HC 1032022 - DECISAO
Concluiu-se que o acórdão impugnado contém fundamentação idônea para a fixação do regime semiaberto, em especial a valoração negativa de circunstâncias judiciais, em conformidade com os §§ 2º e 3º do art. 33 do CP, o art. 59 e a jurisprudência desta Corte; não se verificou flagrante ilegalidade ou teratologia que...
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- Parties
- Paciente: ANIURI MACHADO RAMALHO; Coator: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 10 September 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Liminar Indeferida
- Outcome
- Indefiro liminarmente o Habeas Corpus
- Legal Topics
- Regime Inicial De Cumprimento De Pena, Fixação Do Regime Prisional, Circunstâncias Judiciais, Súmula 719 STF, Bis in Idem
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Parties
ANIURI MACHADO RAMALHO
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO
Coator
Procedural Posture
Habeas Corpus / Liminar Indeferida
Legal Issues
- 1 admissibilidade de Habeas Corpus como substitutivo de recurso próprio
- 2 correção da fixação do regime semiaberto para réu primário condenado a pena igual ou inferior a quatro anos
- 3 necessidade de fundamentação concreta para agravar o regime inicial
Ratio Decidendi
Concluiu-se que o acórdão impugnado contém fundamentação idônea para a fixação do regime semiaberto, em especial a valoração negativa de circunstâncias judiciais, em conformidade com os §§ 2º e 3º do art. 33 do CP, o art. 59 e a jurisprudência desta Corte; não se verificou flagrante ilegalidade ou teratologia que justificasse substituição de recurso por Habeas Corpus, motivo pelo qual a liminar foi indeferida.
Court Disposition
Indefiro liminarmente o Habeas Corpus
Orders
- Indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus
- Cientifique-se o Ministério Público Federal
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Habeas Corpus impetrado em favor de ANIURI MACHADO RAMALHO em que se aponta como ato coator o acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO assim ementado: Ementa: DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. APELAÇÃO CRIMINAL. LESÃO CORPORAL DE NATUREZA GRAVE. DEFORMIDADE PERMANENTE. CONDENAÇÃO MANTIDA. REGIME SEMIABERTO FIXADO EM RAZÃO DE CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS DESFAVORÁVEIS. APELOS IMPROVIDOS. Consta dos autos que a paciente foi condenada à pena de 3 (três) anos e 6 (seis) meses de reclusão, em regime inicial semiaberto, pela prática do delito capitulado no art. 129, § 2º, IV, do Código Penal. Em suas razões, sustenta a impetrante a ocorrência de constrangimento ilegal, porquanto a fixação do regime semiaberto para o início do cumprimento da pena da paciente não encontra respaldo no art. 33, § 2º, alínea "c", do Código Penal, que prevê o regime aberto para condenados não reincidentes com pena igual ou inferior a 4 (quatro) anos. Alega que a paciente é primária e que as circunstâncias judiciais são majoritariamente favoráveis, não havendo elementos concretos que justifiquem a imposição de regime mais gravoso. Argumenta que a decisão recorrida não apresentou fundamentação idônea e concreta, limitando-se a conceitos genéricos como "reprovabilidade da conduta" e "consequências negativas", o que configura violação ao princípio da proporcionalidade e à Súmula 719 do Supremo Tribunal Federal. Defende que a valoração negativa das circunstâncias judiciais já foi considerada na fixação da pena-base acima do mínimo legal, de modo que a imposição de regime mais severo configura bis in idem, em afronta ao princípio do non bis in idem e à individualização da pena. Requer, em suma, a alteração do regime inicial de cumprimento da pena para o aberto. É o relatório. Decido. A Terceira Seção do STJ, no julgamento do HC n. 535.063/SP, firmou o entendimento de que não cabe Habeas Corpus substitutivo de recurso próprio, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada alguma teratologia no ato judicial impugnado (Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, DJe de 25.8.2020). Assim, passo à análise das razões da impetração a fim de verificar se há flagrante ilegalidade que justifique a concessão do writ de ofício. Na espécie, consta do Voto condutor do acórdão impugnado a seguinte fundamentação quanto ao regime inicial de cumprimento da pena: Isso porque, conforme preceitua o artigo 33, §§ 2º e 3º, do Código Penal, a indicação do regime inicial de cumprimento depende não só do quantum da pena, mas também se o apenado é reincidente ou não - o que demonstra a necessidade de maior reprimenda nos casos em que o for - e, ainda, das circunstâncias previstas no art. 59, do Código Penal. .. No presente caso, o magistrado a quo aplicou o regime semiaberto em decorrência das circunstâncias judiciais desfavoráveis à apelante, registrando que considerou como gravíssimo o grau de reprovabilidade da conduta praticada, bem como extremamente negativas as consequências do crime. Dessa forma, mantenho o regime fixado na sentença, o qual encontra respaldo tato no art. 33, § 3º, do Código Penal, quanto na jurisprudência pátria (fl. 17). Nos termos dos §§ 2º e 3º do art. 33 do Código Penal, para a fixação do regime inicial de cumprimento de pena o julgador deverá observar a quantidade de pena aplicada, a primariedade do réu e a eventual existência de circunstâncias judiciais desfavoráveis. Além disso, devem ser observados os enunciados das Súmulas n. 440 do Superior Tribunal de Justiça, e nºs. 718 e 719 do Supremo Tribunal Federal, segundos os quais é vedada a fixação de regime prisional mais gravoso do que o cabível em razão da sanção imposta somente com base na gravidade abstrata do delito. Ademais, segundo a jurisprudência do STJ e a legislação pátria, acima citada, é considerada motivação idônea para o fim de imposição de regime mais severo do que a pena aplicada: a) a reincidência, ainda que não seja específica (§ 2º do art. 33 do CP); b) a existência de circunstância judicial desfavorável, nos termos do art. 59 do CP (§ 3º do art. 33 do CP) e; c) a gravidade concreta do delito. Nesse sentido, vale citar os seguintes julgados: EREsp n. 1.970.578/SC, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Terceira Seção, DJe de 6.3.2023; AgRg no AgRg no AREsp n. 2.435.525/SP, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 6.6.2024; AgRg no HC n. 836.416/SP, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 3.5.2024; AgRg no HC n. 859.680/SP, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJe de 14.2.2024; AgRg no HC n. 842.514/SP, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 3.7.2024; AgRg no HC n. 901.630/SP, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 3.7.2024; AgRg no HC n. 905.390/SP, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 12.6.2024; AgRg no AREsp n. 2.465.687/SP, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 11.6.2024. Acresça-se que, de acordo com a Súmula n. 269 do STJ, é admissível a adoção do regime prisional semiaberto para reincidentes condenados a pena igual ou inferior a quatro anos, se favoráveis as circunstâncias judiciais. Nessa linha, o julgado impugnado não diverge da jurisprudência desta Corte, pois, conforme se extrai do trecho do acórdão supratranscrito, há elemento idôneo para a fixação do regime semiaberto, em especial a valoração negativa de circunstâncias judiciais. Por fim, não prospera a tese de bis in idem pois no § 3º do art. 33 do Código Penal há determinação expressa de que a fixação do regime inicial de cumprimento da pena "far-se-á com observância dos critérios estabelecidos no art. 59 deste Código". Conclui-se, assim, que no caso em análise não há manifesta ilegalidade a ensejar a concessão da ordem de ofício. Ante o exposto, com fundame nto no art. 21-E, IV, c/c o art. 210, ambos do RISTJ, indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA