HC 1040486 - DECISAO
Não se verificou manifesta ilegalidade no acórdão impugnado, pois houve motivação idônea para a fixação do regime fechado em razão da valoração negativa de circunstância judicial (antecedentes) nos termos dos §§ 2º e 3º do art. 33 do Código Penal e da jurisprudência do STJ; ademais, o habeas corpus não substitui...
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- Parties
- Paciente: DOUGLAS FERRO QUIRINO; Órgão Coator: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL; Notificado: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 15 October 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Liminar Indeferida
- Outcome
- liminar indeferida
- Legal Topics
- Regime Inicial De Cumprimento De Pena, Tráfico De Drogas, Dosimetria Da Pena, Habeas Corpus, Precedentes Jurisprudenciais
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Parties
DOUGLAS FERRO QUIRINO
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL
Órgão Coator
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
Notificado
Procedural Posture
Habeas Corpus / Liminar Indeferida
Legal Issues
- 1 cabimento de habeas corpus substitutivo de recurso
- 2 legalidade do regime inicial de cumprimento de pena
- 3 valoração de circunstâncias judiciais (antecedentes) como fundamento para recrudescimento do regime
Ratio Decidendi
Não se verificou manifesta ilegalidade no acórdão impugnado, pois houve motivação idônea para a fixação do regime fechado em razão da valoração negativa de circunstância judicial (antecedentes) nos termos dos §§ 2º e 3º do art. 33 do Código Penal e da jurisprudência do STJ; ademais, o habeas corpus não substitui recurso próprio, razão pela qual a liminar foi indeferida.
Court Disposition
liminar indeferida
Orders
- Indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus
- Cientifique-se o Ministério Público Federal
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Habeas Corpus impetrado em favor de DOUGLAS FERRO QUIRINO em que se aponta como ato coator o acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL assim ementado: EMENTA - APELAÇÃO CRIMINAL - RECURSO DEFENSIVO PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE COAÇÃO MORAL IRRESISTÍVEL - NÃO OCORRÊNCIA - COMPROVAÇÃO AUSENTE - RECURSO DA ACUSAÇÃO - PLEITO DE EXASPERAÇÃO DA PENA-BASE POR FORÇA DO ART. 42 DA LEI 11.343/06 - IMPOSSIBILIDADE - NATUREZA E QUANTIDADE DA DROGA QUE NÃO DESTOAM DA NORMALIDADE - RECRUDESCIMENTO DO REGIME PRISIONAL PARA O FECHADO NECESSIDADE - CIRCUNSTÂNCIA JUDICIAL DESFAVORÁVEL (ANTECEDENTES) - RECURSO MINISTERIAL PROVIDO EM PARTE E DEFENSIVO DESPROVIDO, EM PARTE COM O PARECER. Consta dos autos que o paciente foi condenado à pena de 5 (cinco) anos de reclusão, em regime fechado, pela prática do delito capitulado no art. 33, caput, da Lei n. 11.343/06. Em suas razões, sustenta o impetrante a ocorrência de constrangimento ilegal, porquanto a imposição do regime inicial fechado se deu de forma desproporcional e mais gravosa do que o previsto em lei para o caso concreto, devendo ser restabelecido o regime semiaberto fixado na sentença. Argumenta que o paciente é tecnicamente primário, que as circunstâncias judiciais são em quase sua totalidade favoráveis, que a pena aplicada é de 5 (cinco) anos e que o delito não foi praticado com violência ou grave ameaça, elementos que recomendam o regime semiaberto, à luz dos princípios da proporcionalidade e da individualização da pena. Defende que o recrudescimento para o regime fechado ocorreu única e exclusivamente pela existência de antecedentes, o que configura severidade excessiva, sobretudo porque a sentença, ao fixar o regime semiaberto, registrou a primariedade técnica, a pena aplicada e a antiguidade da condenação anterior, além de consignar que a prisão preventiva não altera o regime inicial nos termos do art. 387, § 2º, do CPP. Requer, em suma, a alteração do regime inicial de cumprimento de pena para o semiaberto. É o relatório. Decido. A Terceira Seção do STJ, no julgamento do HC n. 535.063/SP, firmou o entendimento de que não cabe Habeas Corpus substitutivo de recurso próprio, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada alguma teratologia no ato judicial impugnado (Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, DJe de 25.8.2020). Assim, passo à análise das razões da impetração a fim de verificar se há flagrante ilegalidade que justifique a concessão do writ de ofício. Na espécie, consta do Voto condutor do acórdão impugnado a seguinte fundamentação quanto ao regime inicial de cumprimento da pena: O réu é tecnicamente primário, mas foi reconhecida circunstância judicial desfavorável (antecedentes), o que autoriza, com fulcro no art. 33, §§ 2º e 3º, do Código Penal, o recrudescimento da reprimenda ao regime fechado (fl. 21). Nos termos dos §§ 2º e 3º do art. 33 do Código Penal, para a fixação do regime inicial de cumprimento de pena o julgador deverá observar a quantidade de pena aplicada, a primariedade do réu e a eventual existência de circunstâncias judiciais desfavoráveis. Além disso, devem ser observados os enunciados das Súmulas n. 440 do Superior Tribunal de Justiça, e das Súmulas nºs 718 e 719 do Supremo Tribunal Federal, segundos os quais é vedada a fixação de regime prisional mais gravoso do que o cabível em razão da sanção imposta somente com base na gravidade abstrata do delito. Ademais, segundo a jurisprudência do STJ e a legislação pátria, acima citada, é considerada motivação idônea para o fim de imposição de regime mais severo do que a pena aplicada: a) a reincidência, ainda que não seja específica (§ 2º do art. 33 do CP); b) a existência de circunstância judicial desfavorável, nos termos do art. 59 do CP (§ 3º do art. 33 do CP) e; c) a gravidade concreta do delito. Ademais, segundo a jurisprudência do STJ e a legislação pátria, acima citada, é considerada motivação idônea para o fim de imposição de regime mais severo do que a pena aplicada: a) a reincidência, ainda que não seja específica (§ 2º do art. 33 do CP); b) a existência de circunstância judicial desfavorável, nos termos do art. 59 do CP (§ 3º do art. 33 do CP) e; c) a gravidade concreta do delito, que no tráfico pode ser avaliada pela quantidade, variedade e espécie de entorpecente apreendido. Havendo condenação por crime de tráfico, ainda dispõe o art. 42 da Lei n. 11.343/2006 sobre duas outras circunstâncias judiciais preponderantes - a natureza e a quantidade de droga - que, se desfavoráveis, autorizam, além da majoração da pena-base na primeira fase da dosimetria da pena, a fixação de regime mais gravoso quando considerada a sanção imposta (AgRg no HC n. 910.018/SP, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 1.7.2024). Nesse sentido, ainda vale citar os seguintes julgados: EREsp n. 1.970.578/SC, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Terceira Seção, DJe de 6.3.2023; AgRg no AgRg no AREsp n. 2.435.525/SP, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 6.6.2024; AgRg no HC n. 836.416/SP, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 3.5.2024; AgRg no HC n. 859.680/SP, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJe de 14.2.2024; AgRg no HC n. 842.514/SP, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 3.7.2024; AgRg no HC n. 901.630/SP, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 3.7.2024; AgRg no HC n. 905.390/SP, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 12.6.2024; AgRg no AREsp n. 2.465.687/SP, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 11.6.2024; AgRg no HC n. 910.018/SP, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 1.7.2024; RvCr n. 5.906/SP, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Terceira Seção, DJe de 5.6.2024; AgRg no HC n. 895.226/SP, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJe de 24.5.2024; AgRg no HC n. 898.119/SP, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJe de 16.5.2024; AgRg no HC n. 910.018/SP, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 1.7.2024. Acresça-se que, de acordo com a Súmula n. 269 do STJ, é admissível a adoção do regime prisional semiaberto para reincidentes condenados a pena igual ou inferior a quatro anos, se favoráveis as circunstâncias judiciais. Nessa linha, o julgado impugnado não diverge da jurisprudência do STJ, pois, conforme se extrai do trecho do acórdão supratranscrito, há elemento idôneo para a fixação do regime fechado, em especial a valoração negativa de circunstância judicial. Conclui-se, assim, que no caso em análise não há manifesta ilegalidade a ensejar a concessão da ordem de ofício. Ante o exposto, com fundamento no art. 21-E, IV, c/c o art. 210, ambos do RISTJ, indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA