HC 955745 - DECISAO
Não se verificou ilegalidade manifesta no acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, pois o voto condutor apresentou motivação idônea para imposição do regime semiaberto, em especial a gravidade concreta do delito (crime com violência cometido contra pessoa idosa e aproveitamento da distração da vítima),...
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- Parties
- Paciente: JOAO VITOR GODOY; Órgão Julgador/ato Coator: TRIBUNAL DE JUSTIÇÃO DO ESTADO DE SÃO PAULO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 29 October 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Liminar Indeferida
- Outcome
- liminar indeferida; habeas corpus não conhecido por ser substitutivo de recurso próprio salvo teratologia; não constatada ilegalidade manifesta
- Legal Topics
- Regime Inicial De Cumprimento De Pena, Dosimetria, Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio, Gravidade Concreta
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Parties
JOAO VITOR GODOY
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇÃO DO ESTADO DE SÃO PAULO
Órgão Julgador/ato Coator
Procedural Posture
Habeas Corpus / Liminar Indeferida
Legal Issues
- 1 cabimento de habeas corpus substitutivo de recurso próprio
- 2 existência de fundamentação idônea para imposição de regime semiaberto
- 3 observância do art. 33, §§ 2º e 3º do Código Penal e das súmulas aplicáveis
Ratio Decidendi
Não se verificou ilegalidade manifesta no acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, pois o voto condutor apresentou motivação idônea para imposição do regime semiaberto, em especial a gravidade concreta do delito (crime com violência cometido contra pessoa idosa e aproveitamento da distração da vítima), em conformidade com os §§2º e 3º do art.33 do CP e com a jurisprudência do STJ, motivo pelo qual o habeas corpus foi liminarmente indeferido.
Court Disposition
liminar indeferida; habeas corpus não conhecido por ser substitutivo de recurso próprio salvo teratologia; não constatada ilegalidade manifesta
Orders
- Indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus
- Cientifique-se o Ministério Público Federal
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Habeas Corpus impetrado em favor de JOAO VITOR GODOY em que se aponta como ato coator o acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO assim ementado: Ementa: apelação criminal defensiva. Roubo. Não provimento do recurso. Materialidade delitiva e autoria comprovadas. Não vinga o pleito de desclassificação para furto. Dosimetria não se altera. Na primeira fase, a pena-base foi fixada no piso. Na segunda fase, concorrem duas atenuantes (confissão espontânea e menoridade relativa, 19 anos de idade, cf. fls. 5) e uma agravante (crime cometido contra vítima maior de sessenta anos, 61 anos de idade no caso, cf. fls. 4), podendo haver compensação integral entre elas. Na terceira fase, ausentes causas de diminuição ou aumento. Total: quatro (4) anos de reclusão e pagamento de dez (10) dias-multa. A pena é final. Regime inicial semiaberto não se modifica. Não se substitui a pena corporal por restritivas de direitos, ausência dos pressupostos legais. Custódia mantida, persistem os motivos para o encarceramento preventivo. Consta dos autos que o paciente foi condenado à pena de 04 anos de reclusão e multa, no regime semiaberto, pela prática do crime previsto no artigo 157, caput, do Código Penal. Em suas razões, sustenta a impetrante a ocorrência de constrangimento ilegal, porquanto não há fundamentação idônea para fixação de regime inicial de cumprimento da pena mais gravoso do que o cabível em razão da pena imposta, considerando o disposto no art. 33, § 2º, do CP, tendo sido considerada somente a gravidade abstrata do delito. Requer, em suma, que seja alterado o regime inicial de cumprimento da pena para o aberto. É o relatório. Decido. A Terceira Seção do STJ, no julgamento do HC n. 535.063/SP, firmou o entendimento de que não cabe Habeas Corpus substitutivo de recurso próprio, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada alguma teratologia no ato judicial impugnado (Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, DJe de 25.8.2020). Assim, passo à análise das razões da impetração a fim de verificar se há flagrante ilegalidade que justifique a concessão do writ de ofício. Na espécie, consta do Voto condutor do acórdão impugnado a seguinte fundamentação quanto ao regime inicial de cumprimento da pena: No caso, ele é tecnicamente primário e sem antecedentes (fls. 21), contudo, praticou delito grave, aproveitou-se da distração da vítima em local de lazer (Parque Aclimação), desferiu-lhe um empurrão e subtraiu o aparelho celular, ciente de que esta circunstância facilitaria a execução do delito, a evidenciar maior reprovabilidade de sua conduta. Dessa maneira, existem razões concretas para a pena não ser em regime mais benéfico. Ele praticou crime com violência e contra pessoa idosa (fl. 23, grifo meu). Nos termos dos §§ 2º e 3º do art. 33 do Código Penal, para a fixação do regime inicial de cumprimento de pena o julgador deverá observar a quantidade de pena aplicada, a primariedade do réu e a eventual existência de circunstâncias judiciais desfavoráveis. Além disso, devem ser observados os enunciados das Súmulas n. 440 do Superior Tribunal de Justiça, e nºs. 718 e 719 do Supremo Tribunal Federal, segundos os quais é vedada a fixação de regime prisional mais gravoso do que o cabível em razão da sanção imposta somente com base na gravidade abstrata do delito. Ademais, segundo a jurisprudência do STJ e a legislação pátria, acima citada, é considerada motivação idônea para o fim de imposição de regime mais severo do que a pena aplicada: a) a reincidência, ainda que não seja específica (§ 2º do art. 33 do CP); b) a existência de circunstância judicial desfavorável, nos termos do art. 59 do CP (§ 3º do art. 33 do CP) e; c) a gravidade concreta do delito. Nesse sentido, vale citar os seguintes julgados: EREsp n. 1.970.578/SC, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Terceira Seção, DJe de 6.3.2023; AgRg no AgRg no AREsp n. 2.435.525/SP, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 6.6.2024; AgRg no HC n. 836.416/SP, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 3.5.2024; AgRg no HC n. 859.680/SP, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJe de 14.2.2024; AgRg no HC n. 842.514/SP, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 3.7.2024; AgRg no HC n. 901.630/SP, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 3.7.2024; AgRg no HC n. 905.390/SP, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 12.6.2024; AgRg no AREsp n. 2.465.687/SP, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 11.6.2024. Acresça-se que, de acordo com a Súmula n. 269 do STJ, é admissível a adoção do regime prisional semiaberto para reincidentes condenados a pena igual ou inferior a quatro anos, se favoráveis as circunstâncias judiciais. Nessa linha, o julgado impugnado não diverge da jurisprudência desta Corte, pois, conforme se extrai do trecho do acórdão supratranscrito, há elementos idôneos para a fixação do regime semiaberto, em especial a gravidade concreta do delito. Conclui-se, assim, que no caso em análise não há manifesta ilegalidade a ensejar a concessão da ordem de ofício. Ante o exposto, com fundamento no art. 21-E, IV, c/c o art. 210, ambos do RISTJ, indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA