RHC 197320 - DECISAO
O recurso foi considerado prejudicado em razão de mudança fática relevante (expedição da guia de execução definitiva em virtude da prisão da apenada), e, além disso, as questões suscitadas (detração penal, abrandamento de regime, prisão domiciliar) são de competência do Juízo da Execução; decidir sobre elas nesta...
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- Parties
- Recorrente: ANDREIA MENDES FERREIRA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 April 2025
- Procedural Posture
- Recurso Ordinário Em Habeas Corpus / Recurso Prejudicado
- Outcome
- julgo prejudicado o presente recurso ordinário em habeas corpus
- Legal Topics
- Regime Inicial De Cumprimento De Pena, Expedição De Guia De Execução, Detração Penal, Prisão Domiciliar, Competência Do Juízo Da Execução, Supressão De Instância
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Parties
ANDREIA MENDES FERREIRA
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Ordinário Em Habeas Corpus / Recurso Prejudicado
Legal Issues
- 1 expedição de guia de recolhimento definitiva sem cumprimento do mandado de prisão
- 2 aplicação da detração penal e possibilidade de abrandamento do regime inicial
- 3 pedido de prisão domiciliar por cuidados a filha com TEA e TDAH
Ratio Decidendi
O recurso foi considerado prejudicado em razão de mudança fática relevante (expedição da guia de execução definitiva em virtude da prisão da apenada), e, além disso, as questões suscitadas (detração penal, abrandamento de regime, prisão domiciliar) são de competência do Juízo da Execução; decidir sobre elas nesta instância implicaria indevida supressão de instância.
Court Disposition
julgo prejudicado o presente recurso ordinário em habeas corpus
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso ordinário em habeas corpus com pedido liminar interposto por ANDREIA MENDES FERREIRA desafiando acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL (HC n. 1404521-56.2024.8.12.0000). Depreende-se dos autos que a recorrente foi condenada, pela prática do delito tipificado no art. 33, c/c o art. 40, inciso V, da Lei n. 11.343/2006, à pena de 8 anos e 2 meses de reclusão, em regime inicial fechado. O Juízo de primeiro grau negou o pedido de expedição de guia de recolhimento, bem como o de manutenção da paciente em prisão domiciliar (e-STJ fls. 91/92). Impetrado writ na origem, a ordem foi denegada em acórdão assim ementado (e-STJ fl. 126): HABEAS CORPUS - TRÁFICO DE DROGAS - CONDENAÇÃO TRANSITADA EM JULGADO - REGIME INICIAL DEPENA FECHADO - PLEITO DE EXPEDIÇÃO DA GUIA DE RECOLHIMENTO E DETRAÇÃO PENAL - MATÉRIAS AFETAS AO JUÍZO DA EXECUÇÃO PENAL - EXPEDIÇÃO DE GUIA PRESSUPÕE RECOLHIMENTO AO CÁRCERE - MANDADO DE PRISÃO PENDENTE DE CUMPRIMENTO - ORDEM DENEGADA. I. Nos termos do artigo 105 da LEP não há ilegalidade na expedição de mandado de prisão relativo à sentença condenatória transitada em julgado, pois a guia de execução definitiva pressupõe o recolhimento do sentenciado ao cárcere. II. Quanto ao pleito de aplicação da detração penal, tal matéria é afeta ao Juízo da Execução, nos termos do art. 65, III, "c", daLei de Execuções Penais, que possui, inclusive, melhores condições de analisar o mérito da ré e a sua aptidão para estar em regime prisional mais brando, porque não basta mero cálculo aritmético para que se conceda a detração penal, revelando-se necessário averiguar, ainda, as condições e a conduta pessoal da apenada. III. Analisando as informações colacionadas ao presente writ, não vislumbro a comprovação do alegado constrangimento ilegal, uma vez que a guia de execução penal, bem como os benefícios que a paciente pretende requerer perante o Juízo de execução somente podem ser pleiteados após o cumprimento do mandado de prisão. IV. Ordem denegada, com o parecer. Daí o presente recurso, no qual a defesa pleiteia a expedição da guia de recolhimento definitiva, sem que, para tanto, seja necessário o cumprimento do mandado de prisão, com o recolhimento da paciente ao cárcere. Aduz que a recorrente cumpriu parte da pena presa preventivamente, depois com cumprimento de medidas cautelares alternativas, razão pela qual tem direito à detração com abrandamento do regime inicial. Destaca que ela é imprescindível aos cuidados da filha de 15 anos, portadora de doenças graves - Transtorno do Espectro Autista (TEA) e TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade). Assim, requer, a expedição de guia de execução independentemente do cumprimento do mandado prisional. Indeferido o pedido de liminar (e-STJ fls. 161/163) e prestadas as informações solicitadas (e-STJ fls. 169/184); o Ministério Público Federal opinou pelo não conhecimento ou desprovimento do recurso (e-STJ fls. 188/191). É o relatório. Decido. Inicialmente, a tese de prisão domiciliar deve ser apreciada pelo Juízo das execuções, conforme declinado pelo aresto combatido que, por tal motivo, não enfrentou a tese suscitada pela defesa. Sua análise por ocasião do julgamento deste recurso ensejaria, portanto, indevida supressão de instância. Ademais, d as informações prestadas pelo Magistrado de primeiro grau (e-STJ fls. 169/171), verifica-se que foi expedida a guia de execução definitiva em virtude da prisão da apenada, esvaziando, assim, o objeto do presente recurso. Dessa forma, caracterizada a alteração fática do presente caso, de singular importância, eventuais consectários do atual status da apenada deverão ser analisados, inicialmente pelo Tribunal a quo, pois seu enfrentamento nesta ocasião implicaria indevida supressão de instância. Ante o exposto, julgo prejudicado o presente recurso ordinário em habeas corpus. Publique-se. Intimem-se. EMENTA