AREsp 2709575 - DECISAO
Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial, mantendo-se o regime semiaberto fixado pelo Tribunal de origem em razão da reincidência do réu, nos termos da Súmula 269 do STJ e do art. 33, § 2º, "c", do Código Penal, e observando-se que a fixação do regime inicial deve considerar as diretrizes dos arts. 33...
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- Parties
- Agravante: JOSÉ RODRIGUES OLIVEIRA FILHO; Manifestante: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 September 2024
- Procedural Posture
- Agravo Contra Inadmissão De Recurso Especial / Juízo Prévio De Admissibilidade / Decisão Do Agravo
- Outcome
- Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial
- Legal Topics
- Regime Inicial De Cumprimento De Pena, Reincidência, Dosimetria Da Pena, Súmula 269 Do STJ, Art. 33 Do Código Penal
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Parties
JOSÉ RODRIGUES OLIVEIRA FILHO
Agravante
Ministério Público Federal
Manifestante
Procedural Posture
Agravo Contra Inadmissão De Recurso Especial / Juízo Prévio De Admissibilidade / Decisão Do Agravo
Legal Issues
- 1 Possibilidade de modificação do regime inicial de cumprimento de pena contra decisão que o fixou em regime semiaberto para pena de 6 meses
- 2 Aplicabilidade do art. 33, § 2º, "c", do Código Penal em caso de reincidência
- 3 Vinculação (ou não) do regime inicial ao quantum da pena
Ratio Decidendi
Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial, mantendo-se o regime semiaberto fixado pelo Tribunal de origem em razão da reincidência do réu, nos termos da Súmula 269 do STJ e do art. 33, § 2º, "c", do Código Penal, e observando-se que a fixação do regime inicial deve considerar as diretrizes dos arts. 33 e 59 do Código Penal e as circunstâncias fáticas do caso.
Court Disposition
Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial
Orders
- Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial.
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO JOSÉ RODRIGUES OLIVEIRA FILHO agrava de decisão que inadmitiu seu recurso especial, interposto com base no art. 105, III, "a", da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia na Apelação Criminal n. 7001424-61.2022.8.22.0013. Nas razões do recurso especial, a defesa apontou a violação do art. 33, § 2º, "c", do Código Penal, ao argumento de ausência de fundamentação idônea para fixar o regime inicial intermediário. Requer, assim, o provimento do recurso, para que seja fixado regime mais brando. O apelo especial foi inadmitido durante o juízo prévio de admissibilidade, o que ensejou a interposição deste agravo. O Ministério Público Federal manifestou-se pelo não provimento do reclamo (fls. 229-233). Decido. O agravo é tempestivo e infirmou os fundamentos da decisão agravada, razões pelas quais comporta conhecimento. Extrai-se dos autos que o agravante foi condenado à pena de 6 meses de detenção, em regime semiaberto, pela prática do delito previsto no art. 306, § 1º, I, do Código de Trânsito Brasileiro. A Corte estadual manteve o regime inicial semiaberto, diante da reincidência do réu. Quanto à almejada modificação do regime inicial, cumpre enfatizar que esta Corte tem decidido que o modo inicial de cumprimento da pena não está vinculado, de forma absoluta, ao quantum de reprimenda imposto. É dizer, para a escolha do regime prisional, devem ser observadas as diretrizes dos arts. 33 e 59, ambos do Código Penal, além dos dados fáticos da conduta delitiva que, se demonstrarem a gravidade concreta do crime, poderão ser invocados pelo julgador para a imposição de regime mais gravoso do que o permitido pelo quantum da pena (HC n. 279.272/SP, Rel. Ministro Moura Ribeiro, 5ª T., DJe 25/11/2013; HC n. 265.367/SP, Rel. Ministra Laurita Vaz, 5ª T., DJe 19/11/2013; HC n. 213.290/SP, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis Moura, 6ª T., DJe 4/11/2013; HC n. 148.130/MS, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, 6ª T., DJe 3/9/2012). O art. 33, § 3º, do Código Penal estabelece que "a determinação do regime inicial de cumprimento de pena far-se-á com observância dos critérios previstos no art. 59 deste Código". Portanto, as mesmas circunstâncias judiciais aferidas pelo magistrado para fixação da pena-base na primeira fase da dosimetria deverão ser sopesadas na imposição do regime inicial de cumprimento de pena. No caso dos autos, em que pese a reduzida pena aplicada, o regime semiaberto foi fixado, em razão da reincidência ostentada pelo réu, nos termos da Súmula n. 269 deste Superior Tribunal, "É admissível a adoção do regime prisional semi-aberto aos reincidentes condenados a pena igual ou inferior a quatro anos se favoráveis as circunstâncias judiciais." Ademais, saliento a impossibilidade de concessão do regime aberto, pois tal modalidade, a teor do art. 33, § 2º, do CP, é reservada ao "condenado não reincidente". Nesse sentido: .. 2. Em que pese a favorabilidade das circunstâncias judiciais e o quantum de pena inferior a 4 anos de reclusão, entende-se que " a pretensão de abrandamento do regime prisional é contrária à jurisprudência desta Corte, consubstanciada no verbete sumular n. 269, e ao texto expresso da lei, pois o acusado é reincidente e, a teor do art. 33, § 2º, "c", do CP, somente é cabível a fixação do regime inicial aberto ao condenado não reincidente, cuja pena seja igual ou inferior a 4 anos de reclusão" (AgRg no AgRg no AREsp n. 2.406.825/DF, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 10/10/2023, DJe de 18/10/2023). 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 883.060/SP, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 22/4/2024, DJe de 25/4/2024.) Logo, a Corte de origem decidiu a controvérsia em consonância com a jurisprudência consolidada deste Superior Tribunal de Justiça. À vista do exposto, com fundamento no art. 932, VIII, do CPC, c/c o art. 253, parágrafo único, II, "b", parte final, do RISTJ, conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial. Publique-se e intimem-se. EMENTA