AREsp 2624543 - DECISAO
O Tribunal concluiu que o acórdão recorrido analisou adequadamente os fatos e as provas, reconhecendo que a instituição de ensino permitiu o cursamento parcialmente concomitante de graduação e pós-graduação, motivo pelo qual o conselho profissional não poderia negar o registro; ademais, as matérias pretendidas pelo...
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- Parties
- Apelante: CREA; Impetrante: parte autora; Instituição De Ensino: instituição de ensino superior; Órgão De Fiscalização: Conselho de fiscalização profissional
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 15 August 2024
- Procedural Posture
- Mandado De Segurança / Recurso Especial Não Conhecido; Agravo Em Recurso Especial Conhecido Parcialmente
- Outcome
- recurso especial não conhecido; agravo conhecido quanto à matéria que não se enquadra em tema repetitivo
- Legal Topics
- Registro Profissional, Especialização, Colação De Grau, Prequestionamento, Súmula 7, Honorários Advocatícios
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Parties
CREA
Apelante
parte autora
Impetrante
instituição de ensino superior
Instituição De Ensino
Conselho de fiscalização profissional
Órgão De Fiscalização
Procedural Posture
Mandado De Segurança / Recurso Especial Não Conhecido; Agravo Em Recurso Especial Conhecido Parcialmente
Legal Issues
- 1 possibilidade de recusa de registro profissional por pós-graduação cursada parcialmente concomitante com a graduação
- 2 obrigação de o tribunal responder a todas as questões suscitadas (art. 1.022 do CPC/2015)
- 3 prequestionamento de matéria (art. 44, III, da Lei n. 9.394/96)
Ratio Decidendi
O Tribunal concluiu que o acórdão recorrido analisou adequadamente os fatos e as provas, reconhecendo que a instituição de ensino permitiu o cursamento parcialmente concomitante de graduação e pós-graduação, motivo pelo qual o conselho profissional não poderia negar o registro; ademais, as matérias pretendidas pelo recorrente demandariam reexame fático-probatório, vedado no recurso especial (Súmula 7), e parte das teses não foram prequestionadas, sendo inviável o conhecimento do recurso especial, razão pela qual este não foi conhecido.
Court Disposition
recurso especial não conhecido; agravo conhecido quanto à matéria que não se enquadra em tema repetitivo
Orders
- Conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo
- Não conheço do recurso especial
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Na origem, trata-se de mandado de segurança (registro profissional). Na sentença, julgou-se procedente o pedido. No Tribunal a quo, a sentença foi mantida. O valor da causa foi fixado em R$ 1.000,00 (mil reais). O recurso especial foi interposto no TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO contra acórdão com o seguinte resumo de ementa: APELAÇÃO. CREA. ESTUDANTE DE GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA QUE CURSA, DE FORMA PARCIALMENTE CONCOMITANTE, PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO. NEGATIVA DE REGISTRO À FORMAÇÃO ESPECIALIZADA. SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA MANTIDA. 1. Conquanto contrarie a lógica frequentar um curso de pós-graduação antes da conclusão do curso de graduação, a situação fático-jurídica sub judice é peculiar, inexistindo questionamento sobre a regularidade do curso de pós-graduação, tampouco acerca do desempenho do impetrante. 2. Se a instituição de ensino permitiu que o graduando iniciasse o curso de pós-graduação antes da colação de grau no curso de graduação, não é dado ao Conselho de fiscalização profissional negar-lhe o registro da especialização posteriormente concluída ou exigir que curse novamente as disciplinas já realizadas. Precedentes desta Corte.3. Não se está a incorrer em alteração dos requisitos legais para os níveis de formação educacional, mas procedendo ao ajuste em concreto de situação que foge ao habitual, analisando as peculiaridades do caso sob o viés da proporcionalidade. Após interposição de agravo em recurso especial, vieram os autos ao Superior Tribunal de Justiça. É o relatório. Decido. O recurso especial não deve ser conhecido. A Corte de origem bem analisou a controvérsia com base nos seguintes fundamentos: embora o artigo 1º, inciso I, da Lei 7.410/85 disponha que O exercício da especialização de Engenheiro de Segurança do Trabalho será permitido exclusivamente ao Engenheiro ou Arquiteto, portador de certificado de conclusão de curso de especialização em Engenharia de Segurança do Trabalho, a ser ministrado no País, em nível de pós-graduação, no caso, houve autorização por parte da instituição de ensino superior para que a parte autora cursasse, deforma parcialmente concomitante, a graduação e a pós-graduação. Nesse contexto, não é dado ao Conselho de fiscalização profissional negar-lhe o registro da especialização posteriormente concluída ou exigir que curse novamente as disciplinas já realizadas. Frente ao panorama, inexistindo questionamento ou dúvida acerca da habilitação profissional da parte autora, recomendável que seja mantida a sentença, proferida em harmonia com outros casos semelhantes já analisados por esta Corte. Não há violação do art. 1.022 do CPC/2015 (antigo art. 535 do CPC/1973) quando o Tribunal a quo se manifesta clara e fundamentadamente acerca dos pontos indispensáveis para o desate da controvérsia, apreciando-a (art. 165 do CPC/73 e do art. 489 do CPC/2015), apontando as razões de seu convencimento, ainda que de forma contrária aos interesses da parte, como verificado na hipótese. Conforme entendimento pacífico desta Corte, "o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão". A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 confirma a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, "sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida". EDcl no MS 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016. Quanto à matéria de fundo, verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". Relativamente às demais alegações de violação (art. 44, III, da Lei n. 9.394/96), esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. Conforme entendimento desta Corte, não há incompatibilidade entre a inexistência de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 e a ausência de prequestionamento, com a incidência do enunciado n. 211 da Súmula do STJ, quanto às teses invocadas pela parte recorrente, que, entretanto, não são debatidas pelo tribunal local, por entender suficientes para a solução da controvérsia outros argumentos utilizados pelo colegiado. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.234.093/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 24/4/2018, DJe 3/5/2018; AgInt no AREsp 1.173.531/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 20/3/2018, DJe 26/3/2018. Ademais, verifica-se que o Tribunal de origem decidiu a matéria em conformidade com a jurisprudência desta Corte. Incide, portanto, o disposto no enunciado n. 83 da Súmula do STJ, segundo o qual: "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida". Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino a sua majoração, em desfavor da parte recorrente, no importe de 1% sobre o valor já fixado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, observados, se aplicáveis: i. os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do já citado dispositivo legal; ii. a concessão de gratuidade judiciária. Ante o exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, II, a, do Regimento Interno do STJ, conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo, e não conheço do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA