HC 986666 - DECISAO
Não se constatou manifestação de ilegalidade flagrante no acórdão apontado como ato coator: o tribunal de origem fundamentou a imposição do regime fechado por ocorrência de reincidência, maus antecedentes e valoração negativa de circunstâncias judiciais, motivos idôneos segundo art. 33, §§ 2º e 3º do CP e...
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- Parties
- Paciente: LUCYKLEBER DE MATOS CARVALHO; Ato Coator: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO; Órgão a Ser Cientificado: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 March 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Liminar Indeferida
- Outcome
- Habeas Corpus indeferido liminarmente
- Legal Topics
- Regime Inicial De Cumprimento De Pena, Reincidência, Circunstâncias Judiciais, Habeas Corpus Como Substitutivo De Recurso Próprio, Súmula 269/stj
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Parties
LUCYKLEBER DE MATOS CARVALHO
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Ato Coator
Ministério Público Federal
Órgão a Ser Cientificado
Procedural Posture
Habeas Corpus / Liminar Indeferida
Legal Issues
- 1 constrangimento ilegal quanto ao regime inicial de cumprimento da pena
- 2 possibilidade de fixação do regime semiaberto para penas inferiores a quatro anos
- 3 cabimento de habeas corpus substitutivo de recurso próprio
Ratio Decidendi
Não se constatou manifestação de ilegalidade flagrante no acórdão apontado como ato coator: o tribunal de origem fundamentou a imposição do regime fechado por ocorrência de reincidência, maus antecedentes e valoração negativa de circunstâncias judiciais, motivos idôneos segundo art. 33, §§ 2º e 3º do CP e jurisprudência, de modo que não cabia concessão do habeas corpus; ademais, aplica-se o entendimento de que o HC não substitui recurso próprio salvo em casos de teratologia.
Court Disposition
Habeas Corpus indeferido liminarmente
Orders
- Indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus.
- Cientifique-se o Ministério Público Federal.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Habeas Corpus impetrado em favor de LUCYKLEBER DE MATOS CARVALHO em que se aponta como ato coator o acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO assim ementado: Furtos simples (art. 155, caput, na forma do art. 71, ambos do Cód. Penal do Cód. Penal). Insurgência quanto ao apenamento. Apenamento criterioso, impassível de alteração. Maus antecedentes devidamente comprovados. Pena-base corretamente majorada. Regime fechado único possível, ante os maus antecedentes e reincidência do réu. Sentença mantida. Apelo improvido. Consta dos autos que o paciente foi condenado à pena de 01 (um) ano, 04 (quatro) meses e 10 (dez) dias de reclusão e multa, no regime fechado, pela prática do crime previsto no artigo 155, caput, por duas vezes, na forma do art. 71, ambos do Código Penal. Em suas razões, sustenta o impetrante a ocorrência de constrangimento ilegal, porquanto, ainda que se trate réu reincidente e considerando o disposto no art. 33, § 2º, do CP, não há fundamentação idônea que obste a fixação de regime inicial semiaberto para o cumprimento da pena ao condenado a pena inferior a 04 (quatro) anos. Requer, em suma, que seja alterado o regime inicial de cumprimento da pena semiaberto. É o relatório. Decido. A Terceira Seção do STJ, no julgamento do HC n. 535.063/SP, firmou o entendimento de que não cabe Habeas Corpus substitutivo de recurso próprio, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada alguma teratologia no ato judicial impugnado (Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, DJe de 25.8.2020). Assim, passo à análise das razões da impetração a fim de verificar se há flagrante ilegalidade que justifique a concessão do writ de ofício. Na espécie, consta do Voto condutor do acórdão impugnado a seguinte fundamentação quanto ao regime inicial de cumprimento da pena: O acusado, além dos maus antecedentes pela prática do gravíssimo crime de roubo, é reincidente específico, a demonstrar reiteração nefasta na criminalidade (fl. 22-23). Nos termos dos §§ 2º e 3º do art. 33 do Código Penal, para a fixação do regime inicial de cumprimento de pena o julgador deverá observar a quantidade de pena aplicada, a primariedade do réu e a eventual existência de circunstâncias judiciais desfavoráveis. Além disso, devem ser observados os enunciados das Súmulas n. 440 do Superior Tribunal de Justiça, e nºs. 718 e 719 do Supremo Tribunal Federal, segundos os quais é vedada a fixação de regime prisional mais gravoso do que o cabível em razão da sanção imposta somente com base na gravidade abstrata do delito. Ademais, segundo a jurisprudência do STJ e a legislação pátria, acima citada, é considerada motivação idônea para o fim de imposição de regime mais severo do que a pena aplicada: a) a reincidência, ainda que não seja específica (§ 2º do art. 33 do CP); b) a existência de circunstância judicial desfavorável, nos termos do art. 59 do CP (§ 3º do art. 33 do CP) e; c) a gravidade concreta do delito. Nesse sentido, vale citar os seguintes julgados: EREsp n. 1.970.578/SC, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Terceira Seção, DJe de 6.3.2023; AgRg no AgRg no AREsp n. 2.435.525/SP, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 6.6.2024; AgRg no HC n. 836.416/SP, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 3.5.2024; AgRg no HC n. 859.680/SP, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJe de 14.2.2024; AgRg no HC n. 842.514/SP, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 3.7.2024; AgRg no HC n. 901.630/SP, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 3.7.2024; AgRg no HC n. 905.390/SP, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 12.6.2024; AgRg no AREsp n. 2.465.687/SP, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 11.6.2024. Acresça-se que, de acordo com a Súmula n. 269 do STJ, é admissível a adoção do regime prisional semiaberto para reincidentes condenados a pena igual ou inferior a quatro anos, se favoráveis as circunstâncias judiciais. Nessa linha, o julgado impugnado não diverge da jurisprudência desta Corte, pois, conforme se extrai do trecho do acórdão supratranscrito, há elemento idôneo para a fixação do regime fechado, mesmo sendo a pena inferior a 4 anos pois, além da reincidência, houve a valoração negativa de circunstância judicial. Conclui-se, assim, que no caso em análise não há manifesta ilegalidade a ensejar a concessão da ordem de ofício. Ante o exposto, com fundamento no art. 21-E, IV, c/c o art. 210, ambos do RISTJ, indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA