REsp 2261257 - DECISAO
Embora a pena tenha sido fixada no mínimo legal e a reprimenda definitiva seja de 1 ano e 2 meses de reclusão, a reincidência constitui fundamento apto a justificar a imposição do regime prisional semiaberto; assim, aplicando-se as súmulas e a jurisprudência dominante do STJ, deu-se provimento ao recurso especial...
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- Parties
- Recorrente: Ministério Público do Estado de São Paulo; Manifestante: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 April 2026
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão De Mérito (provimento)
- Outcome
- Dou provimento ao recurso especial para fixar o regime inicial semiaberto.
- Legal Topics
- Regime Inicial De Cumprimento De Pena, Reincidência, Fixação Da Pena Base, Súmula 440/stj, Súmula 269/stj, Súmula 568/stj
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Parties
Ministério Público do Estado de São Paulo
Recorrente
Ministério Público Federal
Manifestante
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão De Mérito (provimento)
Legal Issues
- 1 se a reincidência impede o início do cumprimento da pena em regime aberto
- 2 se é possível agravar o regime inicial quando a pena-base foi fixada no mínimo legal sem motivação concreta
- 3 aplicabilidade das súmulas 440/STJ, 269/STJ e 568/STJ ao caso
Ratio Decidendi
Embora a pena tenha sido fixada no mínimo legal e a reprimenda definitiva seja de 1 ano e 2 meses de reclusão, a reincidência constitui fundamento apto a justificar a imposição do regime prisional semiaberto; assim, aplicando-se as súmulas e a jurisprudência dominante do STJ, deu-se provimento ao recurso especial para majorar o regime inicial para semiaberto.
Court Disposition
Dou provimento ao recurso especial para fixar o regime inicial semiaberto.
Orders
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto pelo Ministério Público do Estado de São Paulo, com fundamento nas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional, contra acórdão que deu parcial provimento ao apelo defensivo para fixar o regime inicial aberto pela prática do delito do art. 171, caput, do Código Penal. Alega a parte recorrente violação do art. 33, § 2º, "c", do Código Penal, além de dissídio jurisprudencial. Aduz que "o cumprimento de pena privativa de liberdade imposta a condenado reincidente jamais poderá iniciar-se em regime aberto, pois tal regência carcerária é reservada somente ao "condenado não reincidente, cuja pena seja igual ou inferior a 4 anos"" (e-STJ fls. 253/254). Requer, assim, a fixação do regime inicial semiaberto. Apresentadas contrarrazões e admitido na origem, o Ministério Público Federal se manifestou, nesta instância, pelo provimento do recurso. É o relatório. Decido. Preenchidos os requisitos formais e impugnado o fundamento da decisão agravada, conheço do agravo. O recurso não merece prosperar. A jurisprudência desta Corte firmou-se no sentido de que, fixada a pena-base no mínimo legal, é vedado o estabelecimento de regime prisional mais gravoso do que o cabível em razão da sanção imposta, com base apenas na gravidade abstrata do delito - enunciado da Súmula 440 deste Tribunal. Na mesma esteira, são os enunciados das Súmulas n. 718 e 719 do Supremo Tribunal Federal, os quais indicam: A opinião do julgador sobre a gravidade em abstrato do crime não constitui motivação idônea para a imposição de regime mais severo do que o permitido segundo a pena aplicada. A imposição do regime de cumprimento mais severo do que a pena aplicada permitir exige motivação idônea. Portanto, é necessária a apresentação de motivação concreta para a fixação de regime mais gravoso, fundada nas circunstâncias judiciais elencadas no art. 59 do Código Penal ou em outra situação que demonstre a gravidade concreta do crime. Precedentes: HC n. 325.756/SP, Relator Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, Quinta Turma, julgado em 28/6/2016, DJe 1º/8/2016; HC n. 312.264/SP, Relator Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, Quinta Turma, julgado em 24/5/2016, DJe 31/5/2016; HC n. 344.395/SP, Relator Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, Sexta Turma, julgado em 8/3/2016, DJe 15/3/2016. Vale destacar, ainda, o entendimento consolidado na Súmula 269/STJ, segundo a qual É admissível a adoção do regime prisional semiaberto aos reincidentes condenados a pena igual ou inferior à inicial de quatro anos, se favoráveis as circunstâncias judiciais. No caso, embora fixada a reprimenda básica no mínimo legal e a definitiva em 1 ano e 2 meses de reclusão, a reincidência é fundamento apto a justificar a imposição de regime prisional mais gravoso, no caso, o semiaberto. Precedentes: AgRg no HC n. 781.080/SP, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 19/12/2022, DJe de 21/12/2022; EDcl no AgRg no REsp n. 2.010.343/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 13/12/2022, DJe de 19/12/2022; AgRg no AREsp n. 1.875.610/DF, relator Ministro Olindo Menezes (Desembargador Convocado do TRF 1ª Região), Sexta Turma, julgado em 22/11/2022, DJe de 25/11/2022; AgRg no REsp n. 1.985.637/SP, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 14/11/2022, DJe de 17/11/2022; AgRg no HC n. 622.949/SP, relator Ministro João Otávio de Noronha, Quinta Turma, julgado em 2/8/2022, DJe de 8/8/2022. Incide, portanto, a Súmula 568 do STJ, segundo a qual O relator, monocraticamente e no Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao recurso quando houver entendimento dominante. Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial para fixar o regime inicial semiaberto. Intimem-se. EMENTA