AREsp 2949315 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial por intempestividade, uma vez que o recurso foi protocolado após o prazo legal de 15 dias corridos contado da publicação do acórdão (aplicando-se a contagem em dias corridos prevista no art. 1.003, §5º, CPC e no art. 798 do CPP), e não há fundamento para...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: EVANDRO GUIMARAES VERUTTI JUNIOR
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 July 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Regime Inicial De Cumprimento De Pena, Tempestividade Recursal, Contagem De Prazos, Habeas Corpus De Ofício, Reincidência, Substituição De Penas Restritivas De Direito
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
EVANDRO GUIMARAES VERUTTI JUNIOR
Recorrente
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão
Legal Issues
- 1 tempestividade do recurso especial
- 2 aplicação de contagem de prazo em dias corridos vs. dias úteis
- 3 possibilidade de fixação de regime inicial fechado para pena inferior a quatro anos
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial por intempestividade, uma vez que o recurso foi protocolado após o prazo legal de 15 dias corridos contado da publicação do acórdão (aplicando-se a contagem em dias corridos prevista no art. 1.003, §5º, CPC e no art. 798 do CPP), e não há fundamento para concessão de habeas corpus de ofício por ausência de flagrante ilegalidade; a fixação do regime inicial fechado pelo tribunal de origem foi considerada adequadamente fundamentada em reincidência e gravidade concreta dos fatos.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por EVANDRO GUIMARAES VERUTTI JUNIOR contra acórdão de fls. 207-213. O recorrente foi condenado como incurso no crime previsto no artigo 311, §2º, inciso III, e artigo 330, ambos do Código Penal, à pena privativa de liberdade de 3 (três) anos de reclusão e 10 (dez) dias multa, além de 15 (quinze) dias de detenção e 10 (dez) dias-multa, a serem cumpridas em regime inicial semiaberto, substituídas por duas penas restritivas de direito (fls. 130-135). O Tribunal de origem deu provimento ao apelo ministerial para aumentar a pena do crime de desobediência para 17 (dezessete) dias de detenção, mais 12 (doze) dias-multa, bem como fixar o regime inicial fechado no que tange ao crime do artigo 311 do Código Penal, cassando a substituição das penas restritivas (fls. 207-213). Os embargos declaratórios foram rejeitados (fls. 231-235). Em recurso especial, interposto com base no artigo 105, inciso III, alíneas "a" e "c", da Constituição Federal, o recorrente discorre que o acórdão impugnado violou o artigo 33, §3º, do Código Penal, ao fixar o regime inicial fechado sem a devida fundamentação. Ressalta-se que há divergência jurisprudencial, uma vez que a conclusão do Tribunal local é contrária à jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, mais precisamente o entendimento do AgRg no AREsp 1.183.800/SP. Salienta que não é possível aplicar o regime inicial fechado com pena inferior a quatro anos, haja vista que a Súmula n. 269/STJ menciona s casos apenas de reincidência (fls. 221-225). O Tribunal de origem inadmitiu o recurso especial, com base no artigo 1.030, inciso V, do Código de Processo Civil, por estar ausente o requisito da tempestividade (fls. 254-256). No presente agravo em recurso especial, o recorrente afirma que, mesmo diante da regra do artigo 798 do Código de Processo Penal, deveria ser adotada regra que flexibilize de forma excepcional o prazo para interposição recursal, em virtude dos princípios constitucionais do devido processo legal e da ampla defesa. Sustenta que o artigo 219 do Código de Processo Civil é aplicável ao caso e estabelece a contagem em dias úteis. A interpretação da norma processual deve garantir a máxima efetividade das garantias constitucionais, evitando formalismos que restrinjam a defesa (fls. 259-262). O parecer do Ministério Público Federal é pelo desprovimento do agravo, mas concessão de ordem de habeas corpus de ofício (fls. 290-294), assim ementado: AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INTEMPESTIVIDADE DO RESP. REGIME INICIAL EXCESSIVO. SÚMULA N. 269/STJ. CONCESSÃO DA ORDEM HABEAS CORPUS DE OFÍCIO PARA ABRANDAR O REGIME INICIAL DE CUMPRIMENTO DE PENA. É o relatório. O agravo em recurso especial é tempestivo e infirmou as razões da decisão de não admissibilidade. Passa-se, então, à análise do mérito recursal. O prazo para interposição de recurso especial em matéria penal é de 15 dias corridos, conforme disposto no art. 1.003, § 5º, do Código de Processo Civil e no art. 798 do Código de Processo Penal. Nos casos de matéria penal e processual penal, não se aplica a contagem de prazos em dias úteis prevista no art. 219 do Código de Processo Civil, em conformidade com o entendimento pacífico desta Corte Superior (AgRg no AREsp n. 1.652.807/SP, rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, j. 28/4/2020, DJe de 4/5/2020). Com base nesses pressupostos, o recurso especial é intempestivo. O acórdão que rejeitou os embargos de declaração foi publicado em 17/2/2025 (fl. 236). Por sua vez, o recurso foi protocolado em 10/3/2025 (fl. 221), portanto, foi apresentado fora do prazo legal de 15 (quinze) dias corridos. No tocante ao pedido de flexibilização formulado pelo recorrente, a jurisprudência consolidada do egrégio Superior Tribunal de Justiça estabelece que a contagem de prazos em dias corridos para recursos em matéria penal é obrigatória, sendo inadmissível a flexibilização por meio da aplicação de normas processuais civis que preveem contagem em dias úteis (AREsp n. 2.763.447/SP, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 18/2/2025, DJEN de 25/2/2025.) Assim, o recurso especial não deve ser conhecido. Sobre a possibilidade aventada pelo órgão ministerial de concessão de ordem de habeas corpus de ofício, salienta-se que, com lastro na interpretação sistemática dos arts. 647-A e 654, § 2º, ambos do CPP, esta colenda Corte Superior entende que a concessão da ordem de ofício é de iniciativa exclusiva do julgador, quando se deparar com flagrante ilegalidade em procedimento de sua competência. Todavia, não se vislumbra essa conjuntura na hipótese. De acordo com o acórdão recorrido (fls. 211-212): .. Assim, o perigo que causou a terceiros durante a negativa de parar, após requisitado pelos guardas, conduzindo o motociclo em alta velocidade, realizando diversas manobras perigosas, inclusive trafegando na contramão da via, justifica o aumento da pena em 1/6, ficando, portanto, em 17 dias de detenção e 12 dias-multa. .. O regime inicial fechado é o único cabível no presente caso, nos termos do §3º do art. 33 e art. 59, III, do Código Penal, já que se trata de acusado reincidente, a demonstrar que a condenação anterior não foi suficiente a conscientizá-lo. Ademais, os fatos foram gravíssimos, não sendo apenas o montante da pena ou a gravidade abstrata da conduta que devem balizar a modalidade prisional, mas também a necessidade de justa e suficiente resposta jurisdicional, apta à reprovação e, principalmente, a obstar a reiteração criminosa. Por tudo isso, mesmo se tratando de pena abaixo de quatro anos de reclusão, tratando de fatos gravíssimos, e réu que é reincidente, é possível a fixação do regime inicial fechado. Ao que se denota, o juízo de origem forneceu fundamentação adequada para readequar o regime inicial de cumprimento da pena para a modalidade fechada. A conclusão é admitida por este egrégio Superior Tribunal e, portanto, não está caracterizada flagrante ilegalidade. Nesse sentido: DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. FIXAÇÃO DE REGIME INICIAL FECHADO. PENA INFERIOR A 8 ANOS. REINCIDÊNCIA E MAUS ANTECEDENTES COMO CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS DESFAVORÁVEIS. POSSIBILIDADE. ART. 33, § 3º, DO CÓDIGO PENAL. RECURSO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME .. 4. A jurisprudência do egrégio Superior Tribunal de Justiça admite a imposição do regime inicial fechado, mesmo para penas inferiores a quatro anos, quando presentes circunstâncias judiciais desfavoráveis e reincidência, como no caso concreto. Inteligência do art. 33, § 3º, do Código Penal. .. (AgRg no AREsp n. 2.861.369/SP, Minha Relatoria, Quinta Turma, julgado em 10/6/2025, DJEN de 16/6/2025.) AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. FURTO. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. NÃO APLICAÇÃO. REITERAÇÃO DELITIVA. DESCLASSIFICAÇÃO PARA A FORMA PRIVILEGIADA. IMPOSSIBILIDADE. REGIME FECHADO. MAUS ANTECEDENTES E REINCIDÊNCIA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. .. Apesar do quantum da pena aplicada, inferior a 4 anos de reclusão, a reincidência e o registro de maus antecedentes justificam, em consonância com o art. 33, § 2º, "c" e § 3º do CP, a aplicação do regime inicial fechado. .. (AgRg no AREsp n. 2.684.269/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 17/6/2025, DJEN de 25/6/2025.) Com efeito, a reincidência e a gravidade concreta dos fatos, consubstanciada na condução com manobras perigosas em via pública, inclusive na contramão, adequadamente justificou a alteração do regime prisional inicial. Dessa forma, não há fundamento para a concessão da ordem de ofício. Ante o exposto, com fulcro no art. 253, parágrafo único, inciso II, "a", do Regimento Interno do egrégio Superior Tribunal de Justiça , conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA