AREsp 2680595 - DECISAO
Por considerar que os maus antecedentes constituem circunstância judicial negativa apta a exasperar a pena-base e justificar a fixação do regime inicial semiaberto, nos termos do art. 33, §§ 2º e 3º, do Código Penal, e em consonância com a jurisprudência do STJ, não há constrangimento ilegal, motivo pelo qual se...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: VITOR FERREIRA DOS SANTOS; Interveniente: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 11 February 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Monocrática Conhecimento Do Agravo E Negação De Provimento Ao Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial
- Legal Topics
- Regime Inicial De Cumprimento De Pena, Dosimetria, Maus Antecedentes, Lesão Corporal, Ameaça, Danos Morais, Inadmissão De Recurso Especial, Súmula 568 STJ
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
VITOR FERREIRA DOS SANTOS
Agravante
Ministério Público Federal
Interveniente
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Monocrática Conhecimento Do Agravo E Negação De Provimento Ao Recurso Especial
Legal Issues
- 1 regime inicial da pena
- 2 valoração dos maus antecedentes na dosimetria
- 3 possibilidade de agravamento do regime por circunstâncias judiciais negativas
Ratio Decidendi
Por considerar que os maus antecedentes constituem circunstância judicial negativa apta a exasperar a pena-base e justificar a fixação do regime inicial semiaberto, nos termos do art. 33, §§ 2º e 3º, do Código Penal, e em consonância com a jurisprudência do STJ, não há constrangimento ilegal, motivo pelo qual se nega provimento ao recurso especial.
Court Disposition
Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial
Orders
- Intimem-se.
- Agravo conhecido e recurso especial negado provimento.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por VITOR FERREIRA DOS SANTOS em adversidade à decisão que inadmitiu recurso especial manejado contra acórdão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, cuja ementa é a seguinte (e-STJ fl. 318): "PENAL E PROCESSO PENAL. LESÃO CORPORAL E AMEAÇA. MATERIALIDADE E AUTORIA COMPROVADAS. PALAVRA DA VÍTIMA CORROBORADA PELOS DEMAIS ELEMENTOS PROBATÓRIOS. DANOS MORAIS. ADEQUAÇÃO. SENTENÇA PARCIALMENTE REFORMADA. 1. Nas agressões praticadas no âmbito doméstico e familiar, a palavra da vítima tem especial relevância, tendo em vista a clandestinidade da conduta e a situação de fragilidade da vítima, ainda mais quando corroborada por laudos periciais que atestam a ocorrência da lesão corporal. 2. A divergência de menor importância existente entre o depoimento da vítima prestado na fase inquisitorial e em juízo não é capaz de tirar a credibilidade das declarações então prestadas. 3. Considerando a ausência de critério legal, a jurisprudência tem mantido a pena fixada com a devida fundamentação, entendendo como norteadora a fração de 1/8 (um oitavo) sobre o intervalo entre os limites mínimo e máximo abstratamente cominados no tipo legal, para aumento da pena - base em razão da análise desfavorável de cada uma das circunstâncias judiciais do art. 59 do CP. 4. Configura bis in idem a aplicação da agravante genérica prevista no art. 61, II, "f", CP, quando o fato descrito na denúncia caracterizar o crime de lesão corporal qualificada, em contexto de relações domésticas, descrito no art. 129, § 9º, do CP. 5. Recurso conhecido e parcialmente provido" Nas razões do recurso especial (e-STJ fls. 342-351), fundado na alínea "a" e do permissivo constitucional, alega a parte recorrente violação ao artigo 33 do Código Penal, ao argumento, em suma, de "que a manutenção do regime inicial semiaberto não se mostra razoável, tendo como base a análise desfavorável de apenas uma das oito circunstâncias judiciais do art. 59 do Código Penal" (e-STJ fl. 348). Acrescenta que "a existência de uma condenação definitiva por fatos anteriores não demonstra uma maior periculosidade do recorrente a justificar sua colocação em regime diverso daquele previsto na legislação (aberto). Tal fundamentação, de forma abstrata, viola a legalidade e o princípio da individualidade, além do que afronta o princípio da razoabilidade e da proporcionalidade" (e-STJ fl. 348). Apresentadas contrarrazões (e-STJ fls. 360-362), o Tribunal a quo não admitiu o recurso especial (e-STJ fls. 365-367), ensejando a interposição do presente agravo. O Ministério Público Federal manifestou-se pelo não provimento do recurso (e-STJ fls. 413-415). É o relatório. Decido. Preenchidos os requisitos formais e impugnado o fundamento da decisão agravada, conheço do agravo. O recorrente foi condenado a 8 meses e 29 dias de detenção, em regime inicialmente semiaberto, e ao pagamento de R$1.000,00 para composição dos danos morais, em razão da prática dos crimes artigos 129, §9º (anterior a Lei n. 14.188/2021) e 147 do Código Penal brasileiro, combinados com os artigos 5º, inciso III, e 7º, incisos I e II, todos da Lei n. 11.340/2006. Em apelação, a pena foi reduzida para 7 meses e 16 dias de detenção, mantido o regime inicial semiaberto, em razão dos maus antecedentes do recorrente. Busca-se a fixação de regime inicial mais brando. No caso, as instâncias ordinárias, na primeira fase da dosimetria, exasperaram a pena-base, tendo em vista a existência de circunstância judicial negativa (maus antecedentes), a qual constitui fundamento válido para a aplicação de regime inicial mais gravoso do que o definido pelo patamar da pena, nos termos do previsto no art. 33, § 3º, do Código Penal. Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. FURTO SIMPLES. ALEGADO CONSTRANGIMENTO ILEGAL EM RAZÃO DO REGIME PRISIONAL INICIALMENTE FIXADO. PENA-BASE ACIMA DO MINIMO LEGAL. MAUS ANTECEDENTES. REGIME PRISIONAL INICIALMENTE SEMIABERTO. SUBSTITUIÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE POR RESTRITIVA DE DIREITOS. INVIABILIDADE. CONSTRANGIMENTO ILEGAL NÃO EVIDENCIADO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. A despeito de a pena ter sido fixada em patamar inferior a 4 anos de reclusão, a existência de circunstância judicial negativa (maus antecedentes) enseja a aplicação do regime prisional inicialmente semiaberto, conforme previsto no art. 33, §§ 2º e 3º, do Código Penal. Precedentes. 2. No mesmo sentido, ante a previsão do art. 44, inciso III, do Código Penal, inviável a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos, em razão da valoração negativa dos antecedentes. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 930.332/SC, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 4/11/2024, DJe de 6/11/2024.) (grifos aditados) DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CRIME CONTRA O SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL. OBTENÇÃO DE FINANCIAMENTO MEDIANTE FRAUDE. AUSÊNCIA DE DOLO. VIOLAÇÃO DO ART. 386, II, CPP. TESES NÃO CONHECIDAS. REVOLVIMENTO DE FATOS E PROVAS. SÚMULA 7, STJ. DESCARACTERIZAÇÃO DA FRAUDE. FALTA DE CAUTELA DA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. IMPOSSIBILIDADE. CONSUMAÇÃO MEDIANTE SIMPLES CELEBRAÇÃO DO CONTRATO. PRECEDENTES. AGRAVAMENTO DA PENA-BASE. PREJUÍZO CAUSADO A TERCEIROS. POSSIBILIDADE. ELEMENTO QUE NÃO É INERENTE AO TIPO PENAL. AGRAVAMENTO DO REGIME INICIAL. CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS DESFAVORÁVEIS. POSSIBILIDADE. I - O Tribunal concluiu que a agravante praticou a conduta do art. 19 da Lei n. 7.492/1986 porque concorreu para a celebração do negócio jurídico fraudulento. Dada a impossibilidade do reexame de fatos e provas, conforme disposto na Súmula n. 7, STJ, é inviável concluir de modo diverso. II - As fraudes pressupõem, em maior ou menor medida, a existência de falhas nos procedimentos de segurança usualmente adotados. Além disso, basta a obtenção do financiamento mediante fraude para caracterizar o delito do art. 19 da Lei n. 7.492/1986. III - No que diz respeito à violação do art. 59 do Código Penal, o prejuízo causado a terceiros é passível de valoração na primeira fase da dosimetria da pena. Conquanto a fraude seja elementar do tipo penal em comento, o prejuízo não é. Isso porque o delito em questão se consuma com a celebração do contrato, sendo possível, ao menos em tese, que a fraude seja descoberta antes da efetivação do prejuízo. IV - Quanto ao regime inicial, embora a pena imposta à agravante seja inferior a 4 (quatro) anos, a valoração negativa das circunstâncias judiciais (maus antecedentes e consequências do crime) autoriza o agravamento do regime prisional. Agravo regimental desprovido. (AgRg no AREsp n. 2.422.623/SP, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 11/6/2024, DJe de 17/6/2024.) (grifos aditados) Na hipótese dos autos, ainda que a pena tenha sido estabelecida em 7 meses e 16 dias de detenção, os maus antecedentes justificam a fixação do regime mais gravoso, no caso o semiaberto, bem como a negativa de substituição das penas. Assim, o pleito recursal encontra óbice na jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça e na legislação penal, de forma que não vislumbro constrangimento ilegal. Incide, portanto, a Súmula n. 568 do STJ, segundo a qual "o relator, monocraticamente e no Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao re curso quando houver entendimento dominante". Por essas razões, conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial. Intimem-se. EMENTA