HC 986733 - DECISAO
Houve prova de descumprimento prolongado das condições do regime aberto e, diante da jurisprudência do STJ autorizando a regressão cautelar de regime sem oitiva prévia quando há falta disciplinar grave, a suspensão cautelar do regime aberto e a regressão ao semiaberto não configuram ilegalidade ou...
Source-derived case information.
- Parties
- Paciente: JULIO CESAR DE FARIAS; Juízo De Origem: Juízo da 1ª Vara das Execuções Criminais da Comarca de Taubaté
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 March 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão Denegatória (denego O Habeas Corpus, in Limine)
- Outcome
- denegado (denego o habeas corpus, in limine)
- Legal Topics
- Regressão Cautelar De Regime, Falta Disciplinar, Regime Aberto, Habeas Corpus, Cautela
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
JULIO CESAR DE FARIAS
Paciente
Juízo da 1ª Vara das Execuções Criminais da Comarca de Taubaté
Juízo De Origem
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão Denegatória (denego O Habeas Corpus, in Limine)
Legal Issues
- 1 cabimento de regressão cautelar de regime sem oitiva prévia do sentenciado
- 2 proporcionalidade da suspensão cautelar do regime aberto
- 3 vedação ao revolvimento fático-probatório via habeas corpus
Ratio Decidendi
Houve prova de descumprimento prolongado das condições do regime aberto e, diante da jurisprudência do STJ autorizando a regressão cautelar de regime sem oitiva prévia quando há falta disciplinar grave, a suspensão cautelar do regime aberto e a regressão ao semiaberto não configuram ilegalidade ou desproporcionalidade, justificando a denegação do habeas corpus in limine.
Court Disposition
denegado (denego o habeas corpus, in limine)
Orders
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO JULIO CESAR DE FARIAS alega sofrer coação ilegal em razão de acórdão proferido pelo Tribunal de origem, que não conheceu do HC n. 3013254-52.2024.8.26.0000. Infere-se dos autos que o Juízo da 1ª Vara das Execuções Criminais da Comarca de Taubaté, nos Autos n. 0001708-53.2018.8.26.0520, determinou a sustação cautelar do regime "ante a notícia da prática de falta disciplinar de natureza grave, consistente no descumprimento das condições impostas para o resgate da sanção corporal no regime aberto" (fl. 131). A defesa afirma que a decisão é desproporcional, pois, ao ser intimado, o apenado "retomou o comparecimento trimestral em juízo, computando-se o dia 23/10/2024, como reinício correto do seu regime aberto" (fl. 6). Pede, por isso, seja reformada a decisão de primeiro grau. Decido. É viável o avanço na pronta solução do habeas corpus, com base na jurisprudência consolidada desta Corte. O apenado foi transferido para o regime aberto domiciliar em 26/10/2023, sob determinadas condições, incluindo a obrigatoriedade de comparecer trimestralmente à Vara de Execuções ou à Central de Atenção ao Egresso para relatar suas atividades. Diante da ausência de comparecimento em Juízo ou na Central de Atenção ao Egresso (CAEF), foi expedida intimação para que o apenado apresentasse justificativa, porém sem sucesso, uma vez que ele "não foi localizado no endereço informado". Após a expedição de novo mandado, a pedido da defesa, obteve-se êxito na localização do paciente, que se apresentou em juízo, alegando que "é usuário de drogas e não tem parado muito em sua residência" (fl. 130). O reeducando se apresentou em Juízo apenas em 23/10/2024, ocasião em que foi emitida a seguinte certidão Certifico que, nesta data, o egresso acima compareceu em cartório, portando o mandado de intimação de fls. 322/323, justificando que deixou de comparecer para assinar sua carteirinha no Regime Aberto, pois o mesmo é usuário de drogas (crack) e informou que não tem parado muito em sua residência e ainda se perdeu no tempo. Certifico por fim que, atualizei o comparecimento no histórico de partes, bem como emiti e entreguei-lhe cópia do relatório com as próximas datas agendadas, conforme relatório retro juntado. Nada Mais. Taubaté, 23 de outubro de 2024. Eu, Danilo Cabral Gomes, Auxiliar Administrativo - Pref." (fls. 44). Após a manifestação das partes, o regime aberto foi suspenso cautelarmente, sendo determinada a expedição do mandado de prisão, o qual foi cumprido em 15/12/2024, com a devida consignação do regime semiaberto (fl. 130). A defesa pleiteia a reconsideração da cautelar, entretanto, não se observa ilegalidade flagrante na decisão proferida pelo Juiz da Vara de Execuções Criminais (VEC). O descumprimento das condições do regime aberto, ao que parece, perdurava há mais de um ano, e o apenado apenas alegou ser usuário de drogas e não permanecer em sua residência com regularidade, o que, à primeira vista, se revela incompatível com a conduta exigida dos sentenciados que cumprem pena em prisão albergue domiciliar. Nesse cenário, a regressão cautelar do regime é cabível, suficiente, adequada e não se mostra desproporcional. O acórdão recorrido observou o entendimento de que "A prática de falta disciplinar de natureza grave justifica a suspensão cautelar do regime aberto. 2. A regressão cautelar de regime pode ocorrer sem a oitiva prévia do sentenciado, necessária apenas para a regressão definitiva. 3. A análise de justificativas que impliquem revolvimento fático-probatório é vedada na via do habeas corpus" (AgRg no HC n. 960.693/SP, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 19/2/2025, DJEN de 26/2/2025.) Ilustrativamente: "Quanto à regressão cautelar ao regime semiaberto, não se verifica desacerto, uma vez que essa decorreu do descumprimento das condições impostas no regime aberto" (AgRg no HC n. 850.413/SP, relator Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), Sexta Turma, julgado em 18/3/2024, DJe de 21/3/2024). Deveras: Nos termos da jurisprudência desta Corte Superior e com lastro no poder geral de cautela conferido ao Juiz das Execuções Penais, é válida a decisão que determina a regressão cautelar do regime de cumprimento de pena em razão da suposta prática de infração grave. Entende-se, ainda, ser possível a regressão cautelar para qualquer dos regimes mais rigorosos, por analogia ao disposto no art. 118, da Lei n. 7.210/1984. 2. Na hipótese, o Magistrado singular sustou cautelarmente a manutenção do Agravante em regime aberto e determinou a sua transferência cautelar para o regime semiaberto, e m razão do descumprimento das regras do regime aberto, por violação da regra prevista no art. 146-C, inciso II, da Lei de Execução Penal. .. (AgRg no RHC n. 184.586/RJ, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Sexta Turma, julgado em 26/2/2024, DJe de 5/3/2024). .. No que concerne à regressão cautelar de regime, forçoso concluir-se que este Superior Tribunal de Justiça já firmou o entendimento de que, quando for praticada a falta grave pelo sentenciado, é cabível a regressão cautelar do regime prisional, inclusive sem a oitiva prévia do condenado, que somente é exigida na regressão definitiva ao regime mais severo. Precedentes. .. (AgRg no HC n. 819.508/MG, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 27/11/2023, DJe de 1/12/2023). À vista do exposto, denego o habeas corpus, in limine. Publique-se e intimem-se. EMENTA