AREsp 1953951 - DECISAO
O agravo foi conhecido e decidiu-se não conhecer do recurso especial porque: (i) a alegada violação de dispositivos legais indicados no recurso não foi enfrentada no acórdão recorrido, inexistindo prequestionamento suficiente (incidência das Súmulas 282 e 356 do STF); (ii) as alegações quanto a normas infralegais...
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- Parties
- Autor: Best Fabril Indústria e Comércio de Artefatos de Falso Tecido LTDA; Recorrente (agravante): Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado de São Paulo
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 12 November 2021
- Procedural Posture
- Ação Ordinária / Agravo No Recurso Especial Julgamento De Admissibilidade (conhecimento Do Agravo E Não Conhecimento Do Recurso Especial)
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial, implicando majoração da verba honorária em 2%.
- Legal Topics
- Registro Profissional, Honorários Advocatícios, Prequestionamento, Competência Do STJ Para Exame De Normas Infralegais, Súmula 7/stj Reexame Do Conjunto Fático Probatório
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Parties
Best Fabril Indústria e Comércio de Artefatos de Falso Tecido LTDA
Autor
Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado de São Paulo
Recorrente (agravante)
Procedural Posture
Ação Ordinária / Agravo No Recurso Especial Julgamento De Admissibilidade (conhecimento Do Agravo E Não Conhecimento Do Recurso Especial)
Legal Issues
- 1 admissibilidade do recurso especial
- 2 exame de alegada violação de dispositivos legais e de normas infralegais (resoluções)
- 3 falta de prequestionamento de dispositivos legais apontados
Ratio Decidendi
O agravo foi conhecido e decidiu-se não conhecer do recurso especial porque: (i) a alegada violação de dispositivos legais indicados no recurso não foi enfrentada no acórdão recorrido, inexistindo prequestionamento suficiente (incidência das Súmulas 282 e 356 do STF); (ii) as alegações quanto a normas infralegais (resoluções) são incabíveis em sede de recurso especial por não serem "lei federal" nos termos do art. 105, III, a, da CF; e (iii) para modificar a conclusão do julgador de origem seria necessário reexame de matéria fático-probatória, vedado no recurso especial nos termos da Súmula 7/STJ. Por tais razões o recurso especial não foi conhecido, sendo também determinada a majoração...
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial, implicando majoração da verba honorária em 2%.
Orders
- Conhecer do agravo
- Não conhecer do recurso especial
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DECISÃO Best Fabril Indústria e Comércio de Artefatos de Falso Tecido LTDAajuizou ação contra Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado de São Paulopleiteando, em suma, a declaração de inexistência de relação jurídica com orequerido, no tocante ao registro em seus quadros,bem como a restituição de valor pago a título de multa. A sentença julgou os pedidos procedentes(fls. 388-404). OTribunalRegional Federal da 3ª Regiãoreformou a sentença somente para majorar os honorários advocatícios, em acórdão ementadonos seguintes termos(fl. 550): ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO. ART. 1.021, CPC. AÇÃO ORDINÁRIA. CONSELHOREGIONAL DE ENGENHARIA E AGRONOMIA DO ESTADO DE SÃO PAULO - CREA/SP. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. AGRAVO DESPROVIDO. 1. A decisão ora agravada, prolatada em consonância com o permissivo legal, inclusive quanto aos pontos impugnados no presente recurso. 2. Na presente demanda foi atribuído à causa o valor de R$ 2.154,60 (dois mil cento e cinquenta e quatro reais e sessenta centavos) em 23 de outubro de 2017. 3. A r. sentença fixou os honorários advocatícios no percentual mínimo do § 3º do art. 85 do CPC, de acordo com o inciso correspondente ao valor atualizado da causa, o que equivale a R$ 215,46 (em out/2017). 4. No caso em tela, considerando os honorários se mostram irrisórios, bem como levando-se em conta a natureza e a importância da causa, bem como o zelo dos profissionais, os honorários devem ser fixados, por equidade, em R$ 1.000,00 (um mil reais), nos termos do art. 85, § 8º, do CPC. 5. In casu, considerando a matéria discutida nos autos, o trabalho realizado em grau recursal e o tempo exigido, bem como a fixação dos honorários advocatícios e o não provimento do recurso, de rigor a aplicação da regra do § 11 do artigo 85 do CPC, pelo que determino, a título de sucumbência recursal, a majoração dos honorários de advogado arbitrados em 1% (um por cento). 6. As razões recursais não contrapõem tais fundamentos a ponto de demonstrar o desacerto do decisum, limitando-se a reproduzir argumento visando à rediscussão da matéria nele contida. 7. Agravo interno desprovido. Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado de São Paulointerpôs recurso especial, com fundamento no art. 105, III, ae c, da Constituição Federal, alegando violação dos arts.1º, 6º,7º, h, 8º, parágrafo único, 59, 60, da Lei n. 5.194/1966, art.1º da Lei 6.839/1980, arts. 1º, 20, 23 da Resolução Confea nº 218/1973 e arts1º, 24, 30,e 31 da Resolução Confea nº 417/1998, afirmando, em resumo, que ficou devidamentecomprovado nos autos a necessidade da recorrida contar com um profissional da Engenharia durante seu processo industrial, bem como de proceder ao registro e se submeter à fiscalização da ora recorrente. Foram apresentadas contrarrazões (fls. 585-606) e o Tribunal de origeminadmitiu o recurso especial (fls. 607-609), tendo sido interposto o presente agravo. É o relatório. Decido. Considerando que o agravante impugnou a fundamentação apresentada na decisão agravada, e atendidos os demais pressupostos de admissibilidade do agravo, passo ao exame do recurso especial. Preliminarmente, verifica-se ser incabível a indicação de ofensa a dispositivos insertos na Resolução Confea n. 218/1973 e na Resolução Confea n. 417/1998. Isso porqueartigos de portarias, decretos, resoluções ousúmulas não se encaixam na previsão de "lei federal", disposta no art. 105, III, a, da Carta Magna.Nesse sentido, confira-se: ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE COBRANÇA E INDENIZAÇÃO. DESPESAS COM OBRAS DE INFRAESTRUTURA PARA A IMPLANTAÇÃO DE REDE ELÉTRICA EM LOTEAMENTO PARTICULAR. RESPONSABILIDADE LEGAL DO LOTEADOR. DECISÃO EM CONSONÂNCIA COM ENTENDIMENTO DO STJ. É VEDADA A ANÁLISE DE MATÉRIA, CONSTANTE EM PORTARIA, EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DO TEMPUS REGIT ACTUM. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 282 E 356 DO STF. AGRAVO INTERNO DA SOCIEDADE EMPRESÁRIA A QUE SE NEGA PROVIMENTO. (..) 4. Este Superior Tribunal de Justiça já firmou entendimento de que Portarias, Circulares e Resoluções não se equiparam a Leis Federais para fins de interposição do Recurso Especial. Assim, a alegada violação dos arts. 136, 138 e 140 do Decreto 41.019/1957 pela Portaria 005/1990 do DNAEE tem a sua análise vedada no âmbito desta Corte Superior de Justiça. (..) 6. Agravo Interno da Sociedade Empresária a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 1034775/SP, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/05/2019, DJe 20/05/2019.) TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. IPTU. EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. FALECIMENTO DO PROPRIETÁRIO ANTES DA EXECUÇÃO FISCAL. ALÍNEA "C" DO ART. 105 DA CONSTITUIÇÃO. FALTA DE INDICAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL VIOLADO. SÚMULA 284 DO STF. (..) 3. Não cabe ao Superior Tribunal de Justiça, em recurso especial, examinar tal violação, na medida em que o ato normativo não é enquadrado no conceito de lei federal. Conforme o art. 105, III, alínea "a", da Constituição Federal, não se permite ampliar a competência desta Corte Superior para, em recurso especial, examinar eventual ofensa a súmulas, resoluções, regulamentos, portarias, circulares ou instruções normativas, por não estarem tais atos normativos compreendidos na expressão "lei federal". (..) 5. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no REsp 1645453/SP, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em 21/02/2019, DJe 28/02/2019.) Sobre a alegada violação dos arts. arts. 1º, 6º, 7º, h, 8º, parágrafo único, 59, 60, da Lei n. 5.194/1966, art. 1º da Lei 6.839/1980, verifica-se que, no acórdão recorrido, não foi analisado o conteúdo dos dispositivos legais, nem foram opostos embargos de declaração para tal fim, pelo que carece o recurso do indispensável requisito do prequestionamento. Incidência dos Enunciados Sumulares n. 282 e 356 do STF, in verbis: Súmula 282: É inadmissível o Recurso Extraordinário, quando não ventilada, na decisão recorrida, a questão federal suscitada. Súmula 356. O ponto omisso da decisão, sobre o qual não foram opostos embargos declaratórios, não pode ser objeto de recurso extraordinário, por faltar o requisito do prequestionamento. Não constando do acórdão recorrido análise sobre a matéria referida no dispositivo legal indicado no recurso especial, restava ao recorrente pleitear seu exame por meio de embargos de declaração, a fim de buscar o suprimento da suposta omissão e provocar o prequestionamento, o que não ocorreu na hipótese dos autos. No mesmo sentido: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ENERGIA ELÉTRICA. TRANSFERÊNCIA DE ATIVOS DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CÓDIGO FUX. FALTA DE INTERESSE DE AGIR E INÉPCIA DA INICIAL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA RECURSAL DO STF. NÃO CABIMENTO DO APELO NOBRE POR EVENTUAL VIOLAÇÃO DE NORMAS INFRALEGAIS. PRESENÇA DOS REQUISITOS PARA FIXAÇÃO DOS HONORÁRIOS RECURSAIS, EM RAZÃO DO NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL, NA DECISÃO MONOCRÁTICA AGRAVADA. AGRAVO INTERNO DA CONCESSIONÁRIA A QUE SE NEGA PROVIMENTO. (..) 2. Não houve prequestionamento dos dispositivos legais atinentes às teses de inépcia da inicial e incongruência entre seus fundamentos e pedidos. A jurisprudência desta Corte considera que a ausência de enfrentamento da questão objeto da controvérsia pelo Tribunal de origem, não obstante a oposição de Embargos de Declaração, impede o acesso à instância especial, porquanto não preenchido o requisito constitucional do prequestionamento, nos termos da Súmula 211/STJ. 3. É importante reiterar que não pode ser admitido o prequestionamento ficto das referidas teses, pois, ao tratar da violação do art. 1.022 do Código Fux, o Recurso Especial não discorreu sobre eventual omissão do acórdão recorrido quanto a elas. Julgados: AgInt no AREsp. 1.017.912/RS, Rel. Min. ASSUSETE MAGALHÃES, DJe 16.8.2017; REsp. 1.639.314/MG, Rel. Min. NANCY ANDRIGHI, DJe 10.4.2017. 4. O requisito do prequestionamento é exigido por este STJ inclusive para as matérias de ordem pública. Julgados: AgInt no AREsp. 1.284.646/CE, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, DJe 21.9.2018; EDcl no AgRg no AREsp. 45.867/AL, Rel. Min. NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, DJe 31.8.2017. (..) 8. Agravo Interno da Concessionária a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 1661808/SP, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 14/09/2020, DJe 21/09/2020.) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 3/STJ. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO. TERMO INICIAL. JUROS MORATÓRIOS. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS 282/STF E 356/STF. VALOR DA INDENIZAÇÃO. REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Não houve apreciação pelo Tribunal de origem sobre a tese de que os juros moratórios deveriam incidir desde o evento danoso e não desde a citação, o que impossibilita o julgamento do recurso nesse aspecto, por ausência de prequestionamento. Outrossim, eventual omissão sequer foi suscitada pela ora recorrente por meio de embargos declaratórios, o que impossibilita o julgamento do recurso neste aspecto, por ausência de prequestionamento, nos termos das Súmulas 282 e 356/STF. Efetivamente, para a configuração do questionamento prévio, não é necessário que haja menção expressa dos dispositivos infraconstitucionais tidos como violados. Todavia, é imprescindível que no aresto recorrido a questão tenha sido discutida e decidida fundamentadamente, sob pena de não preenchimento do requisito do prequestionamento, indispensável para o conhecimento do recurso. Acrescente-se que a jurisprudência do STJ é no sentido de que, inclusive em relação às matérias de ordem pública, é indispensável o prequestionamento para o conhecimento do recurso especial. (..) 3. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp 1800628/PE, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 24/08/2020, DJe 15/09/2020.) Ademais, verifica-se que a irresignação do recorrente acerca da necessidade de registro da ora recorrida nos quadros do Conselho, vai de encontro às convicções do julgador a quo, que, com lastro no conjunto probatório constante dos autos, decidiu que o objeto social da recorrida não guarda qualquer relação com as atribuições próprias de engenheiro (fl. 487). Dessa forma, na eventualidade de superação do prequestionamento, para rever tal posição e interpretar os dispositivos legais indicados como violados, seria necessário o reexame desses mesmos elementos fático-probatórios, o que é vedado no âmbito estreito do recurso especial. Incide na hipótese a Súmula n. 7/STJ. Ante o exposto, com fundamento no art. 253, parágrafo único, II, a, do RISTJ, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial,implicando, ainda, majoração da verba honorária em 2%. Publique-se. Intimem-se.