AREsp 2839089 - DECISAO
Apesar da pena definitiva ser de 3 anos e 6 meses, o art. 33, § 3º, do Código Penal impõe considerar as circunstâncias judiciais; a presença de circunstância judicial negativa (antecedentes) autoriza a fixação do regime semiaberto, imediatamente superior ao que corresponderia em abstrato à pena aplicada, de modo que...
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- Parties
- Recorrente: LEANDRO MIGUEL DOS SANTOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 29 May 2025
- Procedural Posture
- Agravo Contra Inadmissão De Recurso Especial / Decisão De Mérito No Agravo, Conhecimento E Julgamento Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial.
- Legal Topics
- Regime Inicial De Cumprimento De Pena, Circunstâncias Judiciais, Inadmissão De Recurso Especial, Dosimetria
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Parties
LEANDRO MIGUEL DOS SANTOS
Recorrente
Procedural Posture
Agravo Contra Inadmissão De Recurso Especial / Decisão De Mérito No Agravo, Conhecimento E Julgamento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Incidência do art. 33, § 2º, "c", do Código Penal quanto ao regime inicial diante de pena de 3 anos e 6 meses
- 2 Aplicação do art. 33, § 3º, do Código Penal para ponderar circunstâncias judiciais desfavoráveis (antecedentes) na fixação do regime
Ratio Decidendi
Apesar da pena definitiva ser de 3 anos e 6 meses, o art. 33, § 3º, do Código Penal impõe considerar as circunstâncias judiciais; a presença de circunstância judicial negativa (antecedentes) autoriza a fixação do regime semiaberto, imediatamente superior ao que corresponderia em abstrato à pena aplicada, de modo que não há ilegalidade na fixação do regime pelas instâncias ordinárias e o recurso especial deve ser desprovido.
Court Disposition
Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo contra a decisão que inadmitiu o recurso especial interposto por LEANDRO MIGUEL DOS SANTOS, com fundamento na alínea "a" do permissivo constitucional, em oposição a acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, assim ementado (fls. 326-334): "DIREITO PENAL. APELAÇÃO. RECEPTAÇÃO QUALIFICADA. PENA. REGIME PRISIONAL. RECURSO DESPROVIDO". Em suas razões recursais, a parte recorrente aponta violação do art. 33, § 2º, "c", do CP. Aduz para tanto, em síntese, que seria necessária a fixação do regime inicial aberto, pois "a pena imposta ao réu não é superior a 4 anos, ele é tecnicamente primário, sendo-lhe favorável a maioria das circunstâncias judiciais do artigo 59 do Código Penal" (fl. 347). Com contrarrazões (fls. 357-361), o recurso especial foi inadmitido na origem (fls. 364-365), ao que se seguiu a interposição de agravo. Remetidos os autos a esta Corte Superior, o MPF manifestou-se pelo desprovimento do recurso (fls. 410-413). É o relatório. Decido. O agravo impugna adequadamente os fundamentos da decisão agravada, devendo ser conhecido. Passo, portanto, ao exame do recurso especial propriamente dito. No mérito, a insurgência é improcedente. Sobre o regime inicial, a pena definitiva foi fixada em 3 anos e 6 meses de reclusão, o que aparentaria atrair a incidência do art. 33, § 2º, "c", do CP e, com isso, obrigar a fixação do regime aberto. Entretanto, o art. 33, § 3º, do CP, determina que a definição do regime inicial pondere não só a pena aplicada, nos termos de seu § 2º, mas também as circunstâncias judiciais. Deste modo, apesar de a pena de privativa de liberdade restar estabelecida em patamar inferior a 4 anos, a presença de circunstância judicial negativa (antecedentes) justifica a manutenção do regime inicial semiaberto (imediatamente superior àquele que corresponderia, em abstrato, à pena aplicada), como entende a jurisprudência desta Corte Superior: "AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. REGIME PRISIONAL. PENA SUPERIOR A 4 ANOS. DETRAÇÃO DO TEMPO DE PRISÃO PROVISÓRIA. ART. 387, § 2º, DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL CPP. CIRCUNTÂNCIAS JUDICIAIS DESFAVORÁVEIS. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. As penas-base foram fixadas acima do mínimo legal em razão da presença de circunstâncias judiciais negativas, justificando a fixação do regime inicial fechado, nos termos do art. 33, §§ 2º e 3º, c.c. o art. 59, ambos do Código Penal - CP. A pretendida detração, assim, não conduz à alteração do regime prisional. 2. Agravo regimental desprovido". (AgRg no HC n. 638.135/RJ, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 2/2/2021, DJe de 9/2/2021.) "PENAL. HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. INADEQUAÇÃO. CRIMES DOS ARTS. 129, CAPUT, E 213, C/C ART. 14, II, NA FORMA DO ART. 69, TODOS DO CÓDIGO PENAL. DOSIMETRIA. PENA-BASE. CULPABILIDADE E CONSEQUÊNCIAS DO CRIME. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. REGIME INICIAL FECHADO. PENA SUPERIOR A 4 ANOS. CIRCUNSTÂNCIA JUDICIAL DESFAVORÁVEL. ADEQUAÇÃO. WRIT NÃO CONHECIDO. .. 5. Quanto ao regime inicial de cumprimento de pena, as instâncias ordinárias estabeleceram a pena-base acima do mínimo legal, por terem sido desfavoravelmente valoradas circunstâncias do art. 59 do Código Penal, o que permite a fixação de regime prisional mais gravoso do que o indicado pelo quantum de reprimenda imposta ao réu, a teor do disposto no art. 33, § 3º, do CP. 6. Habeas corpus não conhecido". (HC n. 610.654/RJ, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 9/12/2020, DJe de 14/12/2020.) Assim, não há ilegalidade a sanar na fixação do regime inicial pelas instâncias ordinárias. Ante o exposto, com fundamento no art. 253, parágrafo único, II, "b", do RISTJ, conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA