HC 918179 - DECISAO
Não se verificou flagrante ilegalidade passível de correção imediata em habeas corpus; o Tribunal de origem fundamentou adequadamente a adoção do regime inicial fechado com base na gravidade concreta do roubo (concurso de agentes, emprego de arma/simulacro, abordagem de surpresa e modus operandi), razão pela qual a...
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- Parties
- Paciente: AILSON CARLOS LOPES FILHO; Autoridade Coatora: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO (Desembargador Gilmar Augusto Teixeira, relator na Apelação Criminal n. 0013126-04.2017.8.19.0007)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 June 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão Monocrática Denegação De Liminar
- Outcome
- denegada liminarmente
- Legal Topics
- Regime Inicial De Cumprimento De Pena, Dosimetria Da Pena, Habeas Corpus, Roubo Majorado
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Parties
AILSON CARLOS LOPES FILHO
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO (Desembargador Gilmar Augusto Teixeira, relator na Apelação Criminal n. 0013126-04.2017.8.19.0007)
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão Monocrática Denegação De Liminar
Legal Issues
- 1 legalidade da fixação do regime inicial fechado
- 2 possibilidade de revisão da dosimetria em habeas corpus
- 3 fundamentação da aplicação de agravantes (concurso de pessoas, emprego de arma)
Ratio Decidendi
Não se verificou flagrante ilegalidade passível de correção imediata em habeas corpus; o Tribunal de origem fundamentou adequadamente a adoção do regime inicial fechado com base na gravidade concreta do roubo (concurso de agentes, emprego de arma/simulacro, abordagem de surpresa e modus operandi), razão pela qual a ordem liminar foi denegada.
Court Disposition
denegada liminarmente
Orders
- Denego a ordem liminarmente.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus com pedido liminar impetrado em favor de AILSON CARLOS LOPES FILHO apontando como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO (Desembargador Gilmar Augusto Teixeira, relator na Apelação Criminal n. 0013126-04.2017.8.19.0007). Depreende-se dos autos que o paciente foi condenado, como incurso nas sanções do art. 157, § 2º, I (antes da Lei n. 13.654/2018) e II, por duas vezes, na forma do art. 70, primeira parte, ambos do Código Penal, à pena de 6 anos, 6 meses e 12 dias de reclusão, a ser cumprida no regime inicial fechado. Irresignada, a defesa interpôs apelação, tendo o Tribunal de origem dado parcial provimento ao recurso para redimensionar a pena para 6 anos e 5 meses de reclusão, conforme acórdão ementado às e-STJ fls. 10/13. Daí o presente writ, no qual alega a defesa que o acusado sofre constrangimento ilegal decorrente da fixação do regime inicial fechado. Requer, desse modo, inclusive liminarmente, o abrandamento do regime inicial de cumprimento da pena. É o relatório. Decido. Preliminarmente cumpre ressaltar que, na esteira da orientação jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça, por se tratar de questão afeta a certa discricionariedade do magistrado, a dosimetria da pena é passível de revisão em habeas corpus apenas em hipóteses excepcionais, quando ficar evidenciada flagrante ilegalidade, constatada de plano, sem a necessidade de aprofundamento no acervo fático-probatório. No caso, acerca da controvérsia, o Tribunal de origem consignou que (e-STJ fl. 24): Quanto ao regime de cumprimento de pena, deve ser mantido o regime inicial fechado. Além de se tratar de delito perpetrado mediante violência real e grave ameaça com emprego de arma de fogo em punho apontada para a vítima em via pública, o que, por si só, amplia o risco de evolução para delito mais grave, também não pode ser olvidado o fato de a ação criminosa ter contado com outro comparsa adolescente infrator e a abordagem ter sido realizada de inopino (surgimento dos roubadores de um matagal), circunstâncias reveladoras de certa expertise nesse tipo de roubo, tudo a conferir maior grau de reprovação e censura, com obrigatória a repercussão na fixação do regime de prisão, nos termos do art. 33, § 3º, do Código Penal. Diante da quantidade de pena imposta ao paciente, caberia a fixação do regime inicialmente semiaberto. No entanto, o regime mais gravoso foi devidamente fundamentado, levando-se em consideração a gravidade concreta do delito, traduzida no seu modus operandi. Nesse sentido: PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ROUBO CIRCUNSTANCIADO. REGIME INICIAL FECHADO. CONCURSO DE PESSOAS. EMPREGO DE SIMULACRO DE ARMA DE FOGO. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Nada obstante a reprimenda tenha sido fixada em patamar inferior a 8 anos de reclusão e a pena-base de ambos os agravantes tenha sido dosada no mínimo legal, não se verifica manifesta ilegalidade na imposição do regime inicial fechado. Trata-se de roubo circunstanciado pelo concurso de pessoas e pelo emprego de simulacro de arma de fogo, contexto que justifica a adoção do regime mais gravoso, diante da gravidade concreta evidenciada no caso. Precedentes. 2. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 865.785/SP, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 30/11/2023, DJe de 6/12/2023, grifei.) AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. NÃO CABIMENTO. DECISÃO MONOCRÁTICA. ROUBO MAJORADO. DOSIMETRIA. EXCLUSÃO CAUSA DE AUMENTO RELATIVA DO EMPREDO DE ARMA DE FOGO. PRESCINDIBILIDADE DA APREENSÃO E PERÍCIA PARA A INCIDÊNCIA DA MAJORANTE. ENTENDIMENTO FIRMADO NA TERCEIRA SEÇÃO DESTA CORTE. REGIME FECHADO. ADEQUADO. QUANTUM DE PENA E CIRCUNSTÂNCIAS DO CASO CONCRETO (TRÊS CRIME DE ROUBO EM CONCURSO DE AGENTES E COM EMPREGO DE ARMA DE FOGO). INSTAURAÇÃO DE INCIDENTE DE INCONSTITUCIONALIDADE. DESCABIMENTO. INCOMPATÍVEL COM A VIA ELEITA DO HABEAS CORPUS. AUSÊNCIA DE NOVOS ARGUMENTOS APTOS A DESCONSTITUIR A DECISÃO AGRAVADA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. I - É assente nesta Corte Superior de Justiça que o agravo regimental deve trazer novos argumentos capazes de alterar o entendimento anteriormente firmado, sob pena de ser mantida a r. decisão vergastada pelos próprios fundamentos. II -Quanto à aplicação da majorante do emprego de arma de fogo, no caso concreto, não há ilegalidade em razão da ausência de apreensão e de perícia, pois as instâncias ordinárias reconheceram que sua utilização fora comprovada por outras provas. III - Em que pese a primariedade do paciente, as circunstâncias judiciais favoráveis e a pena definitiva não ter excedido 8 anos de reclusão, a fixação do regime mais severo foi fundamentada nas particularidades do caso concreto pelas instâncias de origem, com menção das circunstâncias da conduta delituosa e de que os três delitos de roubo foram perpetrados em concurso de agentes e com emprego de arma de fogo. Inaplicáveis, portanto, a Súmula n. 440 do STJ e a Súmula n. 718 do STF. IV - A instauração do incidente de inconstitucionalidade, por violação do princípio da proporcionalidade, do quantum de aumento da pena correspondente à majorante do art. 157, § 2º-A, I, do Código Penal (incluída pela Lei n. 13.654/2018) é incompatível com a via eleita do habeas corpus. Nesse sentido, confiram-se os seguintes precedentes: AgRg no RHC n. 90.145/PR, Sexta Turma, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, DJe de 26/2/2018 e HC n. 622.604/SP, Quinta Turma, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, DJe de 27/9/2021. V - A toda evidência, o decisum agravado, ao confirmar o aresto impugnado, rechaçou as pretensões da defesa por meio de judiciosos argumentos, os quais encontram amparo na jurisprudência deste Sodalício. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 703.252/SP, relator Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), Quinta Turma, julgado em 8/11/2022, DJe de 29/11/2022, grifei.) AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ROUBO MAJORADO. ABSOLVIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO. REGIME INICIAL FECHADO. DELITO PRATICADO EM CONCURSO DE AGENTES E ARMA DE FOGO. RECURSO IMPROVIDO. 1. A decisão monocrática deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos. 2. A Corte de origem, com esteio nos elementos probatórios dos autos, manteve a condenação do agravante, de modo que a alteração da conclusão das instâncias de origem demandariam análise de elementos fático-probatórios, o que é vedado na via eleita. 3. O regime inicial fechado encontra-se fundamentado "ante a gravidade do delito cometido pelos réus, em especial ante o fato de tratar-se de roubo praticado em concurso de pessoas ao menos três agentes , e porte de arma de fogo". 4. Recurso improvido. (AgRg no HC n. 798.301/SP, de minha relatoria, julgado em 27/3/2023, DJe de 30/3/2023, grifei.) Desse modo, não vislumbro a ilegalidade sustentada pela defesa. À vista do exposto, denego a ordem liminarmente. Publique-se. Intimem-se. EMENTA