HC 622394 - DECISAO
Verificou-se que o réu é primário, não há circunstâncias judiciais desfavoráveis e a pena-base foi fixada no mínimo legal; a imposição do regime fechado foi fundamentada apenas na gravidade abstrata do delito (concurso de agentes e grave ameaça), fundamento insuficiente segundo súmulas e jurisprudência do STJ e STF,...
Source-derived case information.
- Parties
- Paciente: ANDERSON FERREIRA DA SILVA; Impetrado: Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (Apelação n. 1503438-74.2018.8.26.0536); Interessado: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 12 April 2021
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão
- Outcome
- Não conheço do habeas corpus; de ofício, concedo a ordem para alterar o regime inicial para o semiaberto.
- Legal Topics
- Regime Inicial De Cumprimento De Pena, Dosimetria Da Pena, Roubo Qualificado, Súmula 440 STJ, Súmulas 718 E 719 STF
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
ANDERSON FERREIRA DA SILVA
Paciente
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (Apelação n. 1503438-74.2018.8.26.0536)
Impetrado
Ministério Público Federal
Interessado
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão
Legal Issues
- 1 legalidade da fixação do regime inicial fechado
- 2 fundamentação idônea para agravamento do regime prisional
- 3 cabimento de habeas corpus em substituição a recurso
Ratio Decidendi
Verificou-se que o réu é primário, não há circunstâncias judiciais desfavoráveis e a pena-base foi fixada no mínimo legal; a imposição do regime fechado foi fundamentada apenas na gravidade abstrata do delito (concurso de agentes e grave ameaça), fundamento insuficiente segundo súmulas e jurisprudência do STJ e STF, razão pela qual, não obstante o não conhecimento formal do habeas corpus, de ofício foi concedida a ordem para alterar o regime inicial para o semiaberto.
Court Disposition
Não conheço do habeas corpus; de ofício, concedo a ordem para alterar o regime inicial para o semiaberto.
Orders
- Não conheço do habeas corpus.
- De ofício, concedo a ordem para alterar o regime inicial para o semiaberto.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpuscom pedido de liminarimpetrado em favor de ANDERSON FERREIRA DA SILVA, contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo(Apelaçãon. 1503438-74.2018.8.26.0536). Opaciente foi condenado às penas de 6anos, 2meses e 20 diasde reclusãono regime inicial fechadoede15dias-multa, pelaprática dodelitodescritonoart. 157, § 2º, II, c/c o art. 70, caput,do Código Penal. Oimpetrante aponta a existência de constrangimento ilegalao se fixar o regime inicial fechado para o cumprimento da pena, desconsiderando a primariedade do paciente e a ausência de circunstâncias judiciais desfavoráveis. Alega falta de fundamentação ou justificação inidônea, amparando suasalegações nas Súmulas n. 440 do STJ e718 e 719 do STF. Requer, liminarmente e no mérito, a fixação do regime semiabertopara o cumprimento inicial da pena. A liminar foi indeferida(fls. 36-37). Foram prestadas informações(fls. 43-77). O Ministério Público Federal opinou pela denegaçãoda ordem (fls. 81-82). É o relatório. Decido. O Superior Tribunal de Justiça firmou oentendimento de que não cabe habeas corpusem substituição ao recurso próprio, tampouco à revisão criminal, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo se verificada a existência de flagrante ilegalidade no ato judicial impugnado. Relativamente ao regime inicial, consta dasentença que foi fixado o regime semiaberto.Por sua vez, em recurso do Ministério Público, o Tribunal de origem decidiu nestes termos(fl. 29): Quanto ao regime semiaberto imposto na r. sentença, entretanto, com todo respeito ao entendimento do d. Magistrado, acolhe-se a pretensão ministerial para fixar o regime prisional fechado para o início do cumprimento das penas. Ocorre que é evidente que a comparsaria e a grave ameaça às vítimas desencadeiam nelas maior temor, inclusive no que se refere à integridade física e à vida, pelo que o regime prisional mais adequado como resposta penal para o autor de crime de roubo qualificado, e assim observado os critérios do art. 59 do Código Penal, só pode ser o fechado, que ora se aplica, não alcançando o intermediário a finalidade retributiva e intimidativa que é o desiderato da pena, em respeito às Súmulas 718 e 719 do STF. Quanto à fixação do regime inicial para o cumprimento de pena, deve o julgador, nos termos doart. 33, §§ 1º, 2º e 3º, do Código Penal, observar a quantidade da pena aplicada, bem como a primariedade do agente e a existência dascircunstâncias judiciais desfavoráveis do art. 59 do Código Penal. Ademais, a jurisprudência doSuperior Tribunal de Justiça firmou-seno sentido de que a gravidade do delito de roubo circunstanciado em razão doconcurso de pessoasnão constitui motivação suficiente, por si só, para justificar a imposição de regime prisional mais gravoso, na medida em que talcircunstânciaécomumà espécie. Ressalte-se ainda o enunciado da Súmula n. 440 do STJ:"Fixada a pena-base no mínimo legal, é vedado o estabelecimento de regime prisional mais gravoso do que o cabível em razão da sanção imposta, com base apenas na gravida abstrata do delito". Em igual sentido, as Súmulas n. 718 e 719 do STF. No presente caso, o réu é primário e inexistem circunstâncias judiciais desfavoráveis, tendo a pena-base sido fixada no mínimo legal. Verifica-se também que foi fixado o regime inicial mais gravoso para o cumprimento da pena apenas com baseno fato de que o roubo foi praticado em concurso de agentes e com grave ameaça à vitima, fundamento que se mostra insuficiente. A respeito das questões analisadas, confiram-se os seguintes julgados: PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO EM HABEAS CORPUS RECEBIDO COMO AGRAVO REGIMENTAL. PRINCÍPIO DA FUNGIBILIDADE E INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS. ROUBO. DOSIMETRIA. TERCEIRA FASE. EXASPERAÇÃO SUPERIOR A 1/3. VIOLAÇÃO DA SÚMULA 443/STJ. REGIME MAIS GRAVOSO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. MAJORANTES DO CRIME. CIRCUNSTÂNCIAS INERENTES AO DELITO. 1. É consabido que o Superior Tribunal de Justiça consagrou o entendimento de que o recrudescimento da pena, na terceira fase da dosimetria, alusiva ao delito de roubo circunstanciado, em fração mais elevada que 1/3, demanda fundamentação concreta, não se afigurando idônea a simples menção ao número de majorantes, a teor da Súmula 443/STJ. 2. Nos termos da jurisprudência desta Sexta Turma, a mera referência à gravidade do delito de roubo circunstanciado, pelo concurso de pessoas e/ou emprego de arma de fogo, não constitui motivação suficiente, por si só, para justificar a imposição de regime prisional mais gravoso, na medida em que constituem circunstâncias comuns à espécie (AgRg no HC n. 521.588/RJ, Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe 12/12/2019). 3. Agravo regimental improvido.(RCD no HC n. 555.241/RJ, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 4/6/2020.) AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ROUBO MAJORADO. REGIME MAIS GRAVOSO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. MAJORANTES DO CRIME.CIRCUNSTÂNCIAS INERENTES AO DELITO. CONSTRANGIMENTO ILEGAL EVIDENCIADO. WRIT CONCEDIDO PARA ESTABELECER O REGIME SEMIABERTO.DECISÃO MANTIDA. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. 1. Nos termos da jurisprudência desta Sexta Turma, a mera referência à gravidade do delito de roubo circunstanciado, pelo concurso de pessoas e/ou emprego de arma de fogo, não constitui motivação suficiente, por si só, para justificar a imposição de regime prisional mais gravoso, na medida em que constituem circunstâncias comuns à espécie. 2. Agravo regimental improvido.(AgRg no HC n. 521.588/RJ, relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe de 12/12/2019.) PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ROUBO MAJORADO.DOSIMETRIA DA PENA. TERCEIRA FASE. CAUSAS DE AUMENTO DE PENA.EMPREGO DE ARMA DE FOGO E CONCURSO DE AGENTES. QUANTUM DE MAJORAÇÃO.ACRÉSCIMO DA REPRIMENDA EM 3/8 NA TERCEIRA FASE SEM MOTIVAÇÃO CONCRETA. DESOBEDIÊNCIA À SÚMULA 443/STJ. REGIME INICIAL. GRAVIDADE ABSTRATA. FUNDAMENTAÇÃO INIDÔNEA. SÚMULA 440/STJ. SÚMULAS 718 e 719, AMBAS STF. REGIME INICIAL. ANÁLISE DOS ARTIGOS 33, § 2º, ALÍNEA B, E § 3º, E DO ARTIGO 59, AMBOS DO CÓDIGO PENAL. RÉU PRIMÁRIO. PENA-BASE FIXADA NO MÍNIMO LEGAL. PENA INFERIOR A 8 ANOS. REGIME SEMIABERTO. I - O aumento na terceira fase de aplicação da pena no crime de roubo circunstanciado exige fundamentação concreta, não sendo suficiente para a sua exasperação a mera indicação do número de majorantes.Súmula n. 443 do STJ. II - Nos termos do Enunciado n.º 440 da Súmula desta Corte Superior de Justiça "fixada a pena-base no mínimo legal, é vedado o estabelecimento de regime prisional mais gravoso do que o cabível em razão da sanção imposta, com base apenas na gravidade abstrata do delito". O Supremo Tribunal Federal, nos Verbetes n.º 718 e n.º 719, sumulou o entendimento de que a opinião do julgador acerca da gravidade abstrata do delito não constitui motivação idônea a embasar o encarceramento mais severo do sentenciado. III - O regime inicial fechado, na hipótese, foi fixado apenas com base em elementos que se amoldam à descrição do delito - no caso, nos incisos I e II, do § 2º, do art. 157, do Código Penal - fundamento que é insuficiente para a determinação do regime mais gravoso, sobretudo porque o réu é primário, detentor de bons antecedentes e a pena-base foi fixada no mínimo legal. IV - Uma vez atendidos os requisitos constantes do art. 33, § 2º, alínea b, e § 3º, c/c do art. 59, ambos do CP - ausência de reincidência, condenação por um período superior a 4 (quatro) anos e não excedente a 8 (oito) e circunstâncias judiciais totalmente favoráveis com a fixação da pena-base no mínimo legal -, deve o réu cumprir a pena privativa de liberdade no regime prisional semiaberto. Agravo regimental desprovido.(AgRg no REsp n. 1.805.020/SP, relator Ministro Leopoldo de Arruda Raposo, Desembargador convocado do TJPE, Quinta Turma, DJe de 8/10/2019.) Ademais, nos termos do art. 580 do Código de Processo Penal, ficam estendidos os efeitos desta decisão aos corréus Vinícius Padilha Santana e Gabriel Vinicius da Silva Santos, posto que estão na mesma condição fático-processual do ora paciente. Ante o exposto, não conheço do habeas corpus, mas, de ofício,concedo a ordemparaalterar o regime inicial para o semiaberto. Publique-se. Intimem-se.