HC 1087379 - DECISAO
O Tribunal entendeu não haver ilegalidade manifesta a justificar habeas corpus porque o acórdão recorrido fundamentou de forma idônea a imposição do regime inicial fechado, com base em maus antecedentes e multirreincidência e na valoração negativa de circunstância judicial, em conformidade com os §§ 2º e 3º do art....
Source-derived case information.
- Parties
- Paciente: VITOR COLBACHO; Impetrante: impetrante; Autoridade Coatora: Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 17 April 2026
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Liminar Indeferida
- Outcome
- Liminar indeferida
- Legal Topics
- Regime Inicial De Cumprimento De Pena, Reincidência, Maus Antecedentes, Tráfico De Drogas Vs Uso Pessoal, Motivação Da Individualização Da Pena, Súmulas E Jurisprudência
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
VITOR COLBACHO
Paciente
impetrante
Impetrante
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Habeas Corpus / Liminar Indeferida
Legal Issues
- 1 cabimento de habeas corpus substitutivo de recurso próprio
- 2 legalidade da fixação do regime inicial fechado para pena inferior a 2 anos
- 3 valoração de maus antecedentes e multirreincidência como fundamento para regime mais gravoso
Ratio Decidendi
O Tribunal entendeu não haver ilegalidade manifesta a justificar habeas corpus porque o acórdão recorrido fundamentou de forma idônea a imposição do regime inicial fechado, com base em maus antecedentes e multirreincidência e na valoração negativa de circunstância judicial, em conformidade com os §§ 2º e 3º do art. 33 do Código Penal e a jurisprudência/súmulas aplicáveis; por isso indeferiu liminarmente a ordem.
Court Disposition
Liminar indeferida
Orders
- Indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus.
- Cientifique-se o Ministério Público Federal.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Habeas Corpus impetrado em favor de VITOR COLBACHO em que se aponta como ato coator o acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO assim ementado: APELAÇÃO CRIMINAL. TRÁFICO DE DROGAS. RECEPTAÇÃO. Sentença condenatória. Pouca quantidade de drogas, possibilidade de enquadramento para uso pessoal. Desclassificação do tráfico para uso de drogas. Provas da materialidade e da autoria que são suficientes para embasar a condenação quanto ao crime de receptação. Pena merece pequenos reparos. Regime inicial mantido. Recurso parcialmente provido. Consta dos autos que o paciente foi condenado à pena de 1 (um) ano, 5 (cinco) meses e 15 (quinze) dias de reclusão, em regime inicial fechado, e 14 (quatorze) dias-multa, pela prática do delito capitulado no art. 180, caput, do Código Penal, bem como à prestação de serviços à comunidade por 5 (cinco) meses pelo delito capitulado no art. 28 da Lei n. 11.343/2006. Em suas razões, sustenta a impetrante a ocorrência de constrangimento ilegal, porquanto a fixação do regime inicial fechado para pena inferior a 2 (dois) anos carece de motivação concreta, devendo ser ajustada ao regime aberto, nos termos do art. 33, § 2º, "c", do Código Penal, ou, no máximo, ao semiaberto. Alega que não há elementos fáticos individualizados a indicar periculosidade do paciente, destacando emprego fixo, núcleo familiar e inexistência de violência na conduta, o que tornaria desproporcional a imposição do regime mais gravoso. Argumenta que não pode ser considerado maus antecedentes para justificar o regime fechado delito ocorrido em 2014, com trânsito em julgado em 11/09/2018, devendo ser afastado esse fundamento na fixação do regime prisional. Requer, liminarmente e no mérito, a alteração do regime inicial de cumprimento da pena para o aberto ou diverso do fechado. É o relatório. Decido. A Terceira Seção do STJ, no julgamento do HC n. 535.063/SP, firmou o entendimento de que não cabe Habeas Corpus substitutivo de recurso próprio, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada alguma teratologia no ato judicial impugnado (Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, DJe de 25.8.2020). Assim, passo à análise das razões da impetração a fim de verificar se há flagrante ilegalidade que justifique a concessão do writ de ofício. Na espécie, consta do Voto condutor do acórdão impugnado a seguinte fundamentação quanto ao regime inicial de cumprimento da pena: O regime inicial deve ser o fechado, em que pese o quantum da pena fixada, ante os maus antecedentes e a multirreincidência do apelante (cf. artigo 33, §3º, do Código Penal) (fl. 18). Nos termos dos §§ 2º e 3º do art. 33 do Código Penal, para a fixação do regime inicial de cumprimento de pena o julgador deverá observar a quantidade de pena aplicada, a primariedade do réu e a eventual existência de circunstâncias judiciais desfavoráveis. Além disso, devem ser observados os enunciados das Súmulas n. 440 do Superior Tribunal de Justiça, e das Súmulas nºs 718 e 719 do Supremo Tribunal Federal, segundos os quais é vedada a fixação de regime prisional mais gravoso do que o cabível em razão da sanção imposta somente com base na gravidade abstrata do delito. Ademais, segundo a jurisprudência do STJ e a legislação pátria, acima citada, é considerada motivação idônea para o fim de imposição de regime mais severo do que a pena aplicada: a) a reincidência, ainda que não seja específica (§ 2º do art. 33 do CP); b) a existência de circunstância judicial desfavorável, nos termos do art. 59 do CP (§ 3º do art. 33 do CP) e; c) a gravidade concreta do delito. Nesse sentido, vale citar os seguintes julgados: EREsp n. 1.970.578/SC, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Terceira Seção, DJe de 6.3.2023; AgRg no AgRg no AREsp n. 2.435.525/SP, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 6.6.2024; AgRg no HC n. 836.416/SP, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 3.5.2024; AgRg no HC n. 859.680/SP, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJe de 14.2.2024; AgRg no HC n. 842.514/SP, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 3.7.2024; AgRg no HC n. 901.630/SP, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 3.7.2024; AgRg no HC n. 905.390/SP, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 12.6.2024; AgRg no AREsp n. 2.465.687/SP, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 11.6.2024. Acresça-se que, de acordo com a Súmula n. 269 do STJ, é admissível a adoção do regime prisional semiaberto para reincidentes condenados a pena igual ou inferior a quatro anos, se favoráveis as circunstâncias judiciais. Nessa linha, o julgado impugnado não diverge da jurisprudência desta Corte, pois, conforme se extrai do trecho do acórdão supratranscrito, há elemento idôneo para a fixação do regime fechado, mesmo sendo a pena inferior a 4 anos pois, além da reincidência, houve a valoração negativa de circunstância judicial. Para mais , a jurisprudência deste Tribunal Superior firmou-se nos sentido de que as condenações alcançadas pelo período depurador de 5 anos, previsto no art. 64, inciso I, do Código Penal, afastam os efeitos da reincidência, mas não impedem a configuração de maus antecedentes (AgRg no HC n. 865.231/SP, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJe de 11.3.2024; AgRg no REsp n. 1.953.906/RS, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 23.3.2022). Conclui-se, assim, que no caso em análise não há manifesta ilegalidade a ensejar a concessão da ordem de ofício. Ante o exposto, com fundamento no art. 21-E, IV, c/c o art. 210, ambos do RISTJ, indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA