HC 964005 - DECISAO
Denega-se a ordem porque não há flagrante ilegalidade na fixação do regime inicial fechado para a pena de reclusão, diante da reincidência e dos maus antecedentes da paciente, e porque o tribunal de origem aplicou os critérios legais previstos no art. 33 do Código Penal e no art. 42 da Lei n. 11.343/2006, afastando...
Source-derived case information.
- Parties
- Paciente: LANA KAROLINA NEVES CANDIDO RICARDO; Manifestante: Ministério Público Federal; Órgão Julgador De Origem: Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 07 March 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão Denegatória
- Outcome
- Denego a ordem.
- Legal Topics
- Regime Inicial De Cumprimento De Pena, Tráfico De Drogas, Dosimetria Da Pena, Reincidência, Maus Antecedentes, Habeas Corpus
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
LANA KAROLINA NEVES CANDIDO RICARDO
Paciente
Ministério Público Federal
Manifestante
Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios
Órgão Julgador De Origem
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão Denegatória
Legal Issues
- 1 adequação do regime inicial de cumprimento de pena
- 2 influência da quantidade de entorpecentes na fixação do regime
- 3 valoração da reincidência e dos maus antecedentes na dosimetria e no regime
Ratio Decidendi
Denega-se a ordem porque não há flagrante ilegalidade na fixação do regime inicial fechado para a pena de reclusão, diante da reincidência e dos maus antecedentes da paciente, e porque o tribunal de origem aplicou os critérios legais previstos no art. 33 do Código Penal e no art. 42 da Lei n. 11.343/2006, afastando a tese de constrangimento ilegal.
Court Disposition
Denego a ordem.
Orders
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO LANA KAROLINA NEVES CANDIDO RICARDO alega sofrer coação ilegal, em decorrência de acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios na Apelação Criminal n. 735675- 08.2023.8.07.0001. Consta dos autos que a paciente foi condenada à pena de 6 anos de reclusão, em regime fechado, mais 4 meses de detenção em regime semiaberto, pela prática dos crimes previstos nos arts. 33, caput, da Lei n. 11.343/2006 e 307 do CP. Nas razões da impetração, a defesa insurge-se contra o regime fixado, por considerar que a quantidade ínfima de entorpecentes e as circunstâncias judiciais majoritariamente favoráveis indicariam a suficiência do regime menos gravoso. O Ministério Público Federal opinou pela concessão da ordem (fls. 467-473). Decido. I. Ausência de flagrante ilegalidade O Tribunal de origem, ao julgar o recurso de apelação defensiva, estabeleceu o início de cumprimento de pena, sob os seguintes fundamentos (fl. 418): Nos termos do artigo 33, §2º, "a" do Código Penal, impõe-se o regime inicial fechado ao crime apenado com reclusão, e o regime semiaberto, conforme artigo 33, § 2º, "b", e § 3º, do Código Penal, ao crime apenado com detenção. Devendo a pena de reclusão ser cumprida em primeiro lugar e, posteriormente, a de detenção, diante da impossibilidade de execução simultânea de duas modalidades distintas de penas privativas de liberdade. Faço lembrar que, uma vez reconhecida, incidentalmente, a inconstitucionalidade do óbice contido no § 1º do art. 2º da Lei n. 8.072/1990 (STF, HC n. 111.840/ES, DJ 17/12/2013), a escolha do regime inicial de cumprimento de pena deve levar em consideração a quantidade da reprimenda imposta, a eventual existência de circunstâncias judiciais desfavoráveis, bem como as demais peculiaridades do caso concreto (como, por exemplo, a quantidade, a natureza e/ou a diversidade de drogas apreendidas), para que, então, seja fixado o regime carcerário que se mostre o mais adequado para a prevenção e a repressão do delito perpetrado, nos termos do art. 33 e parágrafos do Código Penal - com observância também ao disposto no art. 42 da Lei n. 11.343/2006. No caso, a ré é reincidente e ostenta maus antecedentes (circunstância valorada na pena-base), assim, nos termos do art. 33, § 2º, "a" e "b", do Código Penal, não vislumbro constrangimento ilegal na fixação do regime inicial fechado para o cumprimento da pena de reclusão e do regime semiaberto para pena de detenção, pois adequados e proporcionais ao caso concreto. Nesse sentido, já se manifestou esta Corte Superior: DIREITO PENAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. TRÁFICO DE DROGAS. PENA-BASE EXASPERADA EM 1/6 PELOS MAUS ANTECEDENTES. AGRAVAMENTO DA PENA EM 1/6 PELA REINCIDÊNCIA. AUSÊNCIA DE BIS IN IDEM. REGIME INICIAL FECHADO. REINCIDÊNCIA E CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS DESFAVORÁVEIS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 83/STJ. AGRAVO CONHECIDO PARA NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL. I. CASO EM EXAME 1. Agravo interposto contra decisão que inadmitiu recurso especial, em que o agravante pleiteia a redução da pena-base e questiona a fixação do regime inicial fechado, além da alegação de bis in idem na consideração de condenações anteriores para a valoração dos maus antecedentes e da reincidência. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. Há três questões em discussão: (i) se a exasperação da pena-base em 1/6, em razão dos maus antecedentes, foi devidamente fundamentada; (ii) se houve bis in idem na consideração de condenações pretéritas para valorizar os maus antecedentes na primeira fase e a reincidência na segunda fase da dosimetria da pena; (iii) se o regime de cumprimento de pena fixado está adequado. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. A exasperação da pena-base em 1/6, em razão dos maus antecedentes, foi devidamente fundamentada pelo magistrado de origem, que utilizou condenação anterior transitada em julgado, conforme pacífico entendimento desta Corte (art. 59 do Código Penal e art. 42 da Lei n. 11.343/2006). 4. Não há bis in idem na consideração de condenações anteriores para valorar os maus antecedentes e a reincidência, uma vez que as condenações utilizadas se referem a fatos distintos, o que é permitido pela jurisprudência consolidada do STJ. 5. O regime inicial fechado foi corretamente fixado, considerando a reincidência do agravante e as circunstâncias judiciais desfavoráveis, conforme o art. 33, § 2º, b, do Código Penal. IV. AGRAVO CONHECIDO PARA NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL. (AREsp n. 2.635.189/MT, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 26/11/2024, DJEN de 6/12/2024.) II. Dispositivo À vista do exposto, denego a ordem. Publique-se e intimem-se. EMENTA