HC 684242 - DECISAO
Não conhecer do habeas corpus porque, embora o meio não substitua o recurso adequado, não se verificou flagrante ilegalidade apta a ensejar medida de ofício; o Tribunal de origem fundamentou concretamente a imposição do regime inicial fechado com base no quantum da pena e nas circunstâncias do caso (emprego de arma,...
Source-derived case information.
- Parties
- Paciente: ALEXSANDRO EDUARDO PONTES DA SILVA; Paciente: JOÃO PAULO CIRILO DOS SANTOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 December 2021
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- não conheço do presente habeas corpus
- Legal Topics
- Regime Inicial De Cumprimento De Pena, Dosimetria, Majorante Do Emprego De Arma De Fogo, Súmulas 440/718/719
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
ALEXSANDRO EDUARDO PONTES DA SILVA
Paciente
JOÃO PAULO CIRILO DOS SANTOS
Paciente
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 fixação do regime inicial de cumprimento de pena
- 2 admissibilidade de habeas corpus para reexame de dosimetria
- 3 aplicação das Súmulas 440 do STJ e 718 e 719 do STF
Ratio Decidendi
Não conhecer do habeas corpus porque, embora o meio não substitua o recurso adequado, não se verificou flagrante ilegalidade apta a ensejar medida de ofício; o Tribunal de origem fundamentou concretamente a imposição do regime inicial fechado com base no quantum da pena e nas circunstâncias do caso (emprego de arma, atuação em concurso de agentes, resistência e troca de tiros), nos termos do art. 33, § 3º e art. 59 do Código Penal, o que afasta a alegação de aplicação apenas da gravidade abstrata.
Court Disposition
não conheço do presente habeas corpus
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus, com pedido liminar, impetrado em favor de ALEXSANDRO EDUARDO PONTES DA SILVA e JOÃO PAULO CIRILO DOS SANTOS contra o v. acórdão prolatado pelo eg. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Depreende-se dos autos que os pacientes foram condenados por infração ao art. 157, § 2º, II, e ao art. 329, ambos na forma do art. 69, todos do Código Penal, às reprimendas de 06 anos, 02 meses e 20 dias de reclusão, em regime inicial fechado, e 14 dias-multa e de 02 meses de detenção, em regime inicial aberto. Irresignadas, a defesa e a acusação interpuseramrecurso de apelação perante o eg. Tribunal de origem, que deu parcial provimento aosapelos, a fim de afastar a majoração das penas-base do crime de roubo epara reconhecer a majorante do emprego de arma de fogo e condenar os réus como incursos no art. 157, § 2º, II, e § 2º-A, 1, da Lei Penal Substantiva, do que resultou a sanção para eles de 06 anos e 08 meses de reclusão e 16 dias-multa, nos termos do acórdão juntado às fls. 593-602, com a seguinte ementa: "APELAÇÃO CRIMINAL - ROUBO MAJORADO E RESISTÊNCIA - Crime de roubo praticado em concurso de agentes - Autoria e materialidade dos delitos demonstradas - Prova suficiente para o decreto condenatório - Majorante do emprego de arma de fogo que também deve ser considerada, eis que comprovada pela prova oral - Penas do delito de roubo mitigadas na primeira fase do cálculo dosimétrico e exasperada na terceira etapa - Necessidade - Regime prisionais conservados - Recurso ministerial provido, provendo-se parcialmente os defensivos." Opostos embargos de declaração em prol dos pacientes, foram eles acolhidos parcialmente pela Turma Julgadora (fls. 637-641). No presente writ, o impetrante sustenta que houve afronta aos enunciados das Súmulas n. 718 e n. 719 do Supremo Tribunal Federal e Súmula n. 440 desta Corte Superior, ao argumento de que o regime inicial de cumprimento de pena foi fixado com base na gravidade abstrata do crime. Requer, ao final, a concessão da ordem, para fixar o regime semiaberto, para início de cumprimento das penas (fls. 3-11). O pedido liminar foi indeferido (fls. 659-660). As informações foram prestadas às fls. 668-699. O Ministério Público Federal, às fls. 701-709, manifestou-se consoante a seguinte ementa: "PENAL. PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. ARTIGO 157, § 2º, INCISO II, e § 2º - A, INCISO I,DO CÓDIGO PENAL. REVISÃO DE DOSIMETRIA - IMPROCEDÊNCIA - AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO - INOCORRÊNCIA - LIVRE CONVECIMENTO FUNDAMENTADO DO JULGADOR- REEXAME DOS FATOS - CONSTRANGIMENTO ILEGAL - INOCORRÊNCIA. PARECER PELA DENEGAÇÃO DA ORDEM." É o relatório. Decido. A Terceira Seção desta Corte, seguindo entendimento firmado pela Primeira Turma do col. Pretório Excelso, firmou orientação no sentido de não admitir a impetração de habeas corpus em substituição ao recurso adequado, situação que implica o não conhecimento do ato, salvos os casos excepcionais em que, configurada flagrante ilegalidade apta a gerar constrangimento ilegal, seja possível a concessão da ordem de ofício. Dessarte, passo ao exame das razões veiculadas no mandamus. O impetrante sustenta a afronta aos enunciados das Súmulas n. 718 e n. 719 do Supremo Tribunal Federal e Súmula n. 440 desta Corte Superior, ao argumento de que o regime inicial de cumprimento de pena foi fixado com base na gravidade abstrata do crime. Em relação ao regime inicial de cumprimento de pena, conforme o disposto no artigo 33, parágrafo 3º, do Código Penal, a sua fixação pressupõe a análise do quantum da pena, bem como das circunstâncias judiciais previstas no artigo 59 do mesmo diploma legal. Sobre o tema, esta Corte Superior editou a Súmula n. 440, que dispõe: "Fixada a pena-base no mínimo legal, é vedado o estabelecimento de regime prisional mais gravoso do que o cabível em razão da sanção imposta, com base apenas na gravidade abstrata do delito." Nesse mesmo sentido, as Súmulas 718 e 719 do Supremo Tribunal Federal, respectivamente, in verbis: "A opinião do julgador sobre a gravidade em abstrato do crime não constitui motivação idônea para a imposição de regime mais severo do que o permitido segundo a pena aplicada." "A imposição do regime de cumprimento mais severo do que a pena aplicada permitir exige motivação idônea." Dessa forma, para o estabelecimento de regime de cumprimento de pena mais gravoso, é necessária fundamentação específica, com base em elementos concretos extraídos dos autos. Na hipótese, o eg. Tribunal de origem bem fundamentou a fixação do regime mais gravoso, pois, "embora primários, os réus revelaram ousadia e periculosidade diferenciada ao abordar as vítimas em plena via pública, mediante emprego de arma de fogo, para a prática da subtração de seus bens, na companhia de outros dois agentes, além de resistirem à prisão, entrando inclusive em troca de tiros com a polícia, não merecendo, bem por isso, iniciar as sanções corporais em regimes prisionais mais brandos, que não se mostram, no caso em análise, suficientes à prevenção e reprovação dos delitos por eles perpetrados", elementos concretos que justificam o recrudescimento do regime inicial de cumprimento das penas. Assim, considerando o quantum de pena estabelecidoe a fundamentação concreta levada a efeito pelo eg. Tribunal de origem, o regime mais gravoso sequente, qual seja, o fechado, mostra-se adequado ao caso, nos termos do artigo 33, parágrafo 3º do Código Penal. Nesse sentido: "AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONFISSÃO ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. MERO RECONHECIMENTO DA APREENSÃO DA DROGA. COAÇÃO ILEGAL NÃO EVIDENCIADA. INSURGÊNCIA DESPROVIDA. 1. Sabe-se que nos casos em que a confissão do agente é utilizada como fundamento para embasar a conclusão condenatória, a atenuante prevista no art. 65, inciso III, alínea d, do CP, deve ser aplicada em seu favor, pouco importando se a admissão da prática do ilícito foi espontânea ou não, integral ou parcial ou se houve retratação posterior em juízo. 2. Entretanto, in casu, não obstante o acusado tenha admitido a apreensão da droga, não reconheceu a traficância e imputou a propriedade ao corréu, o que é insuficiente para reconhecer a incidência da referida atenuante. REGIME INICIAL FECHADO. POSSIBILIDADE. GRAVIDADE CONCRETA DO CRIME. ELEVADA QUANTIDADE DE ENTORPECENTE. MODO MAIS GRAVOSO JUSTIFICADO. ILEGALIDADE INEXISTENTE. 1. A teor da jurisprudência reiterada deste Sodalício, a escolha do regime inicial não está atrelada, de modo absoluto, ao quantum da pena corporal firmada, devendo-se considerar as demais circunstâncias do caso versado. 2. Na espécie, estabelecida a sanção em patamar superior a 4 anos e inferior a 8 anos de reclusão, a gravidade concreta do crime, evidenciada pela expressiva quantidade de droga que motivou a fixação da pena-base acima do mínimo legal, é justificável a imposição do modo prisional fechado. 3. Agravo improvido." (AgRg no AgRg no AREsp 1210932/SP, Quinta Turma, Rel. Ministro Jorge Mussi, DJe 15/06/2018). Ante o exposto, não conheço do presente habeas corpus. P. e I.