HC 978424 - DECISAO
Não se constatou ilegalidade manifesta apta a justificar a concessão de ofício do habeas corpus, porquanto a jurisprudência deste Tribunal permite a regressão cautelar de regime sem prévia oitiva do apenado, reservando a oitiva para a regressão definitiva; assim, indeferiu-se liminarmente a impetração com fundamento...
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- Parties
- Paciente: ELTON LUIZ RIBEIRO DOS SANTOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 07 February 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Liminar Indeferida (decisão Interlocutória)
- Outcome
- Indeferida liminarmente a ordem de Habeas Corpus
- Legal Topics
- Regressão Cautelar De Regime, Oitiva Prévia Do Apenado, Falta Grave, Audiência De Justificação, Audiência Admonitória, Resolução CNJ 474/2022, Súmula 533/stj
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Parties
ELTON LUIZ RIBEIRO DOS SANTOS
Paciente
Procedural Posture
Habeas Corpus / Liminar Indeferida (decisão Interlocutória)
Legal Issues
- 1 É necessária a prévia oitiva judicial do apenado antes da regressão cautelar de regime?
- 2 Aplicabilidade da Resolução CNJ 474/2022 ao caso concreto
- 3 Cabimento do habeas corpus como substitutivo de recurso próprio
Ratio Decidendi
Não se constatou ilegalidade manifesta apta a justificar a concessão de ofício do habeas corpus, porquanto a jurisprudência deste Tribunal permite a regressão cautelar de regime sem prévia oitiva do apenado, reservando a oitiva para a regressão definitiva; assim, indeferiu-se liminarmente a impetração com fundamento no entendimento consolidado e nos dispositivos aplicáveis do RISTJ.
Court Disposition
Indeferida liminarmente a ordem de Habeas Corpus
Orders
- Indeferida liminarmente a presente impetração de Habeas Corpus
- Cientifique-se o Ministério Público Federal
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Habeas Corpus impetrado em favor de ELTON LUIZ RIBEIRO DOS SANTOS em que se aponta como ato coator o acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO assim ementado: AGRAVO DE EXECUÇÃO diante de decisão que manteve a sustação cautelar do regime aberto concedido ao sentenciado em decorrência do descumprimento das condições impostas em audiência admonitória, determinando a realização de audiência de justificação após o cumprimento do mandado de prisão em retiro pleno. Diligência que decorre do poder geral de cautela do juiz, em caráter provisório. Agravo improvido. Em suas razões, sustenta o impetrante a ocorrência de constrangimento ilegal, pois é necessária prévia oitiva judicial do apenado antes da regressão cautelar de regime por suposta prática de falta grave. Alega ser desnecessária a expedição de mandado de prisão, nos termos da Resolução n. 474/2022 do CNJ . Requer, assim, que seja afastada a regressão cautelar de regime e determinada a prévia oitiva do paciente. É o relatório. Decido. A Terceira Seção do STJ, no julgamento do HC n. 535.063/SP, firmou entendimento de que não cabe Habeas Corpus substitutivo de recurso próprio, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada alguma teratologia no ato judicial impugnado (Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, DJe de 25.8.2020). Assim, passo à análise das razões da impetração a fim de verificar se há flagrante ilegalidade que justifique a concessão do writ de ofício. Na espécie, consta do Voto condutor do acórdão impugnado a seguinte fundamentação quanto às controvérsias apresentadas: Verifica-se em consulta aos autos principais que o agravante deixou de realizar os comparecimentos trimestrais em cartório, condição do regime aberto, porque, nos autos nº 1500298-43.2021.8.26.0563, foi decretada sua prisão preventiva por suposta prática de homicídio doloso, permanecendo ele em lugar incerto e não sabido até a superveniência da sentença de impronúncia, tal como declarado pela Defesa a fls. 1067-1070 dos autos subjacentes. Queria o réu, portanto, esquivar-se do cumprimento do mandado de prisão preventiva e deliberou tomar rumo incerto e não sabido, o que de certo, não justifica o descumprimento das condições impostas quando do ingresso em regime aberto. A propósito, fácil notar que a sustação cautelar do regime aberto decorre do poder geral de cautela conferido ao julgador diante do descumprimento das condições impostas quando da audiência admonitória, mantendo-se o sentenciado, destarte, sob o regime fechado em caráter provisório. Como bem realçou a Douta Procuradoria Geral de Justiça em seu parecer, ".. a regressão cautelar é plenamente admissível na execução penal quando o executado pratica falta grave ou descumpre as regras do regime imposto, sendo que posteriormente será o executado previamente ouvido para fins de regressão definitiva, nos termos do art. 118, par. 2º, da LEP", nada denotando violação à Resolução/CNJ, nº 474/2022, como despropositadamente aventou a Defesa. Trata-se de solução derivada do poder geral de cautela conferido ao julgador, como já mencionado, aguardando-se, no mais, o cumprimento do mandado de prisão para a realização da audiência de justificação. .. Noutras palavras, o benefício não foi revogado, mas apenas suspenso, sendo certo que, no interregno, serão observadas as regras garantidoras do pleno exercício do contraditório e da ampla defesa (fls. 13-14, grifo meu). Segundo entendimento firmado nesta Corte, é possível a regressão cautelar para qualquer dos regimes mais severos, por analogia ao disposto no art. 118 da Lei n. 7.210/1984, por suposta prática de falta grave, não sendo necessária a realização de prévia oitiva do apenado, que só é indispensável na regressão definitiva. Nesse sentido, vale citar os seguintes julgados: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. INFRAÇÃO DISCIPLINAR GRAVE. PRIMAZIA DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR. OITIVA JUDICIAL NECESSÁRIA APENAS EM FACE DE REGRESSÃO DEFINITIVA DE REGIME. ANÁLISE DAS PROVAS PARA AFASTAMENTO DA FALTA. IMPOSSIBILIDADE. DILAÇÃO PROBATÓRIA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. Nos termos a jurisprudência consolidada desta Corte Superior, em caso de prática de fato definido como crime doloso ou falta grave, consoante exegese do art. 118, § 2º, da Lei de Execução Penal, é necessária a prévia oitiva judicial do apenado antes que se proceda à regressão de regime. 2. Referida audiência é dispensada tão somente quando se trata de regressão temporária de regime, visto que " a jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça é sólida em reconhecer a legalidade da regressão cautelar de regime prisional sem a audiência do apenado, sendo este procedimento exigido somente quando da regressão definitiva" (AgRg no HC n. 736.226/SC, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 15/8/2022). Precedentes também do Supremo Tribunal Federal. 3. É forçoso esclarecer, ainda, que tal procedimento não se confunde com a audiência de justificação realizada para a apuração da infração disciplinar grave, de modo a esclarecer o contorno fático da falta, a qual, segundo o entendimento do Supremo Tribunal Federal, "supre eventual ausência ou insuficiência de defesa técnica no PAD instaurado para apurar a prática de falta grave durante o cumprimento da pena"" (AgRg no REsp n. 1.856.867/PR, Rel. Ministro Rogerio Schietti, 6ª T., DJe 1º/10/2020). 4. Na hipótese, não foi determinada a regressão definitiva, mas sim cautelar do sentenciado, o que, segundo o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, não ofende o teor do Enunciado Sumular n. 533, porquanto foi determinada a instauração do respectivo procedimento administrativo disciplinar antes que se proceda à regressão definitiva. 5. Ademais, a Corte local foi categórica ao ressaltar o descumprimento das condições impostas, "mormente descumprimento do horário de recolhimento em sua residência". Assim, desconstituir o julgado de origem - no sentido de que não houve análise das provas antes da imposição da penalidade - demandaria dilação probatória, providência vedada no exame do habeas corpus. 6 . Agravo regimental não provido. (AgRg no RHC n. 174.712/MS, Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 9.3.2023.) AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. IMPUGNAÇÃO DEFENSIVA. DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÕES DO REGIME ABERTO. REGRESSÃO CAUTELAR DE REGIME. OITIVA PRÉVIA DO APENADO. PRESCINDIBILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.. 1- Nos termos do art. 50, V, da LEP, pratica falta grave aquele que descumpre, no regime aberto, as condições impostas. 2- Na situação vertente, após ter sido convertida a pena restritiva de direitos em privativa de liberdade e concedida a prisão domiciliar, por falta de vagas no regime aberto, a polícia não encontrou o executado em três oportunidades. Justificou a defesa que o recorrente trabalha em várias fazendas. No entanto, é seu dever informar à Justiça o endereço certo e atual, o que não fez. Assim, mostrou-se o apenado descaso e destemor para com a Justiça. 3- Evidenciando-se a prática de falta grave, consistente no descumprimento das condições imposta ao regime aberto, na modalidade prisão albergue domiciliar, é cabível a regressão cautelar do regime prisional pelo Juiz das execuções, sem a exigência da oitiva prévia do sentenciado, necessária apenas para a regressão definitiva ao regime mais severo. .. (AgRg no HC n.º 438.243/SP, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em 06/08/2019, DJe 13/08/2019) 4- Não houve violação da Resolução 474/2022 do CNJ, a qual prevê intimação do condenado por sentença definitiva para dar início ao cumprimento da pena, hipótese diversa dos autos em que o recorrente, a par não ter comparecido, desde setembro/2019, para cumprir a prestação de serviços comunitários inicialmente estabelecida em audiência admonitória, deixou de atender às intimações do Juízo e não foi encontrado por três vezes no endereço informado nos autos . 5- Agravo regimental não provido. (AgRg no HC n. 806.034/MG, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 24.3.2023.) Na mesma linha: AgRg no HC n. 709.680/AL, Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 21.2.2022; AgRg no HC n. 728.791/SP, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 27.4.2022. Nessa linha, não tendo sido determinada a regressão definitiva de regime, não há ofensa ao enunciado da Súmula n. 533/STJ. Conclui-se, assim, que no caso em análise não há manifesta ilegalidade a ensejar a concessão da ordem de ofício. Ante o exposto, com fundamento no art. 21-E, IV, c/c o art. 210, ambos do RISTJ, indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA