AREsp 3062509 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial, por entender que o acórdão recorrido está em conformidade com a jurisprudência deste Tribunal: a existência de circunstância judicial desfavorável (maus antecedentes) justificou a fixação do regime inicial semiaberto e tornou incabível a substituição...
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- Parties
- Agravante: OTÁVIO MATHEUS DAVI SILVA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 December 2025
- Procedural Posture
- Agravo / Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial.
- Legal Topics
- Regime Inicial De Cumprimento De Pena, Dosimetria, Circunstâncias Judiciais, Reincidência, Substituição De Pena Privativa Por Restritiva De Direitos, Regime Semiaberto
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Parties
OTÁVIO MATHEUS DAVI SILVA
Agravante
Procedural Posture
Agravo / Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial
Legal Issues
- 1 violação do artigo 33, § 2º, alínea "c", do Código Penal (alegada)
- 2 possibilidade de fixação do regime inicial semiaberto quando a pena é inferior a 4 anos
- 3 se a reincidência isolada é fundamentação idônea para regime mais gravoso
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial, por entender que o acórdão recorrido está em conformidade com a jurisprudência deste Tribunal: a existência de circunstância judicial desfavorável (maus antecedentes) justificou a fixação do regime inicial semiaberto e tornou incabível a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos, mesmo com a pena final inferior a quatro anos.
Court Disposition
Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por OTÁVIO MATHEUS DAVI SILVA contra decisão proferida pelo Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso do Sul, que não admitiu o recurso especial manejado com apoio no artigo 105, III, "a", da Constituição da República. Nas razões recursais, aduz a defesa violação do artigo 33, § 2º, alínea "c", do Código Penal. Alega que a pena fixada em 3 anos e 10 meses de reclusão é inferior a 4 anos e que apenas uma circunstância judicial desfavorável foi reconhecida, sustentando ser desproporcional a manutenção do regime inicial semiaberto. Defende que a reincidência, isoladamente, não é motivação idônea para regime mais gravoso, exigindo-se fundamentação concreta, conforme as Súmulas 718 e 719 do STF, e que o regime aberto atende ao princípio da proporcionalidade. Requer o provimento do recurso para que seja reformado o acórdão recorrido. Contrarrazões às fls. 449-455 (e-STJ). O recurso foi inadmitido (e-STJ, fls. 457-460). Daí este agravo (e-STJ, fls. 469-478). O Ministério Público Federal opina pelo conhecimento do agravo para não conhecer do recurso especial (e-STJ, fls. 522-523). É o relatório. Decido. A irresignação não prospera. Verifica-se dos autos que o acórdão recorrido está em consonância com a jurisprudência pacífica desta Corte, quanto à fixação do regime inicial semiaberto, tendo em vista que, embora a pena tenha sido estabelecida em menos de 04 (quatro) anos de reclusão, há circunstância judicial desfavorável (maus antecedentes), incabível, pela mesma razão, a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos. Nesse sentido: "DIREITO PENAL. HABEAS CORPUS. FURTO QUALIFICADO. DOSIMETRIA. AUMENTO DA PENA-BASE. TRÊS CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS DESFAVORÁVEIS. FRAÇÃO DE 1/2. PROPORCIONALIDADE E FUNDAMENTAÇÃO. DISCRICIONARIEDADE DO JULGADOR. REGIME PRISIONAL E SUBSTITUIÇÃO DAS PENAS. INVIABILIDADE. WRIT NÃO CONHECIDO. I. CASO EM EXAME 1. Habeas corpus substitutivo de recurso ordinário impetrado em favor de condenado à pena de 3 anos e 6 meses de reclusão, em regime semiaberto, e 17 dias-multa, pela prática de furto qualificado (art. 155, § 4º, II e IV, c/c art. 61, II, h, do Código Penal). A defesa alega desproporcionalidade no acréscimo da pena-base na primeira fase da dosimetria, requerendo a redução do quantum de aumento, a alteração para regime aberto e a substituição da pena privativa de liberdade por penas restritivas de direitos. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. Há três questões em discussão: (i) definir se houve desproporcionalidade no aumento da pena-base em 1/2, na primeira fase da dosimetria; (ii) estabelecer se é possível a alteração do regime prisional para o regime aberto; e (iii) verificar a viabilidade de substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direitos. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. O Tribunal de origem fundamenta o aumento da pena-base com base na gravidade concreta do delito, destacando o alto grau de premeditação e organização da conduta, evidenciado pela simulação de vínculo empregatício na instituição bancária e pela escolha de vítima idosa para a prática do furto, bem como pelo prejuízo superior ao comum para essa modalidade delitiva. 4. O aumento da pena-base não se limita a critério matemático rígido, sendo permitida ao julgador a adoção de frações variadas, como 1/6 ou 1/8, desde que justificada pela análise das circunstâncias do caso concreto. Esse entendimento está alinhado com a jurisprudência desta Corte, que permite incremento diferenciado conforme o maior desvalor da conduta do réu (AgRg no HC n. 856.273/SP). 5. A fixação da pena-base acima do mínimo legal, devido ao reconhecimento de três circunstâncias judiciais desfavoráveis, justifica a imposição do regime semiaberto e a não substituição das penas, ainda que a sanção final seja inferior a 4 anos de reclusão, em observância aos arts. 33 e 44, III, do Código Penal (AgRg no HC n. 736.864/SP). IV. ORDEM NÃO CONHECIDA." (HC n. 940.810/SP, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 10/12/2024, DJEN de 16/12/2024.) "AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. PENAL. PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO. DOSIMETRIA. PENA-BASE. MOTIVO. CIRCUNSTÂNCIAS. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. .. 5. No que diz respeito ao regime de cumprimento de pena, embora a reprimenda aplicada não seja superior a 04 (quatro) anos, a pena-base foi fixada acima do mínimo legal em razão da negativação de duas circunstâncias judiciais, o que autoriza a fixação do regime intermediário, consoante jurisprudência desta Corte de Justiça. 6. Agravo regimental não provido." (AgRg no HC n. 916.299/SP, relator Ministro Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do Tjsp), Sexta Turma, julgado em 16/10/2024, DJe de 23/10/2024.) Ante o exposto, com fundamento no art. 253, parágrafo único, II, "b", do RISTJ, conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA