HC 994331 - DECISAO
Não se verificou manifesta ilegalidade no acórdão do Tribunal de Justiça de São Paulo, que apresentou motivação idônea para a imposição do regime semiaberto, em especial pela existência de reincidência e valoração negativa de circunstância judicial; além disso, habeas corpus não substitui recurso próprio, razão pela...
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- Parties
- Paciente: NAYARA CRISTINA DE CARVALHO DE OLIVEIRA; Paciente: FERNANDO HENRIQUE DA SILVA SATURNINO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 April 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Liminar Indeferida
- Outcome
- liminar indeferida
- Legal Topics
- Regime Inicial De Cumprimento De Pena, Fixação De Regime Prisional, Reincidência, Súmulas 718 E 719 STF, Furto Qualificado
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Parties
NAYARA CRISTINA DE CARVALHO DE OLIVEIRA
Paciente
FERNANDO HENRIQUE DA SILVA SATURNINO
Paciente
Procedural Posture
Habeas Corpus / Liminar Indeferida
Legal Issues
- 1 legalidade da fixação do regime inicial de cumprimento da pena
- 2 possibilidade de habeas corpus substitutivo de recurso próprio
- 3 fundamentação idônea para imposição de regime mais gravoso
Ratio Decidendi
Não se verificou manifesta ilegalidade no acórdão do Tribunal de Justiça de São Paulo, que apresentou motivação idônea para a imposição do regime semiaberto, em especial pela existência de reincidência e valoração negativa de circunstância judicial; além disso, habeas corpus não substitui recurso próprio, razão pela qual a liminar foi indeferida.
Court Disposition
liminar indeferida
Orders
- Indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus.
- Cientifique-se o Ministério Público Federal.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Habeas Corpus impetrado em favor de NAYARA CRISTINA DE CARVALHO DE OLIVEIRA, FERNANDO HENRIQUE DA SILVA SATURNINO em que se aponta como ato coator o acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO assim ementado: FURTO QUALIFICADO Mérito não questionado. Regime adequadamente imposto - circunstâncias desfavoráveis - Sumulas 718 e 719 do STF apelo desprovido. Consta dos autos que os pacientes foram condenados à pena de 02 (dois) anos de reclusão e multa, no regime semiaberto, pela prática do crime previsto no artigo 155, §§ 1º e 4º, II e IV, do Código Penal. Em suas razões, sustenta o impetrante a ocorrência de constrangimento ilegal, porquanto não há fundamentação idônea para fixação de regime inicial de cumprimento da pena mais gravoso do que o cabível em razão da pena imposta. Requer, em suma, que seja alterado o regime inicial de cumprimento da pena para o aberto. É o relatório. Decido. A Terceira Seção do STJ, no julgamento do HC n. 535.063/SP, firmou o entendimento de que não cabe Habeas Corpus substitutivo de recurso próprio, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada alguma teratologia no ato judicial impugnado (Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, DJe de 25.8.2020). Assim, passo à análise das razões da impetração a fim de verificar se há flagrante ilegalidade que justifique a concessão do writ de ofício. Na espécie, consta do Voto condutor do acórdão impugnado a seguinte fundamentação quanto ao regime inicial de cumprimento da pena: A magistrada sentenciante fixou a pena-base acima do mínimo legal, pelo fato de os réus possuírem maus antecedentes, utilizando ainda uma das qualificadoras como circunstância desfavorável. Ao contrário do apontado, Nayara apresenta uma condenação com trânsito em julgado para a defesa em 26/04/2017 por tráfico de drogas autos n.º 0001401-19.2016.8.26.0537 (fls. 120/121). Da mesma forma Fernando Henrique autos n.º 0004636-65.2010.8.26.0161 (fls. 122). Além disso, há a circunstância desfavorável (qualificadora). De acordo com as Súmulas 718 e 719 do STF, o regime intermediário está justificado, sendo o mais adequado às circunstâncias do caso concreto (fl. 313). Nos termos dos §§ 2º e 3º do art. 33 do Código Penal, para a fixação do regime inicial de cumprimento de pena o julgador deverá observar a quantidade de pena aplicada, a primariedade do réu e a eventual existência de circunstâncias judiciais desfavoráveis. Além disso, devem ser observados os enunciados das Súmulas n. 440 do Superior Tribunal de Justiça, e nºs. 718 e 719 do Supremo Tribunal Federal, segundos os quais é vedada a fixação de regime prisional mais gravoso do que o cabível em razão da sanção imposta somente com base na gravidade abstrata do delito. Ademais, segundo a jurisprudência do STJ e a legislação pátria, acima citada, é considerada motivação idônea para o fim de imposição de regime mais severo do que a pena aplicada: a) a reincidência, ainda que não seja específica (§ 2º do art. 33 do CP); b) a existência de circunstância judicial desfavorável, nos termos do art. 59 do CP (§ 3º do art. 33 do CP) e; c) a gravidade concreta do delito. Nesse sentido, vale citar os seguintes julgados: EREsp n. 1.970.578/SC, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Terceira Seção, DJe de 6.3.2023; AgRg no AgRg no AREsp n. 2.435.525/SP, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 6.6.2024; AgRg no HC n. 836.416/SP, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 3.5.2024; AgRg no HC n. 859.680/SP, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJe de 14.2.2024; AgRg no HC n. 842.514/SP, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 3.7.2024; AgRg no HC n. 901.630/SP, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 3.7.2024; AgRg no HC n. 905.390/SP, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 12.6.2024; AgRg no AREsp n. 2.465.687/SP, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 11.6.2024. Acresça-se que, de acordo com a Súmula n. 269 do STJ, é admissível a adoção do regime prisional semiaberto para reincidentes condenados a pena igual ou inferior a quatro anos, se favoráveis as circunstâncias judiciais. Nessa linha, o julgado impugnado não diverge da jurisprudência desta Corte, pois, conforme se extrai do trecho do acórdão supratranscrito, há elementos idôneos para a fixação do regime semiaberto, em especial a presença da agravante da reincidência e a valoração negativa de circunstância judicial. Conclui-se, assim, que no caso em análise não há manifesta ilegalidade a ensejar a concessão da ordem de ofício. Ante o exposto, com fundamento no art. 21-E, IV, c/c o art. 210, ambos do RISTJ, indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA