HC 1029973 - DECISAO
Indeferiu-se a liminar porque não se verificou manifesta ilegalidade: o acórdão do TJSP apresenta motivação idônea para imposição do regime inicial fechado em razão de maus antecedentes e reincidência e valoração negativa de circunstância judicial, em conformidade com a legislação e jurisprudência aplicáveis; além...
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- Parties
- Paciente: REINALDO DA SILVA MENDES; Órgão Julgador: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 September 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Liminar Indeferida
- Outcome
- liminar indeferida
- Legal Topics
- Regime Inicial De Cumprimento De Pena, Reincidência, Uso De Documento Falso, Súmulas Do STJ E STF, Constrangimento Ilegal, Antecedentes
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Parties
REINALDO DA SILVA MENDES
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Órgão Julgador
Procedural Posture
Habeas Corpus / Liminar Indeferida
Legal Issues
- 1 Admissibilidade de regime semiaberto para reincidentes condenados a pena igual ou inferior a quatro anos (Súmula 269/STJ)
- 2 Existência de constrangimento ilegal na fixação do regime inicial fechado
- 3 Valoração de maus antecedentes e reincidência como motivo idôneo para regime mais grave
Ratio Decidendi
Indeferiu-se a liminar porque não se verificou manifesta ilegalidade: o acórdão do TJSP apresenta motivação idônea para imposição do regime inicial fechado em razão de maus antecedentes e reincidência e valoração negativa de circunstância judicial, em conformidade com a legislação e jurisprudência aplicáveis; além disso, o STJ não admite HC substitutivo de recurso próprio salvo teratologia.
Court Disposition
liminar indeferida
Orders
- Indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus.
- Cientifique-se o Ministério Público Federal.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Habeas Corpus impetrado em favor de REINALDO DA SILVA MENDES em que se aponta como ato coator o acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO assim ementado: EMENTA: DIREITO PENAL. APELAÇÃO. USO DE DOCUMENTO FALSO. RECURSO DESPROVIDO. I. Caso em Exame 1. Reinaldo da Silva Mendes foi condenado a 2 anos e 4 meses de reclusão, em regime inicial fechado, e ao pagamento de 11 dias-multa, por uso de documento público falso. O documento foi encontrado em seu veículo durante abordagem policial, enquanto ele estava foragido. II. Questão em Discussão 2. (i) A questão em discussão consiste em verificar se a conduta do acusado é atípica por ausência de dolo, já que o documento não foi apresentado espontaneamente. (ii) A análise do pedido de afastamento dos antecedentes por bis in idem e a possibilidade de fixação de regime inicial mais brando. III. Razões de Decidir 3. A conduta do acusado é típica, conforme entendimento pacificado na Súmula 522 do STJ, pois o documento falso foi utilizado para ocultar a condição de foragido. 4. Não há bis in idem no reconhecimento de maus antecedentes e reincidência, pois se tratam de processos distintos, conforme jurisprudência do STJ. IV. Dispositivo e Tese 5. Recurso desprovido. Consta dos autos que o paciente foi condenado à pena de 2 (dois) anos e 4 (quatro) meses de reclusão, em regime inicial fechado, pela prática do delito capitulado no art. 304, caput, c/c o art. 297, caput, ambos do Código Penal. Em suas razões, sustenta o impetrante a ocorrência de constrangimento ilegal, porquanto é admissível a adoção do regime prisional semiaberto aos reincidentes condenados à pena igual ou inferior a quatro anos se favoráveis as circunstâncias judiciais, conforme preceitua a Súmula 269 do STJ. Alega que a conduta social do paciente foi tida como favorável, pois o acusado agiu com culpabilidade dentro da normalidade e nada há a desabonar sua conduta social, sendo que pouco se colheu a respeito de sua personalidade. Requer, em suma, que seja alterado o regime inicial de cumprimento da pena para o semiaberto. É o relatório. Decido. A Terceira Seção do STJ, no julgamento do HC n. 535.063/SP, firmou o entendimento de que não cabe Habeas Corpus substitutivo de recurso próprio, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada alguma teratologia no ato judicial impugnado (Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, DJe de 25.8.2020). Assim, passo à análise das razões da impetração a fim de verificar se há flagrante ilegalidade que justifique a concessão do writ de ofício. Na espécie, consta do Voto condutor do acórdão impugnado a seguinte fundamentação quanto ao regime inicial de cumprimento da pena: Por fim, devido o regime inicial fechado, em razão dos maus antecedentes e reincidência do réu, em obediência ao princípio da individualização das penas (fl. 22). Nos termos dos §§ 2º e 3º do art. 33 do Código Penal, para a fixação do regime inicial de cumprimento de pena o julgador deverá observar a quantidade de pena aplicada, a primariedade do réu e a eventual existência de circunstâncias judiciais desfavoráveis. Além disso, devem ser observados os enunciados das Súmulas n. 440 do Superior Tribunal de Justiça, e nºs. 718 e 719 do Supremo Tribunal Federal, segundos os quais é vedada a fixação de regime prisional mais gravoso do que o cabível em razão da sanção imposta somente com base na gravidade abstrata do delito. Ademais, segundo a jurisprudência do STJ e a legislação pátria, acima citada, é considerada motivação idônea para o fim de imposição de regime mais severo do que a pena aplicada: a) a reincidência, ainda que não seja específica (§ 2º do art. 33 do CP); b) a existência de circunstância judicial desfavorável, nos termos do art. 59 do CP (§ 3º do art. 33 do CP) e; c) a gravidade concreta do delito. Nesse sentido, vale citar os seguintes julgados: EREsp n. 1.970.578/SC, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Terceira Seção, DJe de 6.3.2023; AgRg no AgRg no AREsp n. 2.435.525/SP, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 6.6.2024; AgRg no HC n. 836.416/SP, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 3.5.2024; AgRg no HC n. 859.680/SP, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJe de 14.2.2024; AgRg no HC n. 842.514/SP, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 3.7.2024; AgRg no HC n. 901.630/SP, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 3.7.2024; AgRg no HC n. 905.390/SP, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 12.6.2024; AgRg no AREsp n. 2.465.687/SP, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 11.6.2024. Acresça-se que, de acordo com a Súmula n. 269 do STJ, é admissível a adoção do regime prisional semiaberto para reincidentes condenados a pena igual ou inferior a quatro anos, se favoráveis as circunstâncias judiciais. Nessa linha, o julgado impugnado não diverge da jurisprudência desta Corte, pois, conforme se extrai do trecho do acórdão supratranscrito, há elemento idôneo para a fixação do regime fechado, mesmo sendo a pena inferior a 4 anos pois, além da reincidência, houve a valoração negativa de circunstância judicial. Conclui-se, assim, que no caso em análise não há manifesta ilegalidade a ensejar a concessão da ordem de ofício. Ante o exposto, com fundamento no art . 21-E, IV, c/c o art. 210, ambos do RISTJ, indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA