HC 987527 - DECISAO
O habeas corpus foi liminarmente indeferido por ausência de flagrante ilegalidade ou teratologia no acórdão impugnado: o Tribunal de Justiça fundamentou adequadamente a fixação do regime semiaberto com base na pena aplicada e na valoração desfavorável de duas circunstâncias judiciais (maus antecedentes e...
Source-derived case information.
- Parties
- Paciente: ALEXANDRE FREITAS PRUDENTE; Ato Coator: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 20 March 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão (liminar Indeferida)
- Outcome
- liminar indeferida; ordem não concedida
- Legal Topics
- Regime Inicial De Cumprimento De Pena, Violência Doméstica (lei 11.340/2006), Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio, Dosimetria, Prescrição
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
ALEXANDRE FREITAS PRUDENTE
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS
Ato Coator
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão (liminar Indeferida)
Legal Issues
- 1 cabimento de habeas corpus substitutivo de recurso próprio
- 2 fundamentação idônea para fixação de regime prisional mais gravoso
- 3 aplicação dos arts. 33, §§ 2º e 3º, e 59 do Código Penal
Ratio Decidendi
O habeas corpus foi liminarmente indeferido por ausência de flagrante ilegalidade ou teratologia no acórdão impugnado: o Tribunal de Justiça fundamentou adequadamente a fixação do regime semiaberto com base na pena aplicada e na valoração desfavorável de duas circunstâncias judiciais (maus antecedentes e circunstâncias do crime), em conformidade com os arts. 33, §§ 2º e 3º, do CP e com a jurisprudência do STJ, de modo que não se admite substituição do recurso próprio por habeas corpus sem evidente ilegalidade.
Court Disposition
liminar indeferida; ordem não concedida
Orders
- Indefiro liminarmente o Habeas Corpus.
- Cientifique-se o Ministério Público Federal.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Habeas Corpus impetrado em favor de ALEXANDRE FREITAS PRUDENTE em que se aponta como ato coator o acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS assim ementado: APELAÇÃO CRIMINAL. VIOLÊNCIA DOMÉSTICA. DESCUMPRIMENTO DE MEDIDA PROTETIVA. AMEAÇA. PRELIMINAR. PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA ESTATAL. REJEITADA. MÉRITO. MATERIALIDADE E AUTORIA COMPROVADAS. ACERVO SUFICIENTE. DEPOIMENTO DA VÍTIMA. FIRME E COESO. RELEVANTE VALOR PROBATÓRIO. CORROBORADO PELOS DEMAIS ELEMENTOS. CONDENAÇÃO MANTIDA. DOSIMETRIA. MAUS ANTECEDENTES. CIRCUNSTÂNCIAS DO CRIME. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. MANUTENÇÃO. CONFISSÃO ESPONTÂNEA. REDUÇÃO DA PENA. JUSTIÇA GRATUITA. COMPETÊNCIA DA VEP. Consta dos autos que o paciente foi condenado à pena de 09 (nove) meses e 29 (vinte e nove) dias de detenção, no regime semiaberto, pela prática do crime previsto no art. 147, do Código Penal, e art. 24-A da Lei 11.340/2006, c/c o art. 5º, III, da Lei nº 11.340/2006. Em suas razões, sustenta a impetrante a ocorrência de constrangimento ilegal, porquanto não há fundamentação idônea para fixação de regime semiaberto para o cumprimento da pena, considerando o quantum da reprimenda e o disposto no art. 33, § 2º, do CP. Aduz, ainda, que por se tratar réu primário, não reincidente e a pena imposta inferior a 04 (quatro) anos, o réu poderá iniciar o cumprimento da pena em regime aberto. Além disso, argui que "em que pese a valoração negativa de uma circunstância judicial em seu desfavor (maus antecedentes), ou de duas, em relação ao crime de ameaça, constata-se que a maioria das circunstâncias judiciais relacionadas ao paciente são favoráveis. Além disso, esse fundamento por si só não é suficiente para a fixação de regime prisional mais rigoroso, pois notadamente sem motivação idônea diante das demais peculiaridades" (fls. 10-11). Requer, em suma, que seja alterado para o aberto o regime inicial de cumprimento. É o relatório. Decido. A Terceira Seção do STJ, no julgamento do HC n. 535.063/SP, firmou o entendimento de que não cabe Habeas Corpus substitutivo de recurso próprio, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada alguma teratologia no ato judicial impugnado (Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, DJe de 25.8.2020). Assim, passo à análise das razões da impetração a fim de verificar se há flagrante ilegalidade que justifique a concessão do writ de ofício. Na espécie, consta do Voto condutor do acórdão impugnado a seguinte fundamentação quanto ao regime inicial de cumprimento da pena: Fixada pena de até 4 (quatro) anos, com análise desfavorável de duas circunstâncias judiciais (maus antecedentes e circunstâncias do crime), o regime adequado para início da expiação é o semiaberto, nos exatos termos do artigo 33, § 2º, alínea "c", c/c § 3º, do Código Penal (fls. 37-38). Nos termos dos §§ 2º e 3º do art. 33 do Código Penal, para a fixação do regime inicial de cumprimento de pena o julgador deverá observar a quantidade de pena aplicada, a primariedade do réu e a eventual existência de circunstâncias judiciais desfavoráveis. Além disso, devem ser observados os enunciados das Súmulas n. 440 do Superior Tribunal de Justiça, e nºs. 718 e 719 do Supremo Tribunal Federal, segundos os quais é vedada a fixação de regime prisional mais gravoso do que o cabível em razão da sanção imposta somente com base na gravidade abstrata do delito. Ademais, segundo a jurisprudência do STJ e a legislação pátria, acima citada, é considerada motivação idônea para o fim de imposição de regime mais severo do que a pena aplicada: a) a reincidência, ainda que não seja específica (§ 2º do art. 33 do CP); b) a existência de circunstância judicial desfavorável, nos termos do art. 59 do CP (§ 3º do art. 33 do CP) e; c) a gravidade concreta do delito. Nesse sentido, vale citar os seguintes julgados: EREsp n. 1.970.578/SC, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Terceira Seção, DJe de 6.3.2023; AgRg no AgRg no AREsp n. 2.435.525/SP, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 6.6.2024; AgRg no HC n. 836.416/SP, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 3.5.2024; AgRg no HC n. 859.680/SP, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJe de 14.2.2024; AgRg no HC n. 842.514/SP, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 3.7.2024; AgRg no HC n. 901.630/SP, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 3.7.2024; AgRg no HC n. 905.390/SP, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 12.6.2024; AgRg no AREsp n. 2.465.687/SP, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 11.6.2024. Acresça-se que, de acordo com a Súmula n. 269 do STJ, é admissível a adoção do regime prisional semiaberto para reincidentes condenados a pena igual ou inferior a quatro anos, se favoráveis as circunstâncias judiciais. Nessa linha, o julgado impugnado não diverge da jurisprudência desta Corte, pois, conforme se extrai do trecho do acórdão supratranscrito, há elementos idôneos para a fixação do regime semiaberto, em especial a valoração negativa de circunstâncias judiciais . Conclui-se, assim, que no caso em análise não há manifesta ilegalidade a ensejar a concessão da ordem de ofício. Ante o exposto, com fundamento no art. 21-E, IV, c/c o art. 210, ambos do RISTJ, indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA