HC 1030669 - DECISAO
Concedeu-se a ordem liminarmente para fixar o regime inicial semiaberto porque, sendo o réu primário com pena-base no mínimo legal e não havendo peculiaridades que justifiquem maior severidade, é vedado impor regime mais rigoroso com base apenas na gravidade abstrata do delito, em conformidade com as Súmulas 440/STJ...
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- Parties
- Paciente: LUAN DE CASTRO; Autoridade Coatora: Tribunal de Justiça de São Paulo
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 September 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Liminar Concedida
- Outcome
- Ordem concedida liminarmente
- Legal Topics
- Regime Inicial De Cumprimento De Pena, Habeas Corpus, Súmula 440/stj, Súmulas 718 E 719/stf, Gravidade Abstrata Do Delito
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Parties
LUAN DE CASTRO
Paciente
Tribunal de Justiça de São Paulo
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Habeas Corpus / Liminar Concedida
Legal Issues
- 1 fixação do regime prisional inicial
- 2 aplicação das Súmulas 440/STJ e 718 e 719/STF
- 3 uso do habeas corpus para revisar condenação em caso de flagrante ilegalidade
Ratio Decidendi
Concedeu-se a ordem liminarmente para fixar o regime inicial semiaberto porque, sendo o réu primário com pena-base no mínimo legal e não havendo peculiaridades que justifiquem maior severidade, é vedado impor regime mais rigoroso com base apenas na gravidade abstrata do delito, em conformidade com as Súmulas 440/STJ e 718 e 719/STF e com os parâmetros do art.33, §§2º e 3º, do Código Penal.
Court Disposition
Ordem concedida liminarmente
Orders
- Estabelecer o regime inicial semiaberto para cumprimento da reprimenda imposta nos Autos n. 1501416-50.2025.8.26.0228, da 19ª Vara Criminal do Foro Central Criminal Barra Funda da comarca da Capital/SP.
- Comunique-se com urgência.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO O presente habeas corpus, impetrado em benefício de LUAN DE CASTRO - condenado pela prática roubo qualificado -, em que se aponta como autoridade coatora o Tribunal de Justiça de São Paulo (Apelação n. 1501416-50.2025.8.26.0228), comporta pronto acolhimento. Busca a impetração a fixação do regime inicial semiaberto ao argumento de que se trata de paciente primário, com bons antecedentes, e que foram consideradas favoráveis todas as circunstâncias judiciais, sendo ele condenado a uma pena inferior a 8 anos. Cita, em favor de sua tese, os enunciados das Súmulas 440/STJ, 718 e 719/STF. Ocorre que é inviável a utilização da via eleita para revisar a condenação imposta e mantida pelas instâncias ordinárias. Contudo, de fato, na hipótese, há flagrante ilegalidade que justifica a superação do óbice. Com efeito, ao dar provimento ao recurso da acusação, o Tribunal a quo fixou o regime fechado aos seguintes fundamentos (fl. 62): O regime inicial fechado para o cumprimento das penas é o adequado, não comportando abrandamento. O crime de roubo é de extrema gravidade e quem envereda para a prática desse tipo de criminalidade indisfarçavelmente tem personalidade deturpada, causadora de risco à ordem pública. Necessário, portanto, maior reprovabilidade àqueles que enveredam para a prática de tal conduta ilícita, de modo que prevaleça o parâmetro da suficiência, sob pena de indisfarçável impunidade, na contramão do anseio social voltado para a melhoria da segurança pública. Sucede que, consoante o posicionamento firmado no Superior Tribunal de Justiça, tratando-se de réu primário e fixada a pena-base no mínimo legal, mostra-se inadmissível a estipulação de regime prisional mais rigoroso do que aquele previsto para a sanção aplicada com base apenas na gravidade abstrata do delito (Súmula 440/STJ). No mesmo sentido, as Súmulas 718 e 719/STF. No caso, não há peculiaridades evidenciadoras de que, em atenção aos critérios da necessidade e da suficiência da resposta penal, o ora paciente precise se ajustar ao regime mais severo. Assim, o regime inicial, à luz das balizas delineadas pelo art. 33, §§ 2º e 3º, do Código Penal, deve ser o semiaberto. À vista do exposto, concedo liminarmente a ordem a fim de estabelecer o regime inicial semiaberto para o cumprimento da reprimenda imposta ao ora paciente nos Autos n. 1501416-50.2025.8.26.0228, da 19ª Vara Criminal do Foro Central Criminal Barra Funda da comarca da Capital/SP. Comunique-se com urgência. Intime-se o Ministério Público estadual. Publique-se. EMENTA HABEAS CORPUS. ROUBO MAJORADO. REGIME FECHADO. GRAVIDADE ABSTRATA DO DELITO. SÚMULAS 440 DO STJ E 718 E 719 DO STF. EVIDENTE CONSTRANGIMENTO ILEGAL. Ordem concedida liminarmente nos termos do dispositivo.