HC 907550 - DECISAO
O pedido de liminar foi indeferido porque o Superior Tribunal de Justiça não conhece de habeas corpus contra decisão que indeferiu liminar no tribunal de origem enquanto o mérito do writ não foi julgado, em razão da Súmula 691 do STF, salvo demonstração de flagrante ilegalidade, a qual não restou demonstrada no caso...
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- Parties
- Paciente: LAUIR BOHT; Coator: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 April 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Liminar Indeferida
- Outcome
- liminar indeferida
- Legal Topics
- Regime Inicial De Cumprimento De Pena, Maus Antecedentes, Direito Ao Esquecimento, Atenuante Da Confissão Espontânea, Súmula 691/stf
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Parties
LAUIR BOHT
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINA
Coator
Procedural Posture
Habeas Corpus / Liminar Indeferida
Legal Issues
- 1 cabimento de habeas corpus contra decisão que indeferiu liminar em tribunal de origem
- 2 aplicação da Súmula 691 do STF e necessidade de demonstração de flagrante ilegalidade para sua superação
- 3 valoração dos maus antecedentes para fixação do regime inicial de cumprimento de pena
Ratio Decidendi
O pedido de liminar foi indeferido porque o Superior Tribunal de Justiça não conhece de habeas corpus contra decisão que indeferiu liminar no tribunal de origem enquanto o mérito do writ não foi julgado, em razão da Súmula 691 do STF, salvo demonstração de flagrante ilegalidade, a qual não restou demonstrada no caso concreto; assim, é prudente aguardar o julgamento do habeas corpus na instância de origem.
Court Disposition
liminar indeferida
Orders
- Indefiro liminarmente o presente habeas corpus com fundamento no art. 21-E, IV, c/c o art. 210, ambos do RISTJ.
- Cientifique-se o Ministério Público Federal.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de habeas corpus, com pedido de liminar, impetrado em favor de LAUIR BOHT em que se aponta como ato coator a decisão monocrática de desembargador do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINA que indeferiu o pedido de liminar formulado no HC n. 5021209-57.2024.8.24.0000. Consta dos autos que o paciente foi condenado à pena de 03 anos, 02 meses e 03 dias de reclusão, em regime semiaberto, além do pagamento de 14 dias-multa, pela prática do delito capitulado no art. 155, § 4º, inciso II, do Código Penal, por duas vezes, na forma do art. 71 do mesmo diploma legal. Interposto recurso de apelação pela defesa, a Corte de origem conheceu parcialmente do recurso e o desproveu, reconhecendo de ofício a atenuante da confissão espontânea, readequando a pena do paciente para 02 anos e 10 meses de reclusão, mantido o regime semiaberto. Em suas razões, sustenta o impetrante a ocorrência de constrangimento ilegal, uma vez que o magistrado sentenciante fixou o regime inicial semiaberto para o cumprimento de pena, com fundamento em uma única condenação utilizada para valorar negativamente a vetorial dos maus antecedentes. Ressalta, ademais, a necessidade do afastamento da circunstância judicial dos maus antecedentes, uma vez que o paciente possui apenas uma condenação, que teria ocorrido em 2009, com trânsito em julgado em setembro de 2013, defendendo, deste modo, a aplicação do direito ao esquecimento. Requer, assim, liminarmente e no mérito, a alteração do regime inicial de cumprimento de pena do paciente para o aberto. É, no essencial, o relatório. Decido. Constata-se, desde logo, que a pretensão não pode ser acolhida por esta Corte Superior, pois a matéria não foi examinada pelo tribunal de origem, que ainda não julgou o mérito do writ originário. Aplica-se à hipótese o enunciado 691 da Súmula do STF: Não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer de habeas corpus contra decisão do relator que, em habeas corpus requerido a Tribunal Superior, indefere a liminar. Confiram-se, a propósito, os seguintes precedentes: AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. .. WRIT IMPETRADO CONTRA DECISÃO QUE INDEFERIU LIMINAR NO TRIBUNAL A QUO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA n. 691/STF. PRISÃO PREVENTIVA. GRAVIDADE CONCRETA DA CONDUTA. PRISÃO DOMICILIAR. AUSÊNCIA DE PROVA INEQUÍVOCA DE QUE O RÉU ESTEJA EXTREMAMENTE DEBILITADO. EXCESSO DE PRAZO NA FORMAÇÃO DA CULPA. AUSÊNCIA DE FLAGRANTE ILEGALIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. O Superior Tribunal de Justiça tem compreensão firmada no sentido de não ser cabível habeas corpus contra decisão que indefere o pleito liminar em prévio mandamus, a não ser que fique demonstrada flagrante ilegalidade. Inteligência do verbete n. 691 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. 2. .. 3. .. 4. A demora ilegal não resulta de um critério aritmético, mas de aferição realizada pelo julgador, à luz dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, levando em conta as peculiaridades do caso concreto, de modo a evitar retardo injustificado na prestação jurisdicional. 5. .. 6. Ausência de flagrante ilegalidade a justificar a superação da Súmula 691 do STF. 7. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 778.187/PE, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 8/11/2022, DJe de 16/11/2022.) AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. PETIÇÃO INICIAL IMPETRADA CONTRA DECISÃO INDEFERITÓRIA DE LIMINAR PROFERIDA EM HABEAS CORPUS PROTOCOLADO NA ORIGEM, CUJO MÉRITO AINDA NÃO FOI JULGADO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA DE TERATOLOGIA. IMPOSSIBILIDADE DE SUPERAÇÃO DO ÓBICE PROCESSUAL REFERIDO NA SÚMULA N. 691 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. WRIT INCABÍVEL. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Em regra, não se admite habeas corpus contra decisão denegatória de liminar proferida em outro writ na instância de origem, salvo nas hipóteses em que se evidenciar situação absolutamente teratológica e desprovida de qualquer razoabilidade (por forçar o pronunciamento adiantado da Instância Superior e suprimir a jurisdição da Inferior, em subversão à regular ordem de competências). Na espécie, não há situação extraordinária que justifique a reforma da decisão em que se indeferiu liminarmente a petição inicial. 2. .. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 763.329/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 14/9/2022, DJe de 27/9/2022.) In casu, não visualizo manifesta ilegalidade a autorizar que se excepcione a aplicação do referido verbete sumular, pois trata-se de matéria sensível e que demanda maior reflexão, sendo prudente, portanto, aguardar o julgamento definitivo do habeas corpus impetrado no tribunal de origem antes de eventual intervenção desta Corte Superior. Ante o exposto, com fundamento no art. 21-E, IV, c/c o art. 210, ambos do RISTJ, indefiro liminarmente o presente habeas corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA