AREsp 2759029 - DECISAO
O tribunal concluiu que a Corte de origem apresentou fundamentação suficiente e não genérica para impor o regime inicial fechado, especialmente em razão da reincidência do condenado, de modo que não houve violação das súmulas invocadas nem dos dispositivos do Código Penal, razão pela qual o agravo foi conhecido e...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: CARLOS EDUARDO FERREIRA; Recorrido: Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios; Interveniente: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 November 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Conhecimento E Negação De Provimento
- Outcome
- conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial
- Legal Topics
- Regime Inicial De Cumprimento De Pena, Reincidência, Dosimetria Da Pena, Súmulas Vinculantes E Jurisprudência
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
CARLOS EDUARDO FERREIRA
Recorrente
Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios
Recorrido
Ministério Público Federal
Interveniente
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Conhecimento E Negação De Provimento
Legal Issues
- 1 possibilidade de aplicação do regime inicial semiaberto em caso de reincidência
- 2 compatibilidade da fundamentação para imposição de regime prisional mais gravoso com as Súmulas 440/STJ, 718 e 719/STF
- 3 interpretação e aplicação dos arts. 33, §§ 2º e 3º do Código Penal
Ratio Decidendi
O tribunal concluiu que a Corte de origem apresentou fundamentação suficiente e não genérica para impor o regime inicial fechado, especialmente em razão da reincidência do condenado, de modo que não houve violação das súmulas invocadas nem dos dispositivos do Código Penal, razão pela qual o agravo foi conhecido e negado provimento.
Court Disposition
conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por CARLOS EDUARDO FERREIRA contra decisão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, que não admitiu o recurso especial manejado com apoio no artigo 105, III, "a", da Constituição da República. Em suas razões recursais, a defesa aponta violação do artigo 33, §§ 2º e 3º, do Código Penal. Aduz, em suma, que "a Suprema Corte entende que, mesmo em caso de reincidência, é possível a aplicação do regime inicial semiaberto, nos termos do artigo 33, §2º e § 3º do Código Penal" (e-STJ, fl. 230). Requer o provimento do recurso para que seja fixado o regime inicial semiaberto. Foram apresentadas contrarrazões (e-STJ, fls. 249-251). O recurso foi inadmitido (e-STJ, fls. 254-255). Daí este agravo (e-STJ, fls. 260-276). O Ministério Público Federal opina pelo desprovimento do recurso (e-STJ, fls. 303-304). É o relatório. Decido. A pretensão recursal não merece acolhimento. Consta dos autos que o recorrente foi condenado como incurso no artigo 157, § 2º, VII, do Código Penal, às penas de 6 anos de reclusão, no regime inicial fechado, e pagamento de 14 dias-multa. O regime inicial fechado fixado na sentença condenatória foi mantido pela Corte de origem mediante a seguinte fundamentação (e-STJ, fls. 212-213): "Em relação à dosimetria da pena aplicada e o regime inicial de cumprimento verifica-se que não houve irresignação da defesa e não há reparos a serem feitos eis que a reprimenda se mostra adequada com a individualização da pena imposta. Ao fixar a pena, assim dispôs o Juízo de origem: "As circunstâncias judiciais não são desfavoráveis ao acusado, não havendo necessidade de elevação da pena-base. Assim, fixo a pena-base em 04 anos de reclusão e 10 dias-multa. Sem atenuantes. Em razão da agravante da reincidência (IDs 184101744 e 184106747), agravo as penas em 06 meses e 01 dia-multa, chegando a 04 anos e 06 meses de reclusão e 11 dias- multa. Sem causas de diminuição de pena. Em razão da causa de aumento (emprego de faca), aumento as penas em 1/3, tornando-as definitivas em: 06 anos de reclusão e 14 dias-multa, à razão unitária mínima. Em razão da reincidência e da quantidade da pena, o regime prisional inicial será o FECHADO" De acordo com a Súmula 440/STJ, "fixada a pena-base no mínimo legal, é vedado o estabelecimento de regime prisional mais gravoso do que o cabível em razão da sanção imposta, com base apenas na gravidade abstrata do delito". De igual modo, as Súmulas 718 e 719 do STF, prelecionam, respectivamente, que "a opinião do julgador sobre a gravidade em abstrato do crime não constitui motivação idônea para a imposição de regime mais severo do que o permitido segundo a pena aplicada" e "a imposição do regime de cumprimento mais severo do que a pena aplicada permitir exige motivação idônea". Na hipótese, os fundamentos utilizados para justificar o regime imposto ao recorrente não podem ser tidos por genéricos e, portanto, constituem motivação suficiente para justificar a imposição de regime prisional mais gravoso que o estabelecido em lei (art. 33, §§ 2º e 3º, do Código Penal), não havendo falar em violação da Súmula 440/STJ, bem como dos verbetes sumulares 718 e 719 do Supremo Tribunal Federal. Por certo, apesar de a pena-base do recorrente ter sido imposta no piso legal, o estabelecimento de regime mais severo do que o indicado pelo quantum da reprimenda justifica-se diante da reincidência do réu. Nesse sentido, com destaques: "PENAL E PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ROUBO MAJORADO. ABSOLVIÇÃO. VEDADA INOVAÇÃO RECURSAL. INDEVIDO REVOLVIMENTO FÁTICO PROBATÓRIO. REGIME FECHADO. REINCIDÊNCIA. POSSIBILIDADE, AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. .. 4. O regime fechado para cumprimento inicial da pena foi devidamente fundamentado, consoante dispõem o art. 33, caput e parágrafos, do Código Penal, não havendo, portanto, qualquer desproporcionalidade na imposição do meio mais gravoso para o desconto da reprimenda. Afinal, apesar de ser a pena superior a 4 anos e inferior a 8 anos de reclusão, a reincidência do paciente justifica a imposição do regime mais severo, não havendo a possibilidade de analisar em concreto se o regime menos gravoso seria socialmente recomendado. 5. Agravo regimental desprovido." (AgRg no HC n. 867.444/SP, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 18/12/2023, DJe de 20/12/2023.) AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ABSOLVIÇÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. RECONHECIMENTO DA PARTICIPAÇÃO DE MENOR IMPORTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. FRAÇÃO DA CAUSA DE AUMENTO DE PENA. FUNDAMENTADA. REGIME FECHADO. RÉU REINCIDENTE. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. .. 4. Embora o agravante haja sido definitivamente condenado a reprimenda superior a 4 e inferior a 8 anos de reclusão, era reincidente ao tempo do crime, circunstância que evidencia a adequação do regime inicial fechado de cumprimento de pena, a teor do que disposto no art. 33, § 2º, "a", do CP. 5. Agravo regimental não provido. (AgRg no HC n. 481.217/SC, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 8/3/2022, DJe de 16/3/2022.) Ante o exposto, com fundamento no art. 932, VIII, do CPC, c/c art. 253, parágrafo único, II, "b", do RISTJ, conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA