HC 1024493 - DECISAO
O habeas corpus foi indeferido liminarmente porque o acórdão recorrido apresentou fundamentação idônea para a fixação do regime fechado (reincidência e valoração negativa de circunstância judicial), em conformidade com o art. 33, §§ 2º e 3º do CP e a jurisprudência do STJ, não havendo manifesta ilegalidade a...
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- Parties
- Paciente: LEONALDO PEREIRA OLIVEIRA; Órgão Coator: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE PERNAMBUCO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 August 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão Liminar De Indeferimento
- Outcome
- Indeferido liminarmente o Habeas Corpus
- Legal Topics
- Regime Inicial De Cumprimento De Pena, Reincidência, Circunstâncias Judiciais, Súmula 269/stj, Cabimento De Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio, Furto Qualificado
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Parties
LEONALDO PEREIRA OLIVEIRA
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE PERNAMBUCO
Órgão Coator
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão Liminar De Indeferimento
Legal Issues
- 1 cabimento de Habeas Corpus substitutivo de recurso próprio
- 2 possibilidade de fixação de regime inicial mais gravoso com base na reincidência e em circunstâncias judiciais desfavoráveis
- 3 aplicação da Súmula 269 do STJ
Ratio Decidendi
O habeas corpus foi indeferido liminarmente porque o acórdão recorrido apresentou fundamentação idônea para a fixação do regime fechado (reincidência e valoração negativa de circunstância judicial), em conformidade com o art. 33, §§ 2º e 3º do CP e a jurisprudência do STJ, não havendo manifesta ilegalidade a justificar a concessão da ordem de ofício.
Court Disposition
Indeferido liminarmente o Habeas Corpus
Orders
- Indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus
- Cientifique-se o Ministério Público Federal
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Habeas Corpus impetrado em favor de LEONALDO PEREIRA OLIVEIRA em que se aponta como ato coator o acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE PERNAMBUCO assim ementado: Ementa. Direito Penal e Processual Penal; Apelação Criminal; Furto qualificado; atenuante da confissão reconhecida; compensação com reincidência; regime inicial fechado; recurso parcialmente provido . Consta dos autos que o paciente foi condenado à pena de 2 (dois) anos e 9 (nove) meses de reclusão, no regime inicial fechado, pela prática do crime previsto no artigo 155, § 4º, I, do Código Penal. Em suas razões, sustenta a impetrante a ocorrência de constrangimento ilegal, porquanto não há fundamentação idônea para fixação de regime inicial de cumprimento da pena mais gravoso do que o cabível em razão da pena imposta, considerando o disposto no art. 33, § 2º, do CP, tendo em vista que as circunstâncias judiciais são favoráveis e a sanção penal não é superior a 4 anos, sendo considerada somente a reincidência do paciente. Alega que o entendimento consolidado do Superior Tribunal de Justiça autoriza a fixação de regime inicial de cumprimento de pena mais brando para reincidentes quando favoráveis as circunstâncias judiciais, como no caso dos autos. Reforça que não há circunstâncias judiciais desfavoráveis, uma vez que a pena foi fixada no mínimo legal, o que não justifica a imposição do regime fechado, sob pena de violação à Súmula 269 do STJ. Por fim, aduz que a compensação integral entre a reincidência e a confissão espontânea foi corretamente aplicada, mas o regime fechado foi mantido de forma automática, baseando-se exclusivamente na condição de reincidente do paciente. Requer, em suma, que seja alterado o regime inicial de cumprimento da pena para o semiaberto. É o relatório. Decido. A Terceira Seção do STJ, no julgamento do HC n. 535.063/SP, firmou o entendimento de que não cabe Habeas Corpus substitutivo de recurso próprio, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada alguma teratologia no ato judicial impugnado (Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, DJe de 25.8.2020). Assim, passo à análise das razões da impetração a fim de verificar se há flagrante ilegalidade que justifique a concessão do writ de ofício. Na espécie, consta do Voto condutor do acórdão impugnado a seguinte fundamentação quanto ao regime inicial de cumprimento da pena: Resta a questão a respeito do regime inicial de cumprimento da pena, determinado na modalidade fechada. Nesse sentido, embora a pena definitiva seja inferior a 04 (quatro) anos, a reincidência e os maus antecedentes do apelante autorizam a fixação do regime mais grave, nos termos da jurisprudência do STJ: .. Portanto, o réu deve iniciar o cumprimento de sua pena em regime fechado (fls. 17/18). Nos termos dos §§ 2º e 3º do art. 33 do Código Penal, para a fixação do regime inicial de cumprimento de pena o julgador deverá observar a quantidade de pena aplicada, a primariedade do réu e a eventual existência de circunstâncias judiciais desfavoráveis. Além disso, devem ser observados os enunciados das Súmulas n. 440 do Superior Tribunal de Justiça, e nºs. 718 e 719 do Supremo Tribunal Federal, segundos os quais é vedada a fixação de regime prisional mais gravoso do que o cabível em razão da sanção imposta somente com base na gravidade abstrata do delito. Ademais, segundo a jurisprudência do STJ e a legislação pátria, acima citada, é considerada motivação idônea para o fim de imposição de regime mais severo do que a pena aplicada: a) a reincidência, ainda que não seja específica (§ 2º do art. 33 do CP); b) a existência de circunstância judicial desfavorável, nos termos do art. 59 do CP (§ 3º do art. 33 do CP) e; c) a gravidade concreta do delito. Nesse sentido, vale citar os seguintes julgados: EREsp n. 1.970.578/SC, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Terceira Seção, DJe de 6.3.2023; AgRg no AgRg no AREsp n. 2.435.525/SP, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 6.6.2024; AgRg no HC n. 836.416/SP, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 3.5.2024; AgRg no HC n. 859.680/SP, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJe de 14.2.2024; AgRg no HC n. 842.514/SP, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 3.7.2024; AgRg no HC n. 901.630/SP, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 3.7.2024; AgRg no HC n. 905.390/SP, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 12.6.2024; AgRg no AREsp n. 2.465.687/SP, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 11.6.2024. Acresça-se que, de acordo com a Súmula n. 269 do STJ, é admissível a adoção do regime prisional semiaberto para reincidentes condenados a pena igual ou inferior a quatro anos, se favoráveis as circunstâncias judiciais. Nessa linha, o julgado impugnado não diverge da jurisprudência desta Corte, pois, conforme se extrai do trecho do acórdão supratranscrito, há elemento idôneo para a fixação do regime fechado, mesmo sendo a pena inferior a 4 anos pois, além da reincidência, houve a valoração negativa de circunstância judicial. Conclui-se, assim, que no caso em análise não há manifesta ilegalidade a ensejar a concessão da ordem de ofício. Ante o exposto, com fundamento no art. 21-E, IV, c/c o art. 210, ambos do RISTJ, indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA