Súmula 440 deste Superior Tribunal. 3. A teor dos artigos 33, §§ 2º, alínea "b", e 3º, c/c 59, ambos do CP, não se afigura idônea a justificativa apresentada para afastar a aplicação ao caso concreto do regime semiaberto para cumprimento inicial da pena privativa de liberdade. 4. Estabelecida a pena-base no mínimo legal, pois o Julgador de 1º grau não entendeu que as circunstâncias do crime desbordavam das ínsitas ao crime de roubo, não se afigura razoável a imposição de regime prisional mais gravoso do que o indicado pela quantidade de pena fundada na gravidade abstrata do delito. Além disso, o simples fato de o paciente ter sido beneficiado com o reconhecimento da continuidade delitiva não permite o recrudescimento do meio prisional de desconto da reprimenda. 5. Habeas corpus não conhecido. Ordem concedida de ofício, a fim de estabelecer o regime prisional semiaberto para o desconto da sanção corporal imposta ao paciente, salvo se, por outro motivo, estiver descontando pena em regime mais severo" (HC n. 356.130/SP, Quinta Turma, Rel. Min. Ribeiro Dantas, DJe de 14/11/2016). Ante o exposto, não conheço do writ. Contudo, concedo a ordem de ofício, para fixar o regime intermediário (semiaberto), para o início do desconto da reprimenda, mantidos os demais termos da condenação. P. e I.