AREsp 2499304 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e, no mérito restrito, manteve-se o regime semiaberto por conta da reincidência do recorrido, em conformidade com a Súmula 269 e os critérios dos arts. 33 e 59 do Código Penal; quanto à pretensão de redução da multa, não tendo havido redução da pena privativa de liberdade, a alegação restou...
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- Parties
- Agravante: ARILDO LEAL DA COSTA; Manifestante: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 October 2024
- Procedural Posture
- Agravo / Contra Inadmissão De Recurso Especial (juízo De Admissibilidade)
- Outcome
- Agravo conhecido; recurso especial conhecido parcialmente e negado provimento.
- Legal Topics
- Regime Inicial De Cumprimento De Pena, Dosimetria Da Pena, Reincidência, Pena De Multa, Inadmissão De Recurso Especial, Súmula 269, Súmula 284
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Parties
ARILDO LEAL DA COSTA
Agravante
Ministério Público Federal
Manifestante
Procedural Posture
Agravo / Contra Inadmissão De Recurso Especial (juízo De Admissibilidade)
Legal Issues
- 1 fixação de regime inicial de cumprimento de pena
- 2 possibilidade de regime mais gravoso apesar do quantum da pena
- 3 proporcionalidade e redução da pena de multa
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e, no mérito restrito, manteve-se o regime semiaberto por conta da reincidência do recorrido, em conformidade com a Súmula 269 e os critérios dos arts. 33 e 59 do Código Penal; quanto à pretensão de redução da multa, não tendo havido redução da pena privativa de liberdade, a alegação restou obstada pela deficiência de fundamentação, nos termos da Súmula 284 do STF, motivo pelo qual o recurso especial foi conhecido parcialmente e negado provimento.
Court Disposition
Agravo conhecido; recurso especial conhecido parcialmente e negado provimento.
Orders
- Conheço do agravo para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO ARILDO LEAL DA COSTA agrava de decisão que inadmitiu seu recurso especial, interposto com base no art. 105, III, "a", da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado do Piauí na Apelação Criminal n. 0000303-70.2017.8.18.0089. Nas razões do recurso especial, a defesa apontou a violação dos arts. 33, § 2º, "c" e 60, ambos do Código Penal, ao argumento de ausência de fundamentação idônea para fixar o regime inicial intermediário e desproporcionalidade da pena pecuniária imposta. Requer, assim, o provimento do recurso, para que seja fixado regime mais brando e reduzida a reprimenda de multa. O apelo especial foi inadmitido durante o juízo prévio de admissibilidade, o que ensejou a interposição deste agravo. O Ministério Público Federal manifestou-se pelo não conhecimento do reclamo (fls. 293-299). Decido. O agravo é tempestivo e infirmou os fundamentos da decisão agravada, razões pelas quais comporta conhecimento. Extrai-se dos autos que o agravante foi condenado à pena de 1 ano e 2 meses de reclusão mais 20 dias-multa, em regime semiaberto, pela prática do delito previsto no art. 180 do Código Penal. A Corte estadual manteve o regime inicial semiaberto, diante da reincidência do réu. Quanto à almejada modificação do regime inicial, cumpre enfatizar que esta Corte tem decidido que o modo inicial de cumprimento da pena não está vinculado, de forma absoluta, ao quantum de reprimenda imposto. É dizer, para a escolha do regime prisional, devem ser observadas as diretrizes dos arts. 33 e 59, ambos do Código Penal, além dos dados fáticos da conduta delitiva que, se demonstrarem a gravidade concreta do crime, poderão ser invocados pelo julgador para a imposição de regime mais gravoso do que o permitido pelo quantum da pena (HC n. 279.272/SP, Rel. Ministro Moura Ribeiro, 5ª T., DJe 25/11/2013; HC n. 265.367/SP, Rel. Ministra Laurita Vaz, 5ª T., DJe 19/11/2013; HC n. 213.290/SP, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis Moura, 6ª T., DJe 4/11/2013; HC n. 148.130/MS, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, 6ª T., DJe 3/9/2012). O art. 33, § 3º, do Código Penal estabelece que "a determinação do regime inicial de cumprimento de pena far-se-á com observância dos critérios previstos no art. 59 deste Código". Portanto, as mesmas circunstâncias judiciais aferidas pelo magistrado para fixação da pena-base na primeira fase da dosimetria deverão ser sopesadas na imposição do regime inicial de cumprimento de pena. No caso dos autos, em que pese a reduzida pena aplicada, o regime semiaberto foi fixado, em razão da reincidência ostentada pelo réu, nos termos da Súmula n. 269 deste Superior Tribunal, "É admissível a adoção do regime prisional semi-aberto aos reincidentes condenados a pena igual ou inferior a quatro anos se favoráveis as circunstâncias judiciais." Ademais, saliento a impossibilidade de concessão do regime aberto, pois tal modalidade, a teor do art. 33, § 2º, do CP, é reservada ao "condenado não reincidente". Nesse sentido: .. 2. Em que pese a favorabilidade das circunstâncias judiciais e o quantum de pena inferior a 4 anos de reclusão, entende-se que " a pretensão de abrandamento do regime prisional é contrária à jurisprudência desta Corte, consubstanciada no verbete sumular n. 269, e ao texto expresso da lei, pois o acusado é reincidente e, a teor do art. 33, § 2º, "c", do CP, somente é cabível a fixação do regime inicial aberto ao condenado não reincidente, cuja pena seja igual ou inferior a 4 anos de reclusão" (AgRg no AgRg no AREsp n. 2.406.825/DF, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 10/10/2023, DJe de 18/10/2023). 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 883.060/SP, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 22/4/2024, DJe de 25/4/2024.) Quanto à pena de multa a defesa sustenta que "acolhido o pedido de redução da pena privativa de liberdade, a proporcionalidade é direito do apenado e característica inerente à condenação" (fl. 240). Todavia, não houve redução da reprimenda privativa de liberdade, o que resulta em deficiência na fundamentação e atrai o óbice da Súmula n. 284 do STF, in verbis: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". À vista do exposto, conheço do agravo para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento. Publique-se e intimem-se. EMENTA