HC 704750 - DECISAO
Não se conheceu do habeas corpus por ausência de flagrante ilegalidade; entretanto, de ofício, foi concedida ordem apenas para realinhar a fração da pena nos termos da Súmula 443, reduzindo a pena para 5 anos e 4 meses e mantendo-se o regime fechado em razão da fundamentação idônea baseada na gravidade concreta do...
Source-derived case information.
- Parties
- Paciente: JONATHAS PEIXOTO DE SOUSA; Órgão Julgador De Origem: Tribunal de Justiça do Estado do São Paulo
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 10 November 2021
- Procedural Posture
- Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio / Decisão De Não Conhecimento E Exame De Ordem De Ofício
- Outcome
- Não conheço do habeas corpus; concedida ordem de ofício para reduzir a pena e mantida a sentença e o regime fechado.
- Legal Topics
- Regime Inicial De Cumprimento De Pena, Dosimetria Da Pena, Gravidade Concreta, Súmulas 440 E 443/stj
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
JONATHAS PEIXOTO DE SOUSA
Paciente
Tribunal de Justiça do Estado do São Paulo
Órgão Julgador De Origem
Procedural Posture
Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio / Decisão De Não Conhecimento E Exame De Ordem De Ofício
Legal Issues
- 1 cabimento de habeas corpus substitutivo de recurso próprio
- 2 possibilidade de fixação de regime inicial mais gravoso apesar de pena-base no mínimo
- 3 necessidade de fundamentação concreta para imposição de regime mais gravoso
Ratio Decidendi
Não se conheceu do habeas corpus por ausência de flagrante ilegalidade; entretanto, de ofício, foi concedida ordem apenas para realinhar a fração da pena nos termos da Súmula 443, reduzindo a pena para 5 anos e 4 meses e mantendo-se o regime fechado em razão da fundamentação idônea baseada na gravidade concreta do delito (uso de arma de fogo, concurso de agentes e prática no local de trabalho do paciente).
Court Disposition
Não conheço do habeas corpus; concedida ordem de ofício para reduzir a pena e mantida a sentença e o regime fechado.
Orders
- Não conhecer do habeas corpus impetrado.
- Conceder a ordem de ofício para realinhar a pena, reduzindo-a para 5 anos e 4 meses de reclusão.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus substitutivo de recurso próprio, com pedido de liminar, impetrado em favor de JONATHAS PEIXOTO DE SOUSAcontra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do São Paulo. Consta dos o paciente foi condenado à pena de 5 anos e 6 meses de reclusão, em regime inicial fechado, por incurso nas sanções do art. 157, § 2º, incisos I e II, do Código Penal. Após o trânsito em julgado do decreto prisional, a defesa impetrou writ perante a Corte de origem, ao qual foi concedida parcialmente a ordem de ofício, readequando a pena para 5 anos e4 meses de reclusão e mantido o regime fechado. Neste writ, a defesa pugna pela aplicação do regime semiaberto, ante a fundamentação genérica para a imposição do regime mais gravoso, baseada na gravidade abstrata do delito. É o relatório. Decido. Esta Corte -HC 535.063, TerceiraSeção, Rel. Ministro Sebastião Reis Junior, julgado em 10/6/2020 - e o Supremo Tribunal Federal - AgRg no HC 180.365, PrimeiraTurma, Rel. Min.Rosa Weber, julgado em 27/3/2020; AgRg no HC 147.210, SegundaTurma, Rel. Min.Edson Fachin, julgado em 30/10/2018 -, pacificaram orientação no sentido de que não cabe habeas corpus substitutivo do recurso legalmente previsto para a hipótese, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada a existência de flagrante ilegalidade no ato judicial impugnado. Assim, passo à análise das razões da impetração, de forma a verificar a ocorrência de flagrante ilegalidade a justificar a concessão do habeas corpus, de ofício. No caso, não se observa flagrante ilegalidade a justificar a concessão do habeas corpus, de ofício. Está inscrito no acórdão impugnado: "Contudo, segundo o entendimento unânime da Turma julgadora, na terceira fase do processo dosimétrico, deve-se realinhar a fração adotada de 3/8 (três oitavos) para 1/3 (um terço), nos termos do enunciado da Súmula nº 443, editada pelo colendo Superior Tribunal de Justiça, diante da ausência de motivação e fundamentação concreta para se elevar a fração mínima prevista na norma penal. Assim, reduz-se a pena final do paciente para 5 (cinco) anos e 4 (quatro) meses de reclusão, mais o pagamento de 13 (treze) dias-multa no mínimo legal. No tocante ao regime imposto em sentença, não obstante o quantum de pena aplicado, o fechado é o único possível a ser aplicado à hipótese, tendo em vista a imprescindibilidade de maior rigor frente à gravidade concreto do delito de roubo, que se valeu de emprego de arma de fogo em comparsaria, além de ter sido praticado no local onde o autor do crime, no caso o paciente, prestava serviço. Assim, ante o exposto, não conheço do habeas corpus. Entretanto, concedo a ordem de ofício para realinhar a pena imposta ao paciente, reduzindo-a para 5 (cinco) anos e 4 (quatro) meses de reclusão, mais o pagamento de 13 (treze) dias-multa no mínimo legal, mantida no mais a r. sentença por seus bem lançados fundamentos jurídicos, bem com a prisão penal do pacientel" (e-STJ, fl. 26,grifou-se). Com efeito, os fundamentos mantidos pela Corte de origemnão podem ser tidos por genéricos e, portanto, constituem motivação suficiente para justificar a imposição de regime prisional mais gravoso que o estabelecido em lei (art. 33, §§ 2º e 3º, do Código Penal), não havendo falar em violação da Súmula 440/STJ, bem como dos verbetes sumulares 718 e 719 do Supremo Tribunal Federal. Ocrime foi perpetrado em concurso de agentes, com o emprego de arma de fogo e no local de trabalho do paciente,descabendo falar em fixação de meio prisional semiaberto,dada a maior reprovabilidade da conduta, em atendimento ao princípio da individualização da pena. Por certo, nada obstante o fato de a pena-base ter sido imposta no piso legal, o estabelecimento do regime mais severo do que o indicado pelo quantum da reprimenda baseou-se na gravidade concreta do delito. Em verdade, a aplicação de pena no patamar mínimo previsto no preceito secundário na primeira fase da dosimetria não conduz, obrigatoriamente, à fixação do regime indicado pela quantidade de sanção corporal, sendo lícito ao julgador impor regime mais rigoroso do que o indicado pela regra geral do art. 33, §§ 2º e 3º, do Estatuto Repressor, desde que mediante fundamentação idônea. Nesse sentido: "AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. DELITO DE ROUBO MAJORADO EM CONCURSO FORMAL. REGIME INICIAL PARA O CUMPRIMENTO DA PENA. GRAVIDADE CONCRETA DO CRIME. NÃO INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 440/STJ. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. DECISÃO MANTIDA. 1. Fixada a pena-base no mínimo legal, é vedado o estabelecimento de regime prisional mais gravoso do que o cabível em razão da sanção imposta, com base apenas na gravida abstrata do delito. (Súmula n. 440 do STJ). 2. Não obstante seja a primariedade e a inexistência de circunstâncias judiciais desfavoráveis, cabível a fixação do regime inicial mais gravoso com base na gravidade concreta do crime, praticado em concurso de vários agentes, com posse de diversas armas de fogo (revólveres e metralhadoras) e com restrição à liberdade das vítimas, que foram rendidas, amarradas e colocadas no vestiário da empresa, ali ficando até a manhã seguinte. 3. Mantém-se integralmente a decisão agravada cujos fundamentos estão em conformidade com o entendimento do STJ sobre a matéria suscitada. 4. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC 595.707/SP, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, QUINTA TURMA, julgado em 13/10/2020, DJe 20/10/2020). "AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. OFENSA AO PRINCÍPIO DA COLEGIALIDADE. INEXISTÊNCIA. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE NO REGIME INICIAL DE PENA. EXISTÊNCIA DE ELEMENTOS CONCRETOS A DETERMINAR A MAIOR GRAVIDADEDO DELITO. ELEMENTO APTO A JUSTIFICAR O REGIMEINICIAL MAIS GRAVOSO. ACÓRDÃO IMPUGNADO EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE. 1. Não constitui ofensa ao princípio da colegialidade a decisão monocrática do relator, tendo em vista a possibilidade de submissão do julgado ao exame do órgão colegiado, mediante a interposição de agravo regimental. Precedentes 2. A estreita via do habeas corpus apenas admite a revisão da dosimetria da pena, e seus consectários, nas hipóteses de ofensa aos critérios legais ou flagrante desarrazoabilidade. 3. Não há ilegalidade flagrante na hipótese vertente, porquanto, não obstante a tenha sido fixada no mínimolegal, a jurisprudência desta Corte admite a fixação de regime mais gravoso quando demonstrada a gravidade concreta do delito perpetrado, como na hipótese vertente, em que o roubo ocorreu mediante a invasão da residência das vítimas, que foram amarradas e ameaçadas com uma faca.4. Agravo regimental improvido" (AgRg no HC 563.481/SP, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA TURMA, julgado em 18/08/2020, DJe 24/08/2020). Ante o exposto, não conheço do writ. Publique-se. Intimem-se.