REsp 2150136 - DECISAO
O recurso não foi conhecido porque a tese recursal exige reapreciação de fatos e provas analisados pela instância ordinária, o que é vedado em recurso especial conforme a Súmula 7 do STJ, e porque houve impetração de habeas corpus anterior que já denegou a ordem, além da vedação à tramitação paralela de habeas...
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- Parties
- Agravante/recorrente: MICHELE DE PAULA BANDEIRA BENTO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 December 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Inadmissão De Recurso Especial (decisão De Não Conhecimento)
- Outcome
- recurso não conhecido / inadmitido
- Legal Topics
- Regime Inicial De Cumprimento De Pena, Dosimetria Da Pena, Art. 33, §2º, Alínea "b", Do Código Penal, Princípio Da Unirrecorribilidade, Impetração Concomitante De Habeas Corpus E Recurso Especial
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Parties
MICHELE DE PAULA BANDEIRA BENTO
Agravante/recorrente
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Inadmissão De Recurso Especial (decisão De Não Conhecimento)
Legal Issues
- 1 violação ao art. 33, §2º, alínea "b" do Código Penal
- 2 pedido de abrandamento do regime inicial de cumprimento da pena
- 3 reexame de fatos e provas vedado em recurso especial (Súmula 7/STJ)
Ratio Decidendi
O recurso não foi conhecido porque a tese recursal exige reapreciação de fatos e provas analisados pela instância ordinária, o que é vedado em recurso especial conforme a Súmula 7 do STJ, e porque houve impetração de habeas corpus anterior que já denegou a ordem, além da vedação à tramitação paralela de habeas corpus e recurso especial; aplicou-se o art. 1.030, inciso V, do CPC para inadmitir o recurso.
Court Disposition
recurso não conhecido / inadmitido
Orders
- Inadmito o recurso com fundamento no artigo 1.030, inciso V, do Código de Processo Civil
- Publique-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por MICHELE DE PAULA BANDEIRA BENTO contra decisão que não admitiu recurso especial, assim fundamentada (fls. 1.041-1.042): A recorrente sustenta violação ao artigo 33, §2º, alínea "b", do Código Penal, requerendo o abrandamento do regime inicial de cumprimento de pena. A parte recorrida apresentou contrarrazões. Inviável o seguimento do apelo. A tese recursal já foi submetida à Segunda Instância e rejeitada após a análise dos elementos informativos do feito, de sorte que a insurgência em exame não ostenta questão federal, revelando o mero inconformismo da parte com as conclusões do acórdão, para o que desserve o recurso especial. Assim, somente seria possível infirmar a decisão colegiada se o Tribunal ad quem procedesse à reapreciação dos fatos e provas dos autos. Contudo, consabido que a instância ordinária é soberana na análise probatória, sendo vedado seu reexame em sede dos apelos excepcionais. Nesse sentido: Verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa, seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". (AgInt no REsp n. 1.954.279/RS, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 20/3/2023, DJe de 24/3/2023). Inadmito o recurso, com fundamento no artigo 1.030, inciso V, do Código de Processo Civil. Nas razões do recurso, a agravante sustenta que o que se requer é somente o abrandamento do regime de cumprimento de pena, fixado inicialmente no fechado, de forma exagerada, desproporcional e desarrazoada, na ocasião da análise das circunstâncias do art. 59 do Código Penal, não havendo, portanto, necessidade de revisar a prova, mas tão somente a dosimetria da pena. Requer o provimento o recurso especial, considerando-se a flagrante legalidade. É o relatório. Em consulta ao sistema processual do Superior Tribunal de Justiça, constata-se a anterior impetração do HC n. 868.351-MG pela ora agravante, no qual foi pleiteada a modificação do regime inicial de cumprimento da pena do fechado para o semiaberto. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça não admite o processamento conjunto de recurso e habeas corpus apresentados contra o mesmo ato jurisdicional, sob pena de ofensa ao princípio da singularidade ou unirrecorribilidade, não se podendo provocar a apreciação da mesma instância por diferentes meios de modo simultâneo. A propósito: AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. TRÁFICO ILÍCITO DE DROGAS, FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTO PÚBLICO E USO DE DOCUMENTO FALSO. OFENSA AO PRINCÍPIO DA COLEGIALIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. INOBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DA UNIRRECORRIBILIDADE. INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL E IMPETRAÇÃO DE HABEAS CORPUS. INEVIDÊNCIA DE CONSTRANGIMENTO ILEGAL. 1. Não viola o princípio da colegialidade a decisão monocrática do Relator calcada em jurisprudência dominante do Superior Tribunal de Justiça, tendo em vista a possibilidade de submissão do julgado ao exame do Órgão Colegiado, mediante a interposição de agravo regimental. 2. Hipótese em que houve a interposição de recurso especial na origem e, na sequência, do respectivo agravo, e a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça não admite a tramitação concomitante de recursos e habeas corpus manejados contra o mesmo ato, sob pena de violação do princípio da unirrecorribilidade (AgRg no HC n. 678.593/SP, Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe 27/9/2022). 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 918.633/SP, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 9/9/2024, DJe de 12/9/2024 - grifo próprio.) PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. WRIT SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. NÃO CABIMENTO. PRECEDENTES DO STF E STJ. TRAMITAÇÃO EM PARALELO DE AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AFRONTA AO PRINCÍPIO DA UNIRRECORRIBILIDADE. MEDIDAS CAUTELARES. CONSTRANGIMENTO ILEGAL. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. PEDIDO SUBSIDIÁRIO. INOVAÇÃO RECURSAL. INADMISISBILIDADE. AGRAVO CONHECIDO EM PARTE E, NESSA EXTENSÃO, DESPROVIDO. 1. Esta Corte - HC 535.063, Terceira Seção, Rel. Ministro Sebastião Reis Junior, julgado em 10/6/2020 - e o Supremo Tribunal Federal - AgRg no HC 180.365, Primeira Turma, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 27/3/2020; AgRg no HC 147.210, Segunda Turma, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 30/10/2018 -, pacificaram orientação no sentido de que não cabe habeas corpus substitutivo do recurso legalmente previsto para a hipótese, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada a existência de flagrante ilegalidade no ato judicial impugnado. 2. Não bastasse o mencionado entendimento pacificamente adotado por esta Corte Superior, no sentido da inviabilidade de uso do remédio constitucional em substituição a recurso previsto em lei, na hipótese em exame constata-se que o presente habeas corpus tramita em paralelo ao recurso especial interposto em face do acórdão proferido pela instância ordinária, em evidente violação ao princípio da unirrecorribilidade. .. 5. Agravo regimental conhecido em parte e, nessa extensão, desprovido. (AgRg no HC n. 880.190/RO, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 17/6/2024, DJe de 20/6/2024 - grifo próprio.) Na mesma direção: AgRg no HC n. 887.255/PB, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 18/3/2024, DJe de 20/3/2024; AgRg no HC n. 831.891/PB, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Sexta Turma, julgado em 12/12/2023, DJe de 15/12/2023; e AgRg no HC n. 848.280/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 2/10/2023, DJe de 5/10/2023. Por fim, registro que, no habeas corpus impetrado anteriormente, foi proferida decisão, publicada em 22/2/2024, denegando a ordem por entender-se que "não há ilegalidade na fixação do regime inicial fechado para o cumprimento da pena fixada entre 4 e 8 anos, se Tribunal de origem mantém a pena-base acima do mínimo legal, haja vista a valoração negativa da culpabilidade da paciente". Assim, encontra-se esvaziado o objeto do presente recurso. Ante o exposto, não conheço do agravo em recurso especial. Publique-se. Intimem-se EMENTA