AREsp 2977840 - DECISAO
O agravo foi conhecido e desprovido porque o regime semiaberto foi corretamente mantido pela corte de origem em razão da reincidência da ré, conforme a Súmula 269 do STJ e o art. 33, § 2º, do Código Penal, sendo que o regime inicial não está rigidamente vinculado ao quantum da pena e pode ser agravado quando as...
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- Parties
- Agravante: MARIANA RAPHAELA PETRONIO GUIMARAES; Manifestante: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 12 August 2025
- Procedural Posture
- Agravo Regimental / Conhecimento E Julgamento Do Agravo Regimental Relativo À Inadmissão De Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial.
- Legal Topics
- Regime Inicial De Cumprimento De Pena, Reincidência, Inadmissão De Recurso Especial, Dosimetria Da Pena
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Parties
MARIANA RAPHAELA PETRONIO GUIMARAES
Agravante
Ministério Público Federal
Manifestante
Procedural Posture
Agravo Regimental / Conhecimento E Julgamento Do Agravo Regimental Relativo À Inadmissão De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Violação do art. 33, § 3º, do Código Penal quanto à fundamentação para fixação do regime inicial
- 2 Possibilidade de redução do regime inicial apesar do quantum da pena
- 3 Admissibilidade do recurso especial e cabimento do agravo regimental
Ratio Decidendi
O agravo foi conhecido e desprovido porque o regime semiaberto foi corretamente mantido pela corte de origem em razão da reincidência da ré, conforme a Súmula 269 do STJ e o art. 33, § 2º, do Código Penal, sendo que o regime inicial não está rigidamente vinculado ao quantum da pena e pode ser agravado quando as circunstâncias judiciais o justificarem.
Court Disposition
Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial.
Orders
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO MARIANA RAPHAELA PETRONIO GUIMARAES agrava de decisão que inadmitiu seu recurso especial, interposto com base no art. 105, III, "a", da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região na Apelação Criminal n. 5000198-94.2024.4.03.6141. Nas razões do recurso especial, a defesa apontou a violação do art. 33, § 3º, do Código Penal, ao argumento de ausência de fundamentação idônea para fixar o regime inicial intermediário. Requer, assim, o provimento do recurso, para que seja fixado regime mais brando. O apelo especial foi inadmitido durante o juízo prévio de admissibilidade, o que ensejou a interposição deste agravo. O Ministério Público Federal manifestou-se pelo não provimento do reclamo (fls. 1.207-1.209). Decido. O agravo é tempestivo e infirmou os fundamentos da decisão agravada, razões pelas quais comporta conhecimento. Extrai-se dos autos que a agravante foi condenada à pena de 3 anos e 6 meses de reclusão mais 15 dias-multa, em regime semiaberto, pela prática do delito previsto no art. 289, § 1º, do Código Penal. A Corte estadual manteve o modo inicial semiaberto, diante da reincidência do réu. Quanto à almejada modificação do regime inicial, cumpre enfatizar que esta Corte tem decidido que o modo inicial de cumprimento da pena não está vinculado, de forma absoluta, ao quantum de reprimenda imposto. É dizer, para a escolha do regime prisional, devem ser observadas as diretrizes dos arts. 33 e 59, ambos do Código Penal, além dos dados fáticos da conduta delitiva que, se demonstrarem a gravidade concreta do crime, poderão ser invocados pelo julgador para a imposição de regime mais gravoso do que o permitido pelo quantum da pena (HC n. 279.272/SP, Rel. Ministro Moura Ribeiro, 5ª T., DJe 25/11/2013; HC n. 265.367/SP, Rel. Ministra Laurita Vaz, 5ª T., DJe 19/11/2013; HC n. 213.290/SP, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis Moura, 6ª T., DJe 4/11/2013; HC n. 148.130/MS, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, 6ª T., DJe 3/9/2012). O art. 33, § 3º, do Código Penal estabelece que "a determinação do regime inicial de cumprimento de pena far-se-á com observância dos critérios previstos no art. 59 deste Código". Portanto, as mesmas circunstâncias judiciais aferidas pelo magistrado para fixação da pena-base na primeira fase da dosimetria deverão ser sopesadas na imposição do regime inicial de cumprimento de pena. No caso dos autos, em que pese a reduzida pena aplicada, o regime semiaberto foi fixado, em razão da reincidência ostentada pela ré, nos termos da Súmula n. 269 deste Superior Tribunal, "É admissível a adoção do regime prisional semi-aberto aos reincidentes condenados a pena igual ou inferior a quatro anos se favoráveis as circunstâncias judiciais." Ademais, saliento a impossibilidade de concessão do regime aberto, pois tal modalidade, a teor do art. 33, § 2º, do CP, é reservada ao "condenado não reincidente". Nesse sentido: .. 2. Em que pese a favorabilidade das circunstâncias judiciais e o quantum de pena inferior a 4 anos de reclusão, entende-se que " a pretensão de abrandamento do regime prisional é contrária à jurisprudência desta Corte, consubstanciada no verbete sumular n. 269, e ao texto expresso da lei, pois o acusado é reincidente e, a teor do art. 33, § 2º, "c", do CP, somente é cabível a fixação do regime inicial aberto ao condenado não reincidente, cuja pena seja igual ou inferior a 4 anos de reclusão" (AgRg no AgRg no AREsp n. 2.406.825/DF, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 10/10/2023, DJe de 18/10/2023). 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 883.060/SP, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 22/4/2024, DJe de 25/4/2024.) Logo, a Corte de origem decidiu a controvérsia em consonância com a jurisprudência consolidada deste Superior Tribunal de Justiça. À vista do exposto, com fundamento no art. 932, VIII, do CPC, c/c o art. 253, parágrafo único, II, "b", parte final, do RISTJ, conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial. Publique-se e intimem-se. EMENTA